Vida e Saúde

Eutonia: Melhora a postura, alivia dores e combate a timidez

Atualizado em: 05/09/2012

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A prática ainda é pouco conhecida no Brasil. Não é massagem, mas é preciso sentir na pele para conhecer seus efeitos. Afinal, o estímulo sensorial é um dos pilares da eutonia, palavra que vem do grego e do latim e significa “tensão em equilíbrio”. Por meio de toques do eutonista (o instrutor) ou do próprio aluno e com o apoio de apetrechos diversos, como bolinhas de massagem, bambus e massa de modelar, a modalidade tem o objetivo de treinar a percepção corporal. Assim, quem anda por aí curvado ou de ombros caídos e nem se dá conta da má postura, muito menos dos males que isso pode gerar, começa a se endireitar e colher benefícios.

As sessões, que custam de 140 a 220 reais, podem ser feitas em grupo ou individualmente e costumam durar uma hora e meia. “Os objetos usados ajudam a descobrir pontos doloridos e a sentir partes do corpo desconhecidas da maioria, como os ísquios e a bacia”, explica Miriam Dascal, mestre em artes corporais e eutonista há 20 anos. Segundo ela, que dá aulas no Espaço Aanga, em São Paulo, à medida que se aumenta a consciência sobre o próprio corpo e sua estrutura óssea, o praticante da modalidade também passa a notar mais seu interior.“Além de melhorar a respiração, a pessoa amplia suas possibilidades. Passa, por exemplo, a se sentir mais segura e autoconfiante”, defende. Não por acaso, a prática é considerada eficaz contra a timidez e questões psicossomáticas. Até por isso, ganhou bastante popularidade entre atores, bailarinos e gente das artes em geral.

Presidente da Associação Brasileira de Eutonia, Daniel Matos conheceu a atividade na época em que se preparava para a carreira de pianista. Tinha dores crônicas nas costas devido às longas horas que passava sentado tocando, mas diz que conseguiu reverter o quadro quando adotou a eutonia. “Depois das aulas, você começa a se policiar mais e percebe quando está mal acomodado, se está encolhendo demais os ombros ou colocando muita força em determinados movimentos”, conta Daniel. “Distribuir melhor o tônus ou a tensão pelo corpo é fundamental para o bem-estar. ”

Sem esforço exagerado

Uma diferença importante dessa prática em relação às outras atividades físicas é que nada no processo é mecânico ou automático. “Existe concentração em cada movimento”,afirma a psicóloga e coreógrafa Márcia Bonzon, eutonista há 17 anos. “Também não há esforço exagerado nem suor. A sensação quando a gente termina a aula é de relaxamento, sem sonolência”, completa Márcia. Ela conta que foi uma limitação física que fez a bailarina alemã Gerda Alexander criar o método, no fim da década de 1950. Com uma doença cardíaca grave, ela não podia se exercitar. O jeito foi pesquisar uma forma de usar o corpo sem muito desgaste.

Assim nasceu a primeira escola de eutonia, fundada na Dinamarca. Para cumprir o prometido e presentear o praticante com um perfeito domínio do corpo, o cardápio de atividade sdas sessões de eutonia é variado. Guiados pelo instrutor, os alunos às vezes caminham com os olhos fechados ou desenham no ar com oscotovelos. Sem contraindicações, o método pode ser adotado por gestantes e pessoas de todas as idades. Os efeitos geralmente começam a aparecer depois de três meses de prática.“É preciso tempo para alterar padrões que foram construídos ao longo da vida, como uma postura incorreta”,diz Márcia. “Quem chega querendo resultados imediatos já revela que precisa trabalhar a ansiedade.”

Cláudia

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