Vida e Saúde

Dedicação da mãe aos filhos varia conforme contexto familiar

Atualizado em: 29/10/2012

mother and son touching heads and smiling

Viver em um lar estável, onde as pessoas tratem bem umas às outras pode ser decisivo para um bom relacionamento entre mãe e filho. Este é o resultado de um estudo realizado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apresentado na 21ª Conferência Bienal de Etologia Humana, em Viena (AT). Segundo os cientistas, os cuidados que as mães dedicam aos filhos não são só fruto de instinto materno, e sim modulados por fatores ambientais e sociais, como renda, relação entre membros da família, incidência de doenças, entre outros.

“As pessoas acreditam que cuidado de mãe é algo automático e incondicional, mas na verdade não é isso que encontramos em nossos resultados – e vários pesquisadores têm chegado à mesma conclusão”, diz Tiago Zortéa, mestre em psicologia pela Ufes e um dos autores do estudo.

Na pesquisa, 98 mães da região metropolitana de Vitória (ES), com filhos entre 0 e 9 anos e renda familiar entre R$ 102 e R$ 21.800 por mês, responderam a um questionário que procurava esclarecer o relacionamento entre os membros da família, expectativas de futuro, condições de vida, cuidados diários, atenção com a higiene, disciplina e saúde, entre outros aspectos.

Duas conclusões chamaram a atenção dos pesquisadores: a primeira foi a de que, quanto maior a proximidade entre a mãe e a criança, mais a mãe vai cuidar dela, independente da renda, religiosidade ou se a criança foi planejada. A segunda conclusão foi a de que a expectativa que as mães possuem sobre o futuro também afeta a intensidade do cuidado oferecido.

Neste último caso, constatou-se na amostra que a expectativa é influenciada principalmente pela qualidade de vida familiar. "Quanto mais tumultuada for a família, menos esperançosa a mãe fica com relação ao seu próprio futuro e o da criança. Esta "desesperança" faz com que ela cuide menos de seus filhos”, explica Tiago.

"Apesar dos resultados serem muito interessantes e trazerem à tona a importância do ambiente na construção do vínculo entre mãe e filho, não podemos correr o risco de fazer generalizações", diz Ricardo Monezi, psicobiólogo e pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp. E reforça: "Como o Brasil possui uma diversidade sociocultural muito grande, é possível que as conclusões mudem de acordo com a região analisada ou até mesmo com uma amostra envolvendo mais pessoas".

Mesmo com essas ressalvas, o psicobiólogo concorda com alguns pontos levantados pela pesquisa. “Ambientes propícios ao cuidar, como é o caso de famílias estáveis, desencadeiam o instinto materno. Quando inseridos em um ambiente saudável, a mãe se sente melhor e acredita mais no futuro do filho, o que funciona como um fator de motivação para a dedicação.”

Por outro lado, violência doméstica, pais que brigam na frente dos filhos e outros problemas familiares podem deixar a mãe desmotivada. "Esta falta de perspectiva ou apoio pode fazer com que ela se sinta menos preparada para cuidar dela ou dos filhos", explica.

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