Vida e Saúde

Para envelhecer bem, o remédio é andar

Atualizado em: 16/06/2014

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A prática regular de exercícios, incluindo caminhadas, reduz drasticamente as chances de um idoso frágil se tornar fisicamente incapaz, pelo menos de acordo com um dos estudos mais longos e abrangentes do tipo.

Os resultados, publicados em 27 de maio no jornal JAMA, reforçam a necessidade de atividade física frequente em qualquer idade.

Embora todo mundo saiba que é uma boa ideia, as provas científicas de seus benefícios nos mais velhos e doentes até agora eram surpreendentemente limitadas.

“Pela primeira vez mostramos a relação direta do exercício na diminuição ou prevenção da incapacidade física na população idosa, extremamente vulnerável”, afirma o Dr. Marco Pahor, diretor do Instituto de Envelhecimento da Universidade da Flórida em Gainesville e principal autor do estudo.

Inúmeras análises epidemiológicas comprovaram a correlação direta entre a atividade física na idade avançada e uma vida mais longa e saudável, embora não prove que ela melhore a saúde dos idosos, apenas que o pessoal da 3ª idade que é saudável se exercita.

Outros experimentos aleatórios em pequena escala concluíram a conexão causal entre o exercício e o envelhecimento saudável, mas com um teor geralmente mais restrito, mostrando, por exemplo, que as pessoas mais velhas melhoram a massa muscular através do treinamento com pesos ou desenvolvendo a capacidade de resistência com caminhadas.
Assim, para o estudo mais recente, o Lifestyle Interventions and Independence for Elders, ou LIFE, cientistas de oito universidades e centros de pesquisa começaram a recrutar voluntários em 2010, usando critérios de seleção pouco comuns. Ao contrário de muitos estudos outros desse tipo, que tendem a usar gente que goza de boa saúde que se exercita com facilidade, esse se utilizou de pessoas sedentárias e fracas, à beira da fragilidade.

No fim, foram recrutados 1.635 homens e mulheres sedentários, com idades entre 70 e 89 anos, que ficaram abaixo dos nove pontos em uma escala de funcionalidade física geralmente usada com idosos. Quase metade cravou oito ou menos, mas todos conseguiram caminhar 400 metros sozinhos ‒ ponto limite que define a pessoa como fisicamente incapaz para os estudiosos.

Depois, os participantes foram designados, de forma randômica, para um grupo de exercícios ou um educacional.

Os que pertenciam a esse segundo tiveram que visitar o centro de pesquisas uma vez por mês para ter aulas sobre nutrição, cuidados com a saúde e outros tópicos relacionados ao envelhecimento.

Os do primeiro receberam informações semelhantes, mas também começaram um programa de caminhadas e treinamento leve de levantamento de pesos, trabalhando os tornozelos, tendo que ir ao centro de pesquisas duas vezes/semana para caminhadas em grupo monitoradas em pista, cada vez mais longas. Também teriam que completar de três a quatro sessões em casa, totalizando 150 minutos de caminhada e três sessões com pesos de 10 minutos cada por semana.

A cada seis meses os pesquisadores verificavam as condições físicas de todos os voluntários, com destaque para a habilidade de caminhar os 400 metros ainda sozinhos. O experimento acompanhou o grupo por uma média de 2,6 anos, tempo bem mais longo que a média de estudos desse tipo.
Ao fim desse período, os que se exercitavam mostraram uma probabilidade 18 por cento menor de algum episódio de incapacidade física durante o teste e 28 por cento menor de se tornarem permanentemente incapazes, isto é, impossibilitados de percorrerem os 400 metros sozinhos.

Segundo Pahor, a maioria tolerou o programa muito bem, mas alguns detalhes chamaram a atenção: mais voluntários do grupo de exercícios acabaram sendo hospitalizados durante o estudo que os do grupo educacional, possivelmente porque seus sinais vitais eram verificados com mais frequência. A rotina de exercícios também pode ter ‘desmascarado’ problemas de saúde ocultos, embora Pahor não acredite que os exercícios em si tenham levado à internação.

Uma preocupação mais sutil envolve a diferença surpreendentemente pequena, em termos absolutos, no número de pessoas que ficaram incapacitadas em ambos os grupos: cerca de 35 por cento dos indivíduos do grupo não ativo tiveram alguma incapacitação física ao longo do estudo; no do exercício, foram trinta.

‘À primeira vista, os resultados deixam a desejar’, diz o Dr. Lewis Lipsitz, professor de Medicina de Harvard e diretor do Instituto de Pesquisa de Envelhecimento do Hebrew SeniorLife em Boston, que não se envolveu no estudo, ‘mas aí é preciso analisar o grupo de controle, que na verdade não controlava muita coisa’.

Isso porque, em muitos casos, os participantes do grupo educacional começaram a se exercitar, como mostram os dados, mesmo que não fossem estimulados a fazê-lo.

‘Não seria ético pedir que não se exercitassem, mas se os cientistas tivessem usado um grupo de controle de idosos completamente sedentários com hábitos alimentares ruins, as diferenças teriam sido muito mais pronunciadas’, conclui Lipsitz.

E prossegue: ‘No geral, é um estudo importante porque se concentra em um resultado importante, que é a prevenção da incapacidade física’.
Nos próximos meses, Pahor e seus colegas pretendem explorar sua base de dados de resultados para fazer um acompanhamento adicional, incluindo análise de custo/benefício.

O programa de exercícios custou cerca de US$1.800/participante por ano, incluindo o reembolso do que foi gasto com as visitas aos centros de pesquisa ‒, mas esse número é ‘consideravelmente menor’ que o do acompanhamento integral, com enfermagem, de alguém que se torna fisicamente incapaz. A equipe de Pahor também torce para que, com o estudo, o Medicare comece a cobrir os custos de programas de exercícios para idosos.

E ressalta que o objetivo do LIFE nunca foi estimular o pessoal da 3ª idade a se exercitar sozinho, sem supervisão profissional.

‘O acompanhamento médico é importante, bem como o aspecto social’, afirma Pahor, que aconselha uma conversa com o médico e tentar encontrar um grupo de exercícios.

Mildred Johnston, de 82 anos, secretária aposentada de Gainesville que se ofereceu para participar do LIFE, continuou com as caminhadas semanais com outras duas voluntárias que conheceu no programa.

‘Os exercícios mudaram totalmente a minha concepção de envelhecimento; já não é mais o nível de dependência dos outros, mas sim o nível de independência que ainda tenho’.

‘Além do mais, as fofocas com as amigas durante as caminhadas me mantêm antenada com a vida’, conclui.

Fonte:MSN

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