Vida e Saúde

Pacientes que lêem notas clínicas se sentem mais seguros

Atualizado em: 11/10/2012

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Médicos que disponibilizam notas clínicas para seus pacientes em sites seguros na internet têm conseguido obter um maior índice de adesão aos tratamentos, diminuindo o número de pacientes que não tomam as medicações corretamente, na medida em que estas pessoas passam a se envolver de forma mais direta em todo procedimento proposto.

A maioria dos pacientes que tem acesso às notas clínicas afirma que sente um maior controle de sua saúde. " Estamos entusiasmados com estes resultados," disse Tom Delbanco, médico do Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, um dos três locais onde o estudo foi realizado. " Acredito que tornar estas " notas abertas" parte da prática padrão vai enriquecer a experiência do médico e do paciente." Os outros sites integrantes da pesquisa foram Geisinger Health System, na Pensilvânia e Harborview Medical Center, em Seattle.

Permitir acesso dos pacientes às notas clínicas raramente causa confusão, ansiedade ou visitas demoradas aos consultórios. Cerca de 5% dos médicos participante relataram visitas mais longas e até 8% passou tempo extra com os pacientes fora das consultas.

" Outro resultado que conseguimos apurar é redução dos riscos médicos com a construção de uma relação mais forte de confiança com os pacientes. Há muito tempo venho sentindo que a ficha médica é o centro de todo processo. É uma oportunidade maravilhosa aproximar médicos e pacientes," completa Delbanco.

Os resultados indicam ainda um aumento do uso de sistemas de registros eletrônicos de saúde (EHRs) nos Estados Unidos. Em 2011, 34% dos médicos utilizavam a ferramenta, em comparação com 17% em 2008, de acordo com o Centro Nacional para Estatísticas de Saúde. De 2008 a 2011, número de médicos de cuidados primários usando EHRs quase dobrou, de 20% para 39%.

Poucos pacientes se sentiram confusos

Os pesquisadores entrevistaram 105 médicos de cuidados primários e 13.5 mil de seus pacientes com idades acims de 18 anos, por um ano, entre meados de 2010 e 2011. Todos os pacientes receberam um e-mail com um link eletrônico para as anotações clínicas após seus médicos assinarem estas notas eletronicamente.

Os pesquisadores descobriram que entre 47% a 92% haviam aberto pelo menos uma dessas notas. Entre 20% e 42% destes pacientes chegaram a compartilhar suas notas com demais membros da família entre outras pessoas.

Quase todos os pacientes queriam continuar a ter acesso às notas após a conclusão do estudo. Esse número inclui, inclusive, as pessoas que optaram por não abrir as suas notas.

"Em contraste com os temores de muitos médicos, poucos pacientes relataram ter sido confuso, preocupante ou se sentirem ofendidos com as notas," disse Jan Walker, co-autor do estudo.

Uma limitação importante do estudo é que os resultados podem não se aplicar a todas as práticas. De acordo com Delbanco as descobertas são importantes, porque mostram o quanto os pacientes podem ser favorecidos com o acesso às notas clínicos. "Quando quase 99% dos pacientes, mesmo aqueles que não leram as notas, dizem que esta um a prática que pode funcionar, fica muito difícil ignorar a experiência.

O estudo afirma que ainda são necessárias mais pesquisas para mensurar o impacto da disponibilização destas notas na saúde dos pacientes, além de avaliar como os médicos devem implementar tais programas.

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