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Luto coletivo permite tristeza sem censura

Atualizado em: 29/01/2016

Luto

O falecimento do cantor britânico David Bowie no início de janeiro foi o assunto que dominou as redes sociais esta semana. Menos de 24 horas após o anuncio da sua morte, mais de 4 milhões de usuários do Twitter lamentaram o perda do artista, alcançando um pico de 20 mil postagens por minuto.A morte inesperada de pessoas públicas ou grandes tragédias costumam criar uma mobilização em massa, algo que os especialistas chamam de luto coletivo.   Ao longo das últimas duas décadas mortes como a do piloto Ayrton Senna, Princesa Diana, dos músicos Mamonas Assassinas, Reginaldo Rossi e do político Eduardo Campos, foram alguns dos casos que causaram maior comoção popular.

Grandes tragédias desencadeiam um efeito similar.  No último mês de novembro a série de ataques terroristas em Paris, que vitimou 140 pessoas, mobilizou milhares de pessoas ao redor do mundo.  No mesmo mês, o Brasil lamentava a perda de 234 vítimas com o rompimento da Barragem de Santa Maria, em Minas Gerais. Em 2013, o país parou por conta do incêndio da Boate Kiss, que matou 242 pessoas, a maioria jovens, no Rio Grande do Sul.

“Mesmo que de maneira inconsciente, projetamos nossos lutos pessoais na perda dessas pessoas”, explica Mariana Simonetti, Psicóloga doLuto do Grupo Vila.  “Quando um artista morre ou há uma grande tragédia, é natural buscarmos uma identificação pessoal. Lamentamos então a perda de alguém que tem a nossa idade ou a idade dos nossos filhos, que tinha vínculos fortes com a família ou uma trajetória que admiramos.”, explica.

O luto coletivo permite também que cada indivíduo elabore melhor suas perdas pessoais.  Por diversas razões, é comum que as pessoas tenham dificuldade de vivenciar o processo do luto causada pela morte de um amigo ou parente de maneira adequada e, com isso, reprima sentimentos.  A identificação gerada com a perda de um ídolo e a sensação de acolhimento ao perceber que diversas outras pessoas vivenciam a mesma dor, pode ajudar a fechar esse ciclo.

“Essas situações fazem com que as pessoas pensem na morte de uma maneira coletiva. Este é um assunto sobre o qual evitamos falar, mas o luto vivenciado por milhares de pessoas ao mesmo tempo nos leva a refletir sobre a nossa própria finitude”, explica Mariana.

Redes Sociais

As redes sociais transformaram de maneira definitiva a maneira como interagimos com o mundo, inclusive com o luto. É comum que a morte de uma celebridade torne-se rapidamente um dos assuntos mais comentados das redes. Após o atentado de Paris o Facebook disponibilizou um filtro especial com a bandeira da França para as fotos de perfil do usuário. Muitos enxergam nessa ação uma maneira de mostrar solidariedade e de mostrar sua dor.

Em uma busca rápida, é possível encontrar milhares de grupos dedicados à memória de pessoas que já partiram e também de apoio para quem vivencia uma situação semelhante de perda. Segundo Lívia Vieira, psicóloga do Hapvida Saúde, as redes sociais podem ter um papel fundamental para aceitar a perda. “Por ser uma forma de despedida, que muitas vezes não pode ser realizada em vida, essas mensagens podem ser uma forma de desabafo”, explica. A especialista também orienta para os cuidados com o teor das mensagens para pessoas que passam por este momento, que devem ser de apoio e positivas, nunca com um tom de crítica.

Fonte: assessoria

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