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Dica: Seja elegante também na internet

Atualizado em: 29/04/2013

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Não basta ser educado, fino e elegante sentado à mesa ou numa entrevista de emprego. Se você procura impressionar alguém, que tal pensar nos seus modos também na Internet? Preocupados com o comportamento na rede mundial de computadores, está surgindo um grupo de “gurus da etiqueta virtual”. De blogueiros de bons modos a árbitros autoproclamados do YouTube, alguns profissionais estão buscando trazer para a Internet hábitos da velha escola da etiqueta.

Essa tendência nasceu nos EUA e ficou conhecida como “netiqueta”. Os formatos na rede são muitos, vídeos, web sites especializados, blogs, ebooks, etc. As dicas também são variadas, tutoriais no Youtube dão dicas sobre o uso de emotions (ícones com figuras) para emails de negócios; como ser discreto quando se publica algo no mural do Facebook de outra pessoa; sobre o costume de retuitar mensagens em excesso; como atender a múltiplos chats na rede: e até sobre os limites de fotos de bebês no Instagram.

Para a redatora-chefe do portal americano xoJane, um site sobre estilo de vida feminino, “os jovens estão ficando fartos da ironia, da grosseria e de comentários sarcásticos que predominam na Internet”. Para ela a “etiqueta está voltando e se transformando em resposta a tudo isso”.

Quando Daniel Post Senning, tataraneto de Emily Post, estava trabalhando na 18º edição do Emily Post’s etiquette (A etiqueta de Emily Post), foi impossível falar sobre tecnologia em um só capítulo. Em vez disso ele se dedicou a escrever um livro inteiro, “Emily Post’s manners in a digital world: living well online” (Os bons modos de Emily Post em um mundo digital: viver bem na Internet), que será publicado como ebook em abril deste ano.

A obra aborda situações do cotidiano das pessoas nas redes sociais, como por exemplo, se alguém deveria anunciar uma doença grave no Facebook. Para a autora este caso pode ser comunicado, mas, apenas aos amigos íntimos e familiares.

Charles MacPherson, que dirige uma escoela para mordomos no Canadá, dedicou um livro ao trabalho deste profisional das antigas, “The butler speaks: a guide to proper etiquette, stylish entertaining and the art of good housekeeping” (Fala o mordomo: um guia para a etiqueta adequada, recepções elegantes e a arte da boa administração da casa) – que também será publicado em abril. MacPherson explica sobre a possibilidade de alguém poder ter seu celular sobre a mesa durante um sarau (encontro de intelectuais e artistas), no caso do seu filho de quatro anos enfermo, em casa, com a sua babá. “Não é elegante deixar seu celular sobre a mesa do jantar”, indica MacPherson. “Deixe-o no modo vibratório no bolso ou no colo. Caso ele toque, peça permissão para levantar-se – não de explicações, simplemente haja com um ‘desculpe-me’- e sai do local antes de atender a chamada”. Isso bem que poderia ser levado para o local de trabalho também, não?

Segundo Brett McKay, um dos fundadores do blog sobre estilo de vida masculino, The Art of Manliness, um site popular nos EUA sobre etiquetas extraídas das vidas de George Washington e Theodore Roosevelt, chama a atenção para o resgate de tais comportamentos considerados antiquados. Em um de seus posts McKay diz: “na sociologia existe a ideia de que todas as gerações se rebelam contra seus pais e simpatizam com seus avós”.  Segundo o autor, tais interesses são complementados ou, também buscados, por aqueles jovens que gostam de carros antigos, moda dos anos 60 e discos de vinil.

Nessa linha, Grace Bonney, fundadora do Design Sponge, um blog sobre decoração, diz que muito dos seus posts de sucesso levam títulos como:  “o que pode e o que não se pode fazer nas redes sociais”. Notas neste contexto rendem cinco vezes mais comentários e likes no Facebook do que outros assuntos.

Se este interesse estaria renovando o comportamento de alguns internautas em outros países e norteando um direcionamento mais educado na Internet é uma pergunta que fica no ar, assim como estes próprios canais na rede mundial de computadores. Ao final, acho que o que vale mesmo é a intenção. Se pensarmos em tantos outras personalidades, filmes, artistas e até pessoas comuns, do nosso prórpio convívio, que sabem utilizar inteligentemente e educadamente (quando possível) o sarcasmo e a ironia como aditivo em suas vidas, talvez devêssemos dar de ombros a isso tudo e seguir em frente, tendo como julgamento nossos próprios valores e princípios. “As pessoas boas dormem muito melhor à noite do que as pessoas más. Claro, durante o dia as pessoas más se divertem muito mais” – Woody Allen.

Escrito por  Marcelo Brandão  / Com informações de El Pais.

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