Vida e Saúde

Equipe internacional descobre mecanismo capaz de reverter a obesidade

Atualizado em: 08/12/2012

obesidade

Equipe internacional de cientistas liderada pela Virginia Commonwealth University, nos EUA, reverteu, com sucesso, a obesidade em ratos, manipulando a produção de uma enzima conhecida como proteína tirosina-quinase-2 (Tyk2).

Pesquisa pode ajudar a criar novos alvos para o tratamento de doenças relacionadas à obesidade, como câncer, doenças cardiovasculares e diabetes.

Em seus experimentos, os cientistas descobriram que Tyk2 ajuda a regular a obesidade em ratos e humanos, através da diferenciação de um tipo de tecido gorduroso conhecido como tecido adiposo marrom.

O estudo, liderado por Andrew Larner, é o primeiro a oferecer evidência da relação entre Tyk2 e a gordura marrom. Estudos anteriores mostraram que Tyk2 ajuda a suprimir o crescimento e metástase de câncer de mama, e agora o estudo sugere que esta mesma enzima pode ajudar a proteger contra a obesidade e até mesmo revertê-la.

Os cientistas foram capazes de reverter a obesidade em rato sem Tyk2, expressando uma proteína conhecida como o transdutor de sinal e ativador de transcrição-3 (Stat3). STAT3 regula a expressão de uma variedade de genes envolvida em alguns processos celulares.

Os investigadores descobriram que Stat3 forma um complexo com uma proteína conhecida como PRDM16 para restaurar o desenvolvimento do tecido adiposo marrom e reduzir a obesidade.

"Nós descobrimos que os níveis de TYK2 em ratos são regulados pela dieta. Em seguida, testamos amostras de tecidos de seres humanos e notamos que os níveis de Tyk2 foram mais de 50% menores em humanos obesos. Nossos resultados abrem novas vias possíveis para a pesquisa e desenvolvimento de novos tratamentos farmacológicos e nutricionais para a obesidade", afirma Larner.

Existem dois tipos diferentes de gordura, o tecido adiposo branco e o tecido adiposo marrom. O branco é o principal local de armazenamento de energia. Já o marrom é responsável pelo gasto de energia, a fim de manter a temperatura do corpo. Depósitos de gordura marrom estão presentes em todos os mamíferos, mas até recentemente, os cientistas acreditavam que ela era ativa somente em crianças e não em humanos adultos.

Somente nos últimos quatro anos, os cientistas perceberam que o tecido adiposo marrom está presente em adultos e ajuda a regular o gasto de energia. Além disso, eles descobriram que a atividade diminuída dessa gordura está associada com síndrome metabólica, combinação de desordens médicas que aumenta o risco de doenças cardiovasculares e diabetes.

"Fizemos algumas observações muito interessantes neste estudo, mas ainda há perguntas sem resposta. Pretendemos continuar a investigar as ações de Tyk2 e Stat3, a fim de compreender melhor os mecanismos envolvidos no desenvolvimento do tecido adiposo marrom. Estamos esperançosos de que esta pesquisa irá ajudar a conduzir a novos alvos para tratar uma variedade de doenças relacionadas à obesidade, como câncer, doenças cardiovasculares e diabetes", conclui Larner.

ISaúde

Vida e Saúde