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Ultrassonografia não substitui mamografia no diagnóstico de câncer de mama

Atualizado em: 27/04/2014

cancer

A mamografia é o principal exame preventivo para câncer de mama. Outros exames utilizados neste cenário são a ultrassonografia mamária (USM) e a ressonância magnética das mamas (RMM). Vale ressaltar que tanto da USM quanto da RMM são utilizadas para casos bem específicos conforme indicação médica.

Aqui é extremamente importante entender a terminologia médica, e vale uma breve introdução sobre os conceitos de prevenção primária e prevenção secundária:

Prevenção primária: consiste em várias medidas para evitar o desenvolvimento de uma doença, ou seja, se relaciona às estratégias para evitar que o câncer de mama apareça (manter o peso adequado, praticar atividade física, evitar reposição hormonal (RH) durante a fase de menopausa e, se for necessário, fazer a reposição hormonal por no máximo cinco anos com supervisão médica)

Prevenção secundária: consiste na realização de exames que possam detectar uma doença em sua fase inicial. Neste quesito é que a mamografia se enquadra. Ou seja, fazer mamografia anualmente não previne o aparecimento de câncer de mama, mas permite que ele seja detectado precocemente, aumentando em muito as chances de cura da paciente.
O diagnóstico precoce de qualquer tipo de câncer, de uma forma geral, está associado a maiores taxas de cura bem como a menor necessidade de cirurgias mutilantes e também a menor necessidade de realização de quimioterapia.

Mas quando começar a realizar os exames preventivos? Nessa questão, dividimos as pacientes entre aquelas com risco habitual (maioria da população) e pacientes de alto risco (a minoria da população).

São consideradas pacientes de alto risco aquelas com histórico familiar muito importante para câncer de mama, sendo os principais: parentes de primeiro grau com câncer de mama antes dos 50 anos, homens com câncer de mama na família, parentes com câncer de ovário, pacientes de família judia Aschkenazi, pacientes ou familiares sabidamente com mutação dos genes BRCA1, BRCA2, TP53, dentre outros.
Como já comentamos anteriormente, tanto para as pacientes de risco habitual quanto para as pacientes de alto risco, a principal modalidade de exame para rastreamento do câncer de mama (prevenção secundária) é a mamografia.

Para as mulheres de risco habitual, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), a realização da mamografia deve ser iniciada aos 40 anos de idade e a partir daí deve ser realizada anualmente em caso de mamografia normal e para alguns casos deverá ser repetida em seis meses, conforme comentaremos abaixo de acordo a classificação BI-RADS®.

Para as mulheres de alto risco, a mamografia deve ser feita de forma mais precoce, de acordo a indicação do médico após avaliar cada caso individualmente, levando-se em conta a idade de aparecimento do caso de câncer em idade mais jovem na família, bem como a presença de determinado tipo de mutação genética ou sintoma da paciente. Para esse grupo de pacientes, o médico poderá lançar mão de outras modalidades de exames além da mamografia, como a ultrassonografia e, principalmente, a ressonância magnética das mamas. No geral, os exames de rastreamento se iniciam aos 25 anos de idade neste grupo de paciente.

Entenda a classificação

A mamografia é um raio-X das mamas. Logo, é um exame que utiliza radiação na geração da imagem mamográfica. É realizada em um aparelho específico para mama (mamógrafo) mediante a compressão das mamas (o que pode causar desconforto para algumas pacientes). Com realização de pelo menos duas incidências distintas para cada mama, a mamografia permite a detecção de microcalcificações e também de nódulos mamários bem como de outras alterações.

A classificação BI-RADS® (Breast Imaging-Reporting and Data System) consiste em um sistema internacional de padronização, avaliação, e interpretação dos exames de imagem mamária. Após essa análise, é atribuída uma nota ao exame pelo médico que avaliou. A classificação BI-RADS® se aplica aos exames de mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética de mamas, é o que assegura maior confiabilidade do exame e serve para os diversos serviços médicos do mundo se comunicarem com a mesma linguagem. É importante também que os pacientes cobrem das clínicas/laboratórios de imagem que essa avaliação esteja disponibilizada em seus exames mamários, o que serve como um controle de qualidade do exame e maior segurança para todos.

Mamografia x Ultrassonografia

Muitas mulheres, por medo da possibilidade de dor durante a realização da mamografia, optam por fazer apenas ultrassonografia, mas essa é uma opção individual e sem respaldo médico. Isso porque a ultrassonografia de forma isolada é inferior à mamografia para o diagnóstico precoce do câncer de mama, podendo ser realizada juntamente com a mamografia conforme recomendação médica, mas nunca de forma isolada no cenário de rastreamento de câncer de mama.

A principal limitação da USM é a incapacidade de detectar microcalcificações, bem como apesentar um alto número de resultados falsos positivos (lesões suspeitas na ultrassonografia levando a necessidade da biópsia de várias lesões que na realidade são benignas). As vantagens da USM se encontram na capacidade de diferenciar lesões sólidas (nódulos) de lesões císticas (cistos mamários), complementar os casos que geram dúvidas na mamografia e permitir melhor avaliação dos gânglios axilares. Idealmente, o laudo da ultrassonografia mamária deve seguir as normatizações e classificação BI-RADS® conforme comentamos acima.

Adolescentes e mulheres jovens são exceção

Como o câncer de mama é raríssimo em adolescentes e em mulheres com menos de 30 anos, as sociedades médicas não recomendam a realização de mamografia de rotina nesta faixa etária – mas, se o médico achar pertinente por alguma suspeita clínica, a mamografia poderia ser realizada em casos muito selecionados. A grande limitação da mamografia nesta faixa etária é que, em geral, as mama das pacientes são extremamente densas, não permitindo a identificação de lesões ainda que elas estejam presentes, gerando o que chamamos de resultado falso negativo (ou seja, a paciente tem uma lesão na mama, mas a mamografia esta normal). Na faixa etária dos 30 aos 40 anos a ocorrência de câncer de mama também é pouco usual, não fazendo parte das recomendações gerais de rastreamento de câncer de mama por parte da sociedades médicas. Vale lembrar que o que comentamos acima se aplica a população de risco habitual, o que corresponde a maioria da população.

Para mulheres nas faixas etárias mais baixas, no caso de queixa ou presença de nodulações mamárias, é recomendado procurar um médico, que irá proceder com uma avaliação clínica minuciosa e na sequencia poderá solicitar exames como a ultrassonografia mamária, principalmente para a avaliação de nodulações de baixa suspeição de câncer de mama – permitindo diferenciar precisamente nódulos (conteúdo sólido) de cistos mamários (conteúdo líquido), e em alguns casos muito particulares até mesmo uma mamografia.

Fonte:MSN

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