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Limpeza íntima: melhor com água ou com sabonete?

Atualizado em: 10/10/2012

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Quando o assunto é higiene íntima, não há uma verdade absoluta, sobretudo no que diz respeito ao uso do sabonete específico para a área. Enquanto alguns médicos defendem o produto, outros preferem a limpeza somente com água. Dê o seu veredito.

Sabonete – Tem que usar

"A água remove 60% da sujidade. O resto sai com o sabonete", afirma Paulo Cesar Giraldo, professor titular de ginecologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor científico da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (Sogesp).

Isso porque somente um produto adstringente retira a gordura característica da vulva, que incorpora à região resíduos como papel, urina e fezes. "Sem o sabonete, a mulher terá de esfregar bastante a área para obter uma higiene completa, o que pode causar irritação." Giraldo faz uma analogia com o ato de lavar o rosto. "Você não precisa de um sabonete específico para limpar bem a pele? Com a vulva é a mesma coisa."

Em 2009, o médico conduziu uma revisão de 147 publicações que resultou no Guia Prático de Higiene Genital Íntima, publicado pela Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Voltado para especialistas, o manual preconiza que a escolha do sabonete obedeça a três critérios: 1) seja líquido (versões em barra muitas vezes são compartilhadas pela família); 2) tenha pH ácido semelhante ao da vulva (5 ou 6); 3) não possua compostos alergênicos. "Só há uma maneira de saber se você é alérgica a alguma marca: experimentando", diz Giraldo.

Água – Faz a limpeza sozinha

"Os sabonetes íntimos ganharam fama por causa do marketing na sua divulgação", afirma a ginecologista Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, Ambulatório de Sexualidade Feminina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Para o dia a dia, recomendo somente a limpeza com água." Carolina defende o uso do sabonete no máximo três vezes por semana. "É o suficiente para remover o sebinho que se acumula na vulva." A utilização diária, além de desnecessária, pode disparar alergias.

A médica não é contrária aos sabonetes íntimos, mas os considera dispensáveis. "Qualquer variedade neutra de glicerina, mesmo em barra, faz o serviço com igual eficácia, sem interferir no pH." A vagina tem pH ácido e é colonizada por lactobacilos, bactérias que formam uma barreira contra micro-organismos potencialmente infecciosos. Por isso, não interferir no pH é uma forma de prevenir corrimentos e coceiras. Nisso os médicos concordam.

Íntimo e pessoal
   
Quatro aspectos que você não deve ignorar na limpeza da vulva
   
1. Frequência

Varia de uma a três vezes por dia. Influenciam a quantidade: prática de atividade física, peso (obesas transpiram mais), biótipo (caia para trás: assim como a pele do rosto, a da vulva pode ser oleosa ou seca – acompanha a facial), período do mês (a menstruação pede cuidado extra) e estação do ano (quanto mais quente, mais lavagens). Excesso de limpeza, esclarecem os doutores, também é prejudicial: afeta as defesas locais e favorece o ataque de germes como a clamídia.

2. Temperatura da água

Tomar banho com água pelando resseca a pele do corpo e o couro cabeludo, certo? Com a genital não é diferente. Lavar-se com a água morna evita ressecamento e, consequentemente, problemas como coceira e fissuras.

3. Área de limpeza

Por tabu, desconhecimento e mito, as mulheres não tocam os genitais e não se higienizam adequadamente. "A lavagem deve incluir o monte púbico, a pele da vulva, a virilha, a região perianal – entre a vulva e o ânus – e o interior dos grandes e dos pequenos lábios", diz Giraldo. Nunca, jamais, jogue jatos de água dentro da vagina – as chamadas duchas, feitas com chuveirinho. "No interior da vagina, há um equilíbrio de micro-organismos. Colocar água lá dentro pode alterar o pH e mandar os micro-organismos para o útero", afirma Carolina.

4. Secagem

Tão importante quanto lavar-se é secar-se adequadamente. O excesso de umidade cria o ambiente ideal para a proliferação bacteriana. Depois do banho, utilize uma toalha de algodão, seca e limpa, que absorva toda a umidade das reentrâncias, internas e laterais.

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