Vida e Saúde

Dormir ao lado do companheiro traz benefícios à saúde mental, afirma estudo

Atualizado em: 12/06/2012

Apesar de a ideia de adormecer nos braços do seu companheiro parecer boa em teoria, na prática o ato de dividir uma cama pela noite toda pode ser algo muito complicado, com toda aquela coisa de movimentos e barulhos te mantendo acordada.

Não há dúvida de que dividir o espaço onde se dorme tem vários aspectos negativos. Existem as intermináveis guerras pelo cobertor, além de debates sobre a densidade do colchão e temperatura do quarto. Há também os roncos/barulhos/assobios nasais e, é claro, as viradas de um lado para o outro. No entanto, por mais que esses pontos negativos possam te levar a procurar o descanso num quarto separado ou no sofá, o Wall Street Journal reporta que alguns especialistas em sono estão descobrindo que pode valer a pena continuar no quarto de casal. Estudos anteriores descobriram que existem muitos benefícios em estar num relacionamento duradouro, e esses especialistas em sono acreditam que dormir como casal pode explicar a maioria dessas vantagens. Wendy M.

Troxel, professora assistente de psiquiatria e psicologia da Universidade de Pittsburgh, disse ao WSJ: “O sono é um comportamento de importância crítica para a saúde, e sabemos que ele está associado a doenças cardiovasculares e ao bem-estar mental. Acontece também de ele ser algo importante que fazemos como casal.”

Você pode achar que isso significa que deveríamos fazer tudo ao nosso alcance para dormir o máximo possível, ou seja, sem ser acordados várias vezes por nossos companheiros. Na verdade, um dos estudos dela, feito em 2009, revelou o oposto: “Mulheres em relacionamentos estáveis e duradouros adormeciam mais rápido e acordavam menos vezes durante a noite do que mulheres solteiras ou as que perderam ou ganharam um companheiro ao longo dos seis a oito anos que o estudo durou.”

Então, por que as mulheres com parceiros estão dormindo melhor, apesar de todas as interrupções que vêm do outro lado da cama? Bom, até agora é só uma hipótese, mas o raciocínio é que dormir ao lado de alguém nos faz sentir seguras, o que tem benefícios tangíveis à saúde: “O sono compartilhado em relacionamentos saudáveis pode diminuir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Dividir uma cama pode também diminuir os níveis de citocinas, envolvidas em inflamações, e aumentar os de ocitocina, conhecida como hormônio do amor, que comprovadamente reduz a ansiedade e é produzida na mesma área do cérebro responsável pelo ciclo de sono-vigília.”

Então, mesmo que possamos estar sendo sempre chutadas e acordadas, nós estamos sentindo o amor, por assim dizer. Dr. Troxel afirma que “os benefícios psicológicos que temos ao ter alguém por perto à noite suplantam os custos objetivos de dormir com um parceiro”.

Teoricamente, os benefícios são os mesmos para os homens, apesar de os custos de dormir acompanhado parecerem ser menores. O mesmo estudo de 2007 que revelou que quando mulheres dormiam com alguém acordavam mais à noite também descobriu que os homens dormem a mesma coisa, estando ou não acompanhados. Aparentemente, de acordo com o pesquisador que liderou o estudo, isso tem a ver com o fato de que “as mulheres são mais sensíveis ao seu entorno”. Grande ajuda, isso.

De qualquer forma, o que você deve fazer se quiser os benefícios de ter um companheiro de colchão mas minimizando os custos? Para começar, adquira um colchão que absorve movimento, para que você não sinta quando seu parceiro virar e revirar durante a noite. Obviamente, algumas pessoas dirão que fazer sexo num colchão desses é péssimo, então você deve decidir quais são as suas prioridades. Você também pode tentar usar cobertores separados para não ter o edredon puxado enquanto dorme. Se seu companheiro tem um horário de sono diferente do seu, tente entrar em acordo com ele, de forma que vocês dois durmam o suficiente mas estejam juntos na cama pelo máximo de tempo possível. Em relação ao ronco, siga as sugestões de sempre para reduzi-lo, mas ele é frequentemente uma realidade inevitável. Nesse caso, só restará se deitar e pensar nos seus níveis de cortisol.

UOL, via Wall Street Journal

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