Vida e Saúde

Dois em cada dez que praticam musculação usam anabolizantes

Atualizado em: 27/09/2012

MUSCULAR MAN. ISOLATED ON WHITE. SHOT IN STUDIO.

Em cada 10 praticantes de musculação de João Pessoa, dois já utilizaram algum tipo de anabolizante no corpo e um usava algum tipo de óleo de aplicação local. Os dados são fruto de uma pesquisa realizada com 510 desportistas de 52 academias de ginástica da Capital, com idades entre 18 e 57 anos. Todos os usuários eram homens, 55% deles residiam na Zona Sul e tinham renda familiar entre um e três salários mínimos. Com a promessa de músculos fortes e uma estética favorável em pouco tempo, muitos acabam deformando o corpo e põem a vida em risco, tendo em vista que algumas dessas substâncias podem provocar uma embolia pulmonar e até a morte, por infecção generalizada.

Um dos que conhece bem essa realidade é o desempregado Robson Alves, 39, morador de Bayeux. Através de um conhecido, foi apresentado, há dois anos, ao óleo mineral, substância bastante usada para limpeza de armas e de peças de automóveis. “Como eu estava desempregado, queria ver se, ficando forte, conseguia algum emprego, como segurança de loja. Os ‘cabras’ mais fortes geralmente conseguem”, lembra. Porém, o que era para ser a solução dos seus problemas acabou virando o pior pesadelo, em menos de quatro meses. “Começou a ficar roxo. Achei, no começo, que ia voltar ao normal, mas foi ficando mais roxo ainda, até ficar preto. Hoje é um nódulo grosso no músculo”, conta ele, que se diz desesperado por viver assim.

O educador físico doutor em Medicina do Esporte, Urival Magno Gomes Ferreira, conta que casos como o de Robson se mostraram comuns durante a pesquisa realizada nas academias de João Pessoa. O estudo, que embasou sua tese de doutorado, revela que 53,6% dos usuários dessas substâncias relataram sentir efeitos colaterais. “Todos os  anabolizantes são perigosos, mas os óleos são uma substância estranha para o corpo e, além disso, são mais imediatos. Quando caem na corrente sanguínea, podem causar embolia pulmonar, arritmia e outros 15 efeitos colaterais, incluindo febres e dores”, diz o pesquisador. No caso de Robson, enfatiza Urival, é primordial que se faça a drenagem e a raspagem do músculo o mais rápido possível.

“É preciso verificar até que ponto o tecido muscular dele está comprometido. Se estiver muito sério, com o músculo necrosado, pode implicar numa amputação dos braços”, lamenta o educador.

Via-crucis

Sem sair de casa nem ter um emprego, por falta de condições físicas e emocionais, Robson Alves conta que já tentou tratamento na Secretaria de Saúde de Bayeux, no Hospital de Trauma da Capital e no Hospital Universitário Lauro Wanderley. “Fiquei três meses indo ao HU para nada. Um médico me mandou para outro. O outro disse que não tinha o que fazer, porque não era especialista. O que mandaram foi tomar antibiótico e remédio para dor. Como vou viver o resto da minha vida assim?”, questionou. A reportagem não conseguiu contato com a Prefeitura de Bayeux e a Secretaria Estadual de Saúde não enviou uma resposta até o fechamento da edição.

Portal Correio

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