Vida e Saúde

De cada dez mulheres com HIV, uma é prostituta

Atualizado em: 11/06/2013

aids

 Uma em cada dez brasileiras contaminadas por HIV, o vírus causador da Aids, é prostituta. Desde o início da epidemia no País, o grupo apresenta uma alta taxa de prevalência da doença: cerca de oito vezes maior do que entre a população em geral.

Embora seja apenas uma estimativa, os números demonstram as razões da preocupação de especialistas com o impacto da proibição feita na semana passada pelo Ministério da Saúde de campanhas de prevenção com linguagem que vai além do use preservativo.

Prevenção é muito mais do que isso, diz a diretora da Coordenação do Programa Estadual de DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis)/Aids, Maria Clara Gianna. Maria Clara avisa: materiais voltados para população específica, com linguagem própria e procurando ressaltar a autoestima, continuarão. Esse sempre foi o modelo usado no País. Ele é bem-sucedido e não há razões para querer alterá-lo, diz.

Ela afirma que na semana passada comunicado de outros programas locais de prevenção de DST/Aids deverá ser encaminhado ao Ministério da Saúde para defender a estratégia até agora usada. Maria Clara diz ter ficado surpresa com a decisão do ministério de censurar a peça Sou feliz sendo prostituta.

Mensagem

O material foi suspenso pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, três dias depois de ser lançado. Como justificativa, Padilha afirmou que a peça não trazia mensagem de prevenção. Esse não foi o primeiro material produzido com essa abordagem. Não são raras as mobilizações feitas com a participação de grupos específicos, diz a diretora da Coordenação do Programa Estadual de DST/Aids.

O pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) Alexandre Grangeiro diz temer o impacto da reação do ministério. O veto sinaliza para a sociedade que o governo brasileiro está se filiando a uma estratégia contrária ao reconhecimento da prostituição como profissão. Isso acaba jogando o grupo à clandestinidade, o que as torna ainda mais suscetíveis à violência.

Conhecimento

Grangeiro afirma haver um escasso conhecimento sobre a epidemia de aids entre as profissionais do sexo. Ser soropositiva pode representar ficar sem trabalho. Há uma pressão para que elas deixem a atividade nessas condições, diz. O preconceito afasta as prostitutas dos centros de saúde. O maior desejo delas é serem reconhecidas. A estimativa é de que a prevalência de aids entre prostitutas seja de 6%. Na população em geral é de 0,56%. Desde o início da epidemia, o grupo mostrou-se vulnerável. Algo que nunca caiu e que apresenta agora tendência de agravamento, diz. Os números poderiam ser maiores. Os indicadores mostram ser necessário um reforço maior do que já vem sendo feito.

Estadão

Vida e Saúde