Vida e Saúde

Educação alimentar traz resultado a médio e longo prazo

Atualizado em: 04/10/2012

salada

Ainda que alguns resultados possam ser observados durante ou no final de um programa de educação alimentar, as melhoras significativas e efetivas são a médio e longo prazo, revela pesquisa na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), da USP. Licenciada em ciências, a pesquisadora Vanilde de Castro analisou em seu doutorado mudanças de comportamento em adultos com excesso de peso, após participarem de um Programa de Educação Alimentar (PRAUSP) coordenado pela EERP, e os fatores que facilitaram a manutenção dos hábitos adquiridos após a participação. As mudanças investigadas foram quanto aos hábitos de vida — consumo de álcool, cigarro e prática de atividade física, à alimentação e as alterações de peso, cintura e quadril.

A pesquisadora dividiu os participantes do programa em dois grupos. Um com pessoas que finalizaram o programa, chamados de Grupo Intervenção, que tiveram frequência mínima de 70%. Os resultados mostraram que esses realizaram mais mudanças comportamentais do que aqueles do chamado de Grupo Abandono, que tiveram frequência igual ou inferior a 30%. “Mas as alterações nem sempre foram mantidas no período posterior. O programa mostrou-se eficaz em promover modificações comportamentais, mas é preciso considerar o perfil dos participantes no planejamento das atividades”, enfatiza a pesquisadora.

A boa notícia, diz a pesquisadora, é que os participantes dos dois grupos aumentaram o consumo de verduras, legumes e frutas e reduziram frituras e embutidos, sendo estas mudanças as mais realizadas e mantidas também após o programa. E, ainda, a participação integral no programa, do Grupo Intervenção, levou a mudanças significativas, como ao aumento da mastigação e fracionamento da alimentação, bem como a redução da compulsão alimentar, do Índice de Massa Corporal (IMC), e da circunferência da cintura. “Isso leva, a longo prazo, à diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares”, lembra a pesquisadora.

Entre os resultados da pesquisa, constatou-se o aumento do consumo de álcool entre os participantes do Grupo Intervenção. Este fato, diz Vanilde, merece mais investigação para confirmar se este comportamento reflete a realidade atual vivenciada pela maioria da população ou se constitui em uma forma de compensação encontrada pelos participantes. “Deve-se considerar também, que as informações relativas ao consumo de álcool foram obtidas por questionários diferentes, o que poderia ter contribuído para a diferença encontrada”, explica.

Todos os adultos com excesso de peso que participaram do programa entre 2005 e 2009 foram selecionados para a pesquisa, sendo analisados os dados obtidos em três momentos distintos: antes e após o PRAUSP, e no momento da entrevista, que foi realizada de novembro de 2010 a maio de 2011. Foram entrevistadas 94 pessoas nos dois grupos — Grupo Intervenção, composto por 64 pessoas, e Grupo Abandono, formado por outras 30.

As mulheres casadas foram maioria dos participantes nos dois grupos e a idade média foi de 43 anos, todas com elevado nível de escolaridade. O doutorado intitulado Mudanças comportamentais e fatores associados à sua manutenção em adultos com excesso de peso após intervenção foi defendido pela pesquisadora em 28 de junho último e orientado pela professora Rosane Pilot Pessa Ribeiro, da EERP.

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