Vida e Saúde

Empresas de ônibus dão preferência a mulheres ao volante

Atualizado em: 29/05/2012

Elas chegaram com tudo para derrubar os mitos e ditos populares. Afirmam com segurança: lugar de mulher é ao volante. E parecem estar dando conta do recado. Dados de empresas de ônibus vêm mostrando que as representantes do sexo feminino são mais prudentes ao dirigir, causando menos acidentes – e ainda recebem menos multas. Dessa forma, estão cada vez mais presentes nas garagens das empresas do Rio.

– Em comparação com os homens, os números são assustadores. Vou apanhar falando isso, mas elas são muito melhores – diz Nilton Guimarães, coordenador de treinamento dos motoristas do Ligeirão da Transoeste.

A Viação Vila Real comprou a briga para derrubar o preconceito: mulher ao volante, sucesso constante. Em meio a uma fase de recrutamento no setor de transportes, o slogan estampa uma campanha da empresa para recrutar mulheres para trabalhar como motoristas.

– Notamos que faltava apenas um incentivo. Elas gostam da profissão, recebemos 15 inscrições por semana – conta a gerente de recursos humanos Erica Faria.

A fragilidade feminina não faz parte da rotina das motoristas. Giselly do Nascimento deixou uma loja de artigos de festa para se dedicar ao trânsito. Com três meses ao volante, foi abordada por um assaltante. Sem pensar duas vezes, atravessou o veículo na pista e colocou o homem para fora, aos tapas.

– Ser motorista também não é para qualquer um. Tem que ser mulher, mas mulher guerreira – afirma Giselly.

O preconceito – na maioria das vezes, por parte dos homens – ainda não acabou. O famoso “tinha que ser mulher” continua sendo ouvido no trânsito. Para elas, tudo não passa de inveja.

– Nós somos ‘os caras’. Entramos no meio deles e ainda nos saímos melhor – brinca Mara de Oliveira, motorista há dez meses.

Recém lançado, o novo modelo de ônibus articulados – o Ligeirão – possui apenas uma mulher ao volante. Aos 33 anos, mãe de um filho, Fabiana Guimarães diz ter aprendido a lição numa semana.

Sua história começou apenas como uma forma de provar para o pai, motorista de táxi – adepto do “mulher ao volante, perigo constante” -, que ela também era capaz de assumir o comando de um veículo. Criou gosto pelo trabalho e decidiu ir ainda mais longe. Hoje, comanda o Ligeirão – com o tamanho de dois ônibus convencionais.

– Deu banho em muito marmanjo por aí. Hoje, ela é a que mais se destaca – conta Nilton Guimarães.

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