Vida e Saúde

Plástica pode recuperar autoestima na adolescência

Atualizado em: 10/09/2012

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A adolescência é uma fase repleta de mudanças, principalmente no corpo. As transformações ocorrem nos aspectos orgânicos e também psicossociais. É neste período que ocorre o processo de aceitação do seu próprio corpo e seu gênero (feminino ou masculino) e a inserção em grupos compostos por pessoas da mesma idade e de ambos os sexos.

“É comum que os complexos venham à tona na adolescência, já que o corpo está em pleno estágio de mudança. A insatisfação coma imagem se acentua, especialmente se o adolescente virar alvo de brincadeiras” ,observa o cirurgião plástico Alderson Luiz Pacheco.

Nariz avantajado, seios grandes ou pequenos demais, orelhas que se destacam entre os fios de cabelo. Estas estão entre as principais reclamações dos jovens. Pacheco afirma que muitos vão ao consultório decididos a se submeter a uma cirurgia plástica para resolver o problema. “O cirurgião deve ser ético e ter discernimento para ter uma conversa franca com o adolescente e seus pais, afinal a intervenção, se necessária, será feita apenas com o consentimento por escrito dos responsáveis. O profissional deve analisar cuidadosamente as motivações do paciente”, ressalta.

Se a razão para fazer o procedimento for efêmera, como desejo de seguir a moda, ficar semelhante a uma pessoa famosa ou as expectativas forem irreais, a cirurgia não é indicada. Nestes casos, a realização da plástica pode gerar arrependimentos. “A questão exige uma verdadeira reflexão sobre a necessidade da intervenção, os riscos implícitos e o desenvolvimento corporal. Quando o adolescente tem autoestima baixa e problemas psicológicos por causa do problema, a cirurgia pode ser indicada com mais segurança. É preciso avaliar se a motivação não é puramente emocional”, explica.

Pacheco destaca o ideal é adiar a cirurgia para a fase adulta, quando o organismo já atingiu o ápice do seu desenvolvimento. Porém, é possível examinar o paciente e verificar se há condições para realizar a plástica. No caso das meninas, é recomendado fazer mudanças no corpo, no mínimo, dois anos após a primeira menstruação. “Meninas com seios muito grandes, por exemplo, podem ser submetidas mais precocemente a mamoplastia de redução, pois a operação visa evitar comprometimentos no desenvolvimento postural causados pela desproporcionalidade das mamas”, evidencia.

As jovens dão preferência aos procedimentos na orelha (otoplastia), nariz (rinoplastia), implante de silicone e redução das mamas. Os meninos buscam corrigir as orelhas e a reduzir o tamanho da mama masculina (ginecomastia). “A prótese de silicone só é recomendada antes dos 18 anos quando é observada uma assimetria mamária exacerbada. A evolução das técnicas cirúrgicas e os estudos na área genética permitiram a operação dos jovens em fase avançada decrescimento com mais segurança”, aponta Pacheco, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica(SBCP).

O médico declara que muitos adolescentes possuem problemas reais, que provocam infelicidade, afastamento de seu grupo social e distúrbios psicológicos. Em uma fase de insegurança, dúvidas e transformações, as insatisfações se tornam ainda mais intensas. “Muitas vezes a correção da chamada ‘orelha de abano’ pode trazer grandes benefícios para o jovem, com elevação da autoestima, eliminação de traumas e de complexos. Por outro lado, é preciso combater a banalização da cirurgia plástica. Ter a percepção correta é fundamental”, acredita.

O especialista salienta que o profissional deve atuar com base em princípios éticos e conhecimento específico para decidir qual o melhor caminho para a solução do problema. “Assegurar a saúde do paciente deve ser sempre a prioridade em qualquer situação. É importante que os pais acompanhem o adolescente e estejam a par dos seus desejos e expectativas, pois isto também pode influenciar o processo. Nesta fase, os jovens precisam de apoio para refletir sobre suas decisões”, acrescenta Pacheco.

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