Vida e Saúde

Falta de uso do preservativo aumenta casos de Aids em mulheres

Atualizado em: 12/07/2012

Em 2010, um milhão e oitocentas mil pessoas morreram em decorrência da AIDS e foram notificados dois milhões e setecentos mil novos casos. Segundo pesquisas da Organização das Nações Unidas (ONU), diariamente, 2,5 mil jovens do planeta se tornam HIV positivos; mundialmente, esta parcela da população responde por 41% das novas infecções. As adolescentes e as mulheres mais jovens são biologicamente mais vulneráveis ao vírus HIV, segundo o estudo da ONU. Fatores como pobreza e desigualdade social também influenciam os índices. A taxa de prevalência no Brasil é de 0,5% da população infectada com o HIV, mas a infecção é distribuída de maneira desigual.

Ainda existe muito preconceito em relação a AIDS, muitas pessoas acreditam que esta é uma doença só dos profissionais do sexo e de drogados, mas apenas 5% dos casos da doença no Brasil envolvem esses profissionais. Segundo a Dra. Eliana Gutierrez, médica infectologista e diretora da Casa da AIDS, em São Paulo, apesar do risco da transmissão por seringas ser altíssimo, o número de casos entre esses usuários também é bem baixo em relação aos outros grupos. Isto porque a quantidade de pessoas que praticam o ato sexual é muito maior do que a que usa drogas injetáveis. A transmissibilidade pelo sexo torna-se a causa mais frequente do que os outros tipos de transmissão. Por isso, o principal recurso para prevenir o vírus é o uso de preservativo e é esta questão que deve ser lembrada a toda a hora, principalmente nas escolas e em casa.

Um fato que deve ser levado em conta, sobretudo nas instruções passadas de pais para filhos, é que o número de casos entre mulheres jovens está aumentando cada vez mais. Pesquisas brasileiras mostram que a população jovem tem alto grau de conhecimento sobre a AIDS e as medidas preventivas, no entanto, o aumento da contaminação de mulheres na adolescência e juventude é um problema cultural. De acordo com a Dra. Eliana, “muitas garotas e mulheres ainda não se impõem aos parceiros para exigir o uso do preservativo”.

A especialista reforça ainda que nos últimos anos teve um excelente aumento da cobertura de tratamento da doença no mundo, o que diminuiu a taxa de transmissão e, consequentemente, o número de novos casos. Nas regiões centro-oeste, sul e sudeste do Brasil há uma regressão neste número, mas no Norte e Nordeste a epidemia continua avançando.

A Casa da AIDS tem o ambulatório ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo. Lá são realizados testes de AIDS gratuitos, distribuídos os medicamentos, do tipo profilaxia, para os pacientes infectados, além de ter tratamentos e acompanhamentos com especialistas, psicólogos e assistentes sociais. “Hoje estamos atendendo muito os jovens que cresceram com a doença, aqueles que já nasceram infectados”, conta a Dra. Eliana. Essas pessoas viveram em famílias desestruturadas e sofrem com preconceito de parentes, amigos e colegas de trabalho. Vale lembrar que “uma pessoa soropositivo pode levar uma vida normal, estudar, trabalhar e apenas deve seguir o tratamento com medicações, mas dá para ser feliz com a AIDS”, ressalta a infectologista.

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