Vida e Saúde

Site avalia consumo de álcool

Atualizado em: 08/12/2012

bebendo

Um site criado na Holanda em 2008 para avaliar o consumo de álcool na população serviu de base para a elaboração de um projeto semelhante na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lançado nesta quinta-feira (6).

O Informálcool é um endereço eletrônico feito em parceria com as universidades federais do Paraná (UFPR) e de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, com apoio da Organização Mundial da Saúde.

Segundo a chefe do departamento de Psicobiologia da Unifesp, Maria Lucia Formigoni, que coordena o projeto – lançado nesta quinta em outros três países: México, Índia e Bielorrússia –, a proposta é trazer às pessoas uma reflexão sobre o uso e abuso de álcool.

"É um programa de ajuda para quem quer reduzir ou parar o consumo de bebida. Na ferramenta Bebermenos, há testes que avaliam o quanto a pessoa ingere em uma semana, as vantagens e desvantagens disso, se existe uma vontade de mudar e possíveis metas", explica.

A ideia da Unifesp é que o usuário entre no site periodicamente e avalie seu nível de consumo – o objetivo é atingir principalmente quem está na faixa de risco, anterior ao alcoolismo. O indivíduo também poderá participar de fóruns com outras pessoas que bebem e trocar informações, que serão moderadas por um profissional de saúde.

O endereço traz, ainda, dados sobre álcool e drogas para quem trabalha na área da saúde e familiares que queiram saber mais sobre o assunto, além de políticas e leis nacionais e internacionais, como limites aceitáveis e proibições para menores de 18 anos.

"Nosso foco são jovens que estão acostumados com a internet e têm medo de ser estigmatizados se procurarem um serviço de saúde, ou ainda não acham que abusam do álcool. Esta época do ano, com muitas festas, férias e viagens, é propícia para convidar as pessoas a refletir sobre isso", diz Maria Lucia.

A meta do site é fazer com que os usuários se deem conta de que estão bebendo demais, por meio da pontuação que obtiverem nos testes, e mudem de comportamento. A ferramenta, porém, não substitui a necessidade de procurar um serviço de saúde, destaca a professora.

Participantes serão avaliados
No segundo semestre do ano que vem, depois que o projeto já tiver informações das pessoas em um banco de dados, a intenção é escolher aleatoriamente 200 participantes para um acompanhamento de seis semanas feito por um psicólogo, via telefone. Esses selecionados formarão um grupo de controle e continuarão atendidos apenas pelo site.]

Essa segunda fase pretende que as pessoas passem por uma sessão de terapia por semana, durante o tempo médio em que gastaram no site – ou seja, se navegaram por cerca de 30 minutos em cada acesso, o período de análise deve ser de meia hora.

"O programa do Instituto Trimbos, na Holanda, fez um estudo controlado online durante seis semanas com 261 adultos. Entre os participantes, 17,2% reduziram o consumo de álcool, contra 5,4% do grupo de controle", conta Maria Lucia. Além disso, o uso do site fez com que a ingestão diminuísse 3,6 vezes.

Alcoolismo no Brasil
Segundo um levantamento domiciliar feito em 2005 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Unifesp, em 108 cidades com mais de 200 mil habitantes, 12,3% da população do país é dependente de álcool, a maioria homens. Outros 18% têm problemas com a bebida, ou seja, o uso já atrapalha o dia-a-dia, mas ainda estão numa fase anterior ao alcoolismo.

Outro estudo, de 2010, feito pelo Cebrid com estudantes em 26 capitais e no Distrito Federal, mostra que o uso de álcool durante o ano entre as capitais de cada região variou de: 52% a 56% no Sul, 40% a 48% no Sudeste, 40% a 48% no Centro-Oeste, 36% a 47% no Nordeste e 29% a 40% no Norte.

Um dado que chama a atenção nessa e em outras pesquisas é o aumento da ingestão alcoólica entre adolescentes – o que piora o risco de dependência e os danos ao cérebro – e o crescimento do uso entre meninas, de forma equivalente ao dos meninos. No último levantamento do Cebrid, até 70% dos jovens brasileiros de 15 a 16 anos bebiam regularmente.

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