Vida e Saúde

Mulheres com câncer de mama se “sentem incompreendidas”

Atualizado em: 25/06/2013

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 O tratamento do câncer exige dedicação, vontade de enfrentar a doença e suporte emocional de familiares, amigos e profissionais de saúde. No entanto, uma pesquisa realizada com 1.273 mulheres com câncer de mama avançado de 12 países, incluindo o Brasil, mostra que quase metade das pacientes (49%) se sente incompreendida.

A pesquisa Conte-nos, Conheça-nos e Junte-se a nós revelou que 75% das mulheres com câncer de mama avançado gostariam de ter apoio do médico às suas necessidades emocionais, já que o diagnóstico abala diretamente a autoestima e a qualidade de vida.

No Brasil, 80% das mulheres afirmam procurar informações sobre a doença por conta própria. No entanto, mais da metade delas (62%) ressaltou que as informações disponíveis são insuficientes. Os efeitos colaterais do tratamento, as mudanças na aparência visual em decorrência da queda de cabelo e a perda de interesse sexual foram alguns dos tópicos que as entrevistadas relataram sentir carência de informação.

As questões financeiras também foram apontadas com destaque no estudo. Quase todas as entrevistadas (92%) disseram que precisam adaptar seus gastos por conta da doença. Mais da metade delas (57%) informaram que sua renda caiu desde o diagnóstico e 66% ficaram afastadas do trabalho por um determinado período.

A advogada Laís Barbosa, portadora de câncer de mama avançado, vive esta realidade e concorda com os dados do estudo. Ela conta que o tratamento é difícil, caro, falta informação e apoio emocional do médico.

— A gente se sente muito sozinho, a quimioterapia é um dos piores tratamentos que existe, a medicação é cara, falta informação e nem todos os médicos oferecem apoio emocional, mas, mesmo com todas as dificuldades, luto pela vida, me cuido muito bem e não vou desistir.

Câncer de mama avançado

Como o próprio nome sugere, o câncer de mama avançado engloba o estágio 4 da doença, fase metastática. Isso significa que o tumor se propaga e atinge outras partes do corpo, como ossos e o fígado, sendo responsável por 90% das mortes.

Apesar de não ter cura, o oncologista clínico Rafael Kaliks, do Hospital Albert Einstein e diretor científico do Instituto Oncoguia, defende que mesmo nesta fase, a doença deve ser tratada.

— Precisamos levar em consideração a qualidade de vida da paciente e este é o foco do tratamento nesta fase avançada do câncer.

No mundo, cerca de 250 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de mama metastático, o que representa 15% do total de diagnósticos da doença.

Segundo o especialista, a taxa de cura do câncer de mama em estágio inicial está diretamente relacionada à detecção precoce por meio da mamografia e do tratamento adequado logo após a confirmação do tumor.

— A lei dos 60 dias está longe de ser adequada, mas é melhor do que nada.

Além do check-up anual, especialmente em mulheres acima de 40 anos, o oncologista Antônio Carlos Buzaid, chefe geral do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes, recomenda a adoção de hábitos de vida saudáveis.

— O fator ambiental é mais importante que o genético para o câncer, por isso deixar de lado o cigarro e a alimentação junk food são atitudes importantes que contribuem para a prevenção da doença.

R7

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