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Diferenças no momento profissional podem atrapalhar relação

Atualizado em: 11/09/2012

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A competição é algo inerente à maioria dos ambientes profissionais, para o bem e para o mal: da mesma forma que estimula, pode destruir. O problema é que, para alguns casais, essa disputa costuma sair do escritório e invadir o relacionamento.

De modo sutil ou escancarado, fatores como salário, cargo, prestígio e visibilidade são comparados. Quem está um passo atrás, pode se sentir inferiorizado. E para aquele que está adiante, há o risco de achar que o outro é acomodado. "E se ambos forem ligadíssimos nas suas carreiras, há o perigo de passarem a competir para ver quem tem mais sucesso, quando o ideal é a troca de experiências, o respeito e a admiração", diz a psicóloga Heloisa Schauff.

A diferença entre as trajetórias profissionais de um casal se transforma em motivo de discórdia quando não é devidamente discutida, tanto no planejamento quanto nos problemas que vão surgindo pelo caminho. Segundo a especialista, ocorre estresse também quando um dos dois dedica mais atenção à carreira em detrimento de casa, família, filhos ou parceiro.

O que dá briga

"Um pode ter exigências de viagens constantes e o outro sentir-se sobrecarregado com as demandas de casa e da família. Se não houver uma negociação prévia, surgem cobranças, ataques e até boicotes", conta Heloisa. Outro exemplo é quando um dos cônjuges é transferido para outra cidade ou país. Seu par, então, é obrigado a enfrentar o fato de que nem sempre irá para o novo lugar com uma posição tão boa –às vezes, fará a mudança mesmo sem trabalho, inicialmente.

Para a psicóloga Regiane Machado, a desigualdade da formação educacional de um casal também pode ser motivo de discórdia, mesmo que em longo prazo. "Isso acontece principalmente se houver um clima de grande disputa, inveja e baixa autoestima entre os dois”, diz. Por essas mesmas características, a carreira que tende a evoluir com o passar do tempo costuma gerar um grande incômodo naquele que não está vivenciando a mesma experiência.

Evite a competição

Para não deixar que as diferenças contaminem a relação, ambos precisam tomar determinadas atitudes: o parceiro de maior sucesso pode ajudar o outro motivando-o, sem arrogância. "Ajudar o par a valorizar seus pontos fortes e a trabalhar os fracos é uma boa ideia, além de incentivar o parceiro a traçar metas”, explica Regiane Machado.

Quem se sente inferiorizado precisa aprender a transformar o despeito –e muitas vezes até a inveja– em admiração, se espelhando nas qualidades e nas conquistas do companheiro para percorrer um trajeto igualmente brilhante.

"Quem se sente aborrecido com o sucesso alheio deve aproveitar esse sentimento e rever sua vida profissional. Pode ser que descubra que, intimamente, deseja mudar de área ou de profissão”, afirma a psicóloga. Se você está em dúvida se escolheu a carreira certa, leia mais sobre o assunto aqui.

Na opinião de Heloisa Schauff, saber e querer lidar com as diferenças é o caminho para o entendimento. "Quando existe amor, a aceitação do outro e o respeito ocorrem naturalmente. Não é porque um ganha mais que isso será atirado na cara do outro, com a intenção de diminuí-lo. Não é porque um tem mais destaque que será menos sensível, menos presente, que não se mostrará um bom pai ou uma boa mãe", declara.

Machismo ainda prevalece

De acordo com Sônia Marques, professora do curso de Psicologia da Universidade Metodista de São Paulo, a competição profissional entre os casais surgiu em função dos novos papéis desempenhados pelas mulheres e sua ascensão pessoal, social, profissional e acadêmica.

"A imagem da mãe e dona de casa, que fica sempre cuidando do seu lar, ainda existe com muita força, até mesmo entre os jovens”, explica.

Do mesmo modo, ainda prevalece a imagem do homem como provedor, caçador e com sua masculinidade ligada à capacidade de sustentar a fêmea e a prole.

Assim, a disputa é ainda mais acirrada e complicada se é a parte feminina do casal que ocupa uma melhor colocação profissional.

"Quando uma mulher alcança um nível elevado na hierarquia empresarial ou tem uma remuneração ou status desejados pela maioria, a sensação de estranheza é muito grande e geradora de conflitos”, diz Sônia Marques.

Uol

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