Vida e Saúde

Demora na identificação do enfarte em mulheres pode ser fatal

Atualizado em: 16/07/2012

O enfarte nas mulheres geralmente acontece de sete a dez anos mais tarde do que nos homens, basicamente no período da menopausa. Isto porque, antes desta fase, o sexo feminino é protegido pelo estrogênio – hormônio responsável pela formação do seu corpo, incluindo a textura da pele, fixação do cálcio nos ossos e distribuição da gordura corporal. Além disso, cinco outras combinações bombásticas contribuem para o desencadeamento da doença – até mesmo em idade precoce: tabagismo, uso de anticoncepcional, má alimentação, stress elevado e pouco sono.

“A mulher não é mais suscetível ao enfarte do que os homens, mas o índice de fatalidade é grande porque ainda existe uma dificuldade em se reconhecer, nos primeiros socorros, quando o mal está acontecendo. Os principais sintomas nelas são diferentes em relação ao sexo masculino, causando confusão com outras patologias e gerando uma abordagem terapêutica diferenciada. Todavia, como é mais resistente a dor, ela pode ignorá-la, o que prejudica num diagnóstico mais preciso”, revela Antonio de Pádua Mansur, cardiologista, diretor da Unidade Clínica de Cardiogeriatria e Cardiopatia da Mulher do Instituto do Coração (Incor) de SP.

Uma destas diferenças é a dor irradiada na mandíbula, ombros e costas, mas existem cinco sintomas, que ocorrem simultaneamente durante o enfarte, que identificados imediatamente, mesmo por leigos, podem salvar a vida da mulher, segundo Antonio Sproesser, médico do Hospital Albert Einstein e apresentador do programa E ai, Doutor?, da Rede Record. “São eles: falta de ar, cansaço súbito no final do dia após uma discussão ou atividade física leve, náuseas, vômitos, dor contínua nas costas e pressão na “boca” do estômago”, alerta.
“Já existe uma redução de mortes por conta dessa identificação nos atendimentos em hospitais das regiões sudeste e sul – áreas do Brasil onde ocorre um maior número de casos de enfartes femininos. Contudo, nesses lugares, a doença ainda mata mais do que o câncer, causa campeã de mortalidade entre as mulheres no País e no mundo”, destaca o cardiologista do Incor.

A boa notícia é que, como há uma preocupação maior com a qualidade de vida por meio da busca de uma alimentação saudável, o controle do colesterol, da pressão arterial, diabetes e atividade física regular, existe uma redução nos casos de enfarte, segundo estudo do Incor. “A principal hipótese para essa constatação é que a mulher está se preocupando mais e evitando os principais fatores de risco da doença, além de incluir o cardiologista nos exames preventivos. Os novos hábitos estão reduzindo, inclusive, os casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), outro grande vilão do mundo moderno. Os novos processos de conscientização da importância da prevenção destas patologias, como os programas de televisão destinados à saúde e este site estão sendo muito importantes nos resultados positivos”, finaliza o cardiologista Antonio de Pádua Mansur.

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