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Identificada molécula capaz de proteger cérebro dos danos do AVC

Atualizado em: 01/12/2012

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Cientistas da Johns Hopkins University, nos EUA, descobriram que uma pequena molécula conhecida por regular as células brancas do sangue também é capaz de proteger as células cerebrais dos efeitos deletérios do acidente vascular cerebral.

A pesquisa mostra que a molécula, microRNA-223, afeta o modo como as células respondem à perda temporária de fornecimento de sangue provocada pelo AVC e, portanto, a probabilidade das células de sofrerem danos permanentes.

"Nós nos preparamos para encontrar uma molécula pequena, com efeitos muito específicos no cérebro, que poderia ser alvo de um tratamento futuro contra derrame. O que descobrimos é que esta molécula envolvida na resposta imune, que também atua de forma complexa sobre o cérebro. Isso abre um conjunto de questões interessantes sobre microRNA-223, mas também representa um desafio para qualquer aplicação terapêutica", afirma a pesquisadora Valina Dawson.

O trabalho foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

O RNA é mais conhecido como um intermediário que retira a informação genética do DNA e depois ajuda a produzir proteínas com base nessa informação. No entanto, Dawson explica, há uma década os pesquisadores descobriram uma classe completamente diferente de RNA: pequenos fragmentos ágeis que regulam a produção de proteínas, os microRNAs.

Segundo os pesquisadores, em comparação com a maioria das formas de retirar informação genética, a do microRNA é muito rápida.

Levando em conta essa ação rápida, juntamente com outras propriedades, isso poderia tornar o microRNA um bom alvo para o desenvolvimento de terapias.

Dawson e sua equipe decidiram, então, procurar microRNAs que regulam a resposta das células do cérebro à privação de oxigênio.

Para isso, eles analisaram proteínas que aumentam em número em células submetidas ao estresse, e, em seguida, analisaram como a produção dessas proteínas foi regulamentada. Para muitas delas, microRNA-223 teve um papel chave.

Na maioria dos casos, as proteínas reguladas por microRNA-223 mostraram-se envolvidas na detecção e resposta ao glutamato, sinal químico que as células do cérebro usam para se comunicar umas com as outras. Lesões vasculares cerebrais podem levar a um excesso perigoso de glutamato no cérebro, assim como uma gama de doenças, incluindo Alzheimer e autismo.

"Como microRNA-223 está envolvida na regulação de tantas proteínas diferentes, e como afeta os receptores de glutamato, o alcance da molécula acabou por ser muito mais amplo do que o esperado. Antes desta experiência, não era sabido que um único microRNA poderia regular tantas proteínas", afirma a coautora Maged M. Harraz.

A pesquisa sugere que microRNA-223 pode ser um alvo para proteger contra a doença, mas somente se os pesquisadores descobrirem uma maneira de evitar os efeitos colaterais.

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