Vida e Saúde

Obesidade traz riscos à cirurgia plástica

Atualizado em: 06/10/2012

comida

Na década de 70, uma das preocupações no Brasil era a desnutrição. Mais de 30 anos depois, o cenário mudou e a obesidade se tornou o grande perigo para a saúde da população. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade dos homens e cerca de 48% das mulheres estão acima do peso.

A obesidade afeta 12,4 dos brasileiros e 16,9% das brasileiras. A doença é considerada uma epidemia mundial pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O problema é tão grave que no dia 11 de outubro é celebrado o Dia Internacional de Combate à Obesidade.

A obesidade é um fator de risco importante para doenças cardiovasculares, diabetes e outras doenças crônicas. O acúmulo de gordura corporal pode ser causado por questões fisiológicas, nutricionais, genéticas, psiquiátricas, psicológicas, ambientais e comportamentais. "São considerados obesos os adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30. Pessoas com IMC entre 25 e 29,9 são consideradas com sobrepeso. Alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos são fundamentais na briga contra a balança", ressalta o cirurgião plástico Alderson Luiz Pacheco.

O médico explica que o acúmulo de tecido gorduroso no corpo ocorre quando a ingestão excessiva de alimentos estimula a produção de mais energia do que o necessário. A energia que não é consumida fica armazenada em forma de gordura. "Gastar pouca energia também favorece o ganho de peso, já que o corpo não consegue utilizar o combustível disponível e acaba armazenando tudo o que sobra. O resultado é o aumento das medidas, especialmente no abdômen, pernas, costas e braços", aponta Pacheco, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Para emagrecer não há segredo: é preciso gastar mais do que se consome. Com pouca energia, o corpo tende a gastar as suas reservas de tecido adiposo e o indivíduo emagrece. Pacheco destaca que muitas pessoas querem encurtar o caminho e chegam ao consultório com a ilusão de que a plástica é a solução de todos os males. "Esta é uma ideia deturpada. A cirurgia plástica é capaz de reduzir o volume corporal, mas não tem como objetivo o emagrecimento. A perda de peso é uma consequência das técnicas que removem tecido e gordura", evidencia.

Pacheco esclarece que a obesidade provoca complicações em qualquer tipo de cirurgia. O excesso de peso tende a aumentar a pressão arterial, altera o metabolismo e favorece o surgimento de doenças que podem influenciar a intervenção cirúrgica, colocando em risco a saúde do paciente. "O procedimento se torna menos seguro, o tempo de duração da cirurgia é maior e a recuperação no período pós-operatório é mais desgastante e lenta. O recomendado é que os pacientes estejam, no mínimo, próximos ao seu peso ideal para uma intervenção segura", defende.

O cirurgião comenta que a lipoaspiração e a abdominoplastia, as queridinhas de quem deseja perder a gordura localizada, não servem como tratamento da obesidade. Apesar de retirarem o tecido gorduroso de determinadas partes do corpo, as duas técnicas não tem como objetivo o emagrecimento. "A quantidade de gordura que deveria ser retirada de um obeso para que ele ficasse magro ultrapassa o limite de segurança estabelecido pela SBCP. É possível retirar, no máximo, 7% do peso corporal. Ou seja, em uma pessoa com 100 quilos é eliminado sete quilos de gordura", declara.

Com o peso muito acima do normal, os resultados da cirurgia plástica também não são satisfatórios. A longo prazo, o obeso tende a perder os efeitos obtidos com a intervenção, já que a plástica não trata os fatores que provocam o excesso de peso. "É essencial que o paciente obeso busque um tratamento multidisciplinar para combater a doença. Após o emagrecimento, o indivíduo pode se submeter a uma operação estética ou reparadora para retirar a pele flácida e a gordura localizada que não foi possível eliminar com a dieta e os exercícios físicos e dar novos contornos ao corpo", acrescenta.

Bem Paraná

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