Vida e Saúde

Plásticas em adolescentes e crianças chegam a 127 mil por ano

Atualizado em: 24/03/2013

Young woman looks thoughtfully to right side of image.

Devido às novas técnicas utilizadas em cirurgias plásticas, cada dia menos invasivas, a procura dos pais por orientação sobre cirurgias plásticas em seus filhos tem crescido a cada dia.

Quando se trata da estética, a procura maior é pela cirurgia otoplastia, para corrigir a famosas “orelhas de abano”, visando evitar traumas psicológicos ou problemas físicos na idade adulta. Porém, segundo os especialistas, este procedimento só pode ser realizado após os quatro ou cinco anos de idade, quando a orelha já está desenvolvida o suficiente.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), são realizadas 127.887 mil cirurgias plásticas por ano em crianças e adolescentes, o que representa 21% do total de procedimentos cirúrgicos, estéticos ou reparadoras no Brasil.

No quesito de reparação das orelhas, a procura é mais pelos meninos, devido à classe ser mais afetada, por usarem os cabelos curtos e deixarem as orelhas à mostra. Apelidos na escola e na vizinhança, situações de bullying podem causar reações violentas e até depressão, interferindo no desempenho da criança.

Por ter grandes orelhas, Charlie Figlia, 15, passou a ser chamado de Dumbo dentro da escola. O garoto não tinha vontade de ir ao colégio e nem olhava para as meninas, com vergonha de suas orelhas. Há um ano, o jovem fez uma cirurgia e o resultado fez Charlie chorar de felicidade quando se viu no espelho e não mais sentiu incomodado.

Outra procura grande é pela correção do lábio leporino, rinoplastia (nariz), lipoaspiração, microtia –, que é uma anomalia congênita caracterizada por uma pequena forma anormal da orelha – e redução ou aumento das mamas.

A contadora Ana Cláudia Freitas Souza, 38 anos, disse que sua filha nasceu com uma má-formação na pálpebra de um dos olhos, que o deixava menor do que o outro. Aos quatro anos a menina começou a ter receio da deficiência e às vezes não queria ir à escola. “Os coleguinhas ficavam perguntando por que o olho dela era daquele jeito e isso a deixava constrangida. Procuramos um especialista e fizemos a cirurgia reparadora e hoje ela se encontra com seis anos e nem parece que teve a deficiência no olho”, ressaltou.

Segundo o cirurgião plástico Alderson Luiz Pacheco, as cirurgias reparadoras são mais realizadas em crianças de até três anos de idade, abrangendo principalmente a correção das más-formações inatas, como, por exemplo, fissuras de lábio e palato. “A cirurgia para correção da fissura labial pode ser realizada, em alguns casos, já nos três primeiros dias de vida, mas tudo depende da avaliação do cirurgião”, ressalta o especialista.

Casos de saúde ou estéticos

Fissuras labiais e palatinas são chamadas de lábio leporino. Essas patologias devem ser avaliadas precocemente pelos especialistas, de preferência logo após o nascimento, para se estabelecer um programa de tratamento que inclui, não só a cirurgia, mas, a utilização de próteses que previnem o agravamento das deformidades. Geralmente se opera a fissura labial entre 30 dias e três meses de nascido e a fissura palatina entre seis meses e um ano de idade.

Conforme os especialistas, cirurgias plásticas em crianças e adolescentes são realizadas apenas quando se trata de uma questão de saúde, mas vêm crescendo os casos em que os motivos são puramente estéticos, principalmente em operações de redução e aumento de mamas.

O cirurgião Alderson Pacheco ressalta que diante de qualquer deformidade que a criança venha apresentar, as mães podem ficar tranquilas. A ciência médica possui soluções bastante razoáveis para quase todos os problemas.

Tribuna da Bahia (© Ronfromyork | Dreamstime Stock Photos & Stock Free Images)

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