Vida e Saúde

TV faz mal às crianças mesmo quando está em segundo plano

Atualizado em: 11/10/2012

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Quatro horas. Esse é o tempo médio que crianças norte-americanas passam fazendo diferentes atividades, como comer, brincar e estudar, em ambientes com uma televisão ligada, segundo constatou uma pesquisa realizada pela Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Ao todo, 1.454 famílias, com crianças entre 8 meses e 8 anos, participaram desse levantamento, que é o primeiro a mensurar o tempo que as crianças passam com a TV ligada em segundo plano.

Para chegar a esse resultado, os pais responderam a questionários sobre as atividades realizadas por seus filhos em um período de 24 horas e se a televisão ficava ligada durante elas. Para a surpresa dos pesquisadores, quanto mais jovens as crianças, maior tempo de exposição. Menores de 24 meses passam 5h30 em ambientes com TV em segundo plano, enquanto aqueles entre 6 e 8 anos passam 2h45.

Aqui no Brasil, apesar de não ter nenhum levantamento oficial como esse, já se sabe que é uma situação habitual nos lares. Em uma enquete feita pela CRESCER em nossa página no Facebook, apenas 10 das 107 mães que participaram responderam negativamente à pergunta: “Você costuma deixar a TV ligada em casa enquanto o seu filho brinca no chão da sala?”.

Menos TV, mais interação

Essa pesquisa não explora as consequências da exposição indireta à TV, mas estudos anteriores sugerem que isso pode afetar a concentração e o comportamento e até interferir nas relações interpessoais. Em um deles, realizado pela Universidade de Massachusetts, também nos Estados Unidos, os pesquisadores observaram a interação entre dois grupos de filhos e pais. Um deles com a presença de uma TV ligada e outro sem o aparelho. Apesar de não estar assistindo – de fato – à programação, a primeira turma interagiu com menos frequência, e as brincadeiras das crianças eram mais breves se comparadas à outra turma. “As famílias acabam perdendo um tempo precioso de conversa por causa da televisão”, diz a terapeuta familiar Carmen Lúcia Pinheiro, do Rio de Janeiro.

De acordo com o neurologista pediátrico Marcelo Masruha Rodrigues, da Universidade Federal de São Paulo, essa exposição é prejudicial à saúde e ao desenvolvimento das crianças, assim como se elas estivessem assistindo à TV. “Esse excesso de tempo atrapalha o desenvolvimento cognitivo. Para desenvolver a linguagem, por exemplo, elas precisam interagir mais com outros indivíduos do que ouvir a ‘máquina’ falando, porque não é a mesma coisa”, diz o especialista.

A psicopedagoga Quézia Bombonato, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, levanta outra questão: “Hoje, nossas crianças são multitarefas, estão habituadas a lidar com diferentes estímulos, mas nem sempre isso é positivo”. Os ruídos externos e o atrativo visual inevitavelmente desviam o foco da criança e, por vezes, limita seu potencial criativo. “A televisão acaba competindo com as outras atividades. Se a criança está no meio de uma atividade lúdica e um comercial chama sua atenção, ela abandona a fantasia e se volta para a tela”, completa. Ou seja, a criança acaba ficando dividida. Isso não significa que ela não retomará a brincadeira, mas o problema é que essa falta de foco pode acompanhá-la durante a fase escolar e também na vida adulta.

Não há uma orientação para a quantidade de tempo em que a criança pode passar em um ambiente com uma televisão ligada, e sim o tempo máximo que ela deveria estar na frente de uma tela – o que, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria seria de 2 horas por dia. Isso inclui computador, tablet, televisão, videogame e celular. Assim fique de olho se a TV não está ligada enquanto o seu filho se diverte com um brinquedo. O melhor mesmo é desligá-la para que ele aproveite a brincadeira completamente. Se for junto com você, melhor ainda!

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