Vida e Saúde

Crianças ficam estressadas?

Atualizado em: 24/02/2014

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O estresse pode se manifestar em todas as pessoas de todas as idades, até mesmo em bebês que ainda estão no útero materno. Isso mesmo. É uma reação normal do organismo a uma situação de privação, de ter que redobrar a atenção, de tensão, desafio, provocação, necessidade de luta, de enfrentamento ou decisão de fugir. Todos nós passamos por isso em frequentes momentos da vida. Há, porém, diferentes graus e variadas formas com as quais o estresse pode se apresentar ou manifestar.

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Vamos entender como um bebê no útero pode reagir ao estresse. Se por alguma razão – hipertensão arterial materna, por exemplo- o suprimento normal de oxigênio ou de nutrientes da mãe gestante para o feto diminuir bruscamente, o bebê entra em estresse. Resultado: não cresce adequadamente e pode nascer com baixo peso, comprometendo seu desenvolvimento. O baixo peso ao nascimento pode, portanto, ser uma forma de manifestação do estresse intrauterino por que o nenê passou.

Depois do nascimento, em qualquer idade, quando somos submetidos a qualquer situação que gere estresse, o organismo produz hormônios como adrenalina e cortisol, principalmente, que nos preparam para uma tomada de decisão ou uma ação. O coração bate mais rapidamente, a respiração fica mais acelerada, as pupilas dilatam e os vasos sanguíneos nos músculos ficam irrigados deixando-nos prontos para uma atitude.

Entenda três tipos de estresse: verde, amarelo e vermelho.
Pesquisadores do Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard apontam que o estresse infantil pode ser classificado como as luzes de um semáforo: verde, amarelo e vermelho. Vamos entender.

– Estresse “Verde”
Se o bebê tem fome ou se está incomodado com as fraldas molhadas, o que ele faz? Chora bem alto. Essa é a resposta que bebês conseguem dar ao que lhe produz estresse. A atitude do choro provoca reações nos seus cuidadores no sentido de aplacarem o que causou o estresse. Uma vez amamentado e trocado, a adrenalina diminui, os batimentos cardíacos e a respiração retornam ao normal e o bebê pode dormir sossegado.
Se um escolar tem um exame difícil pela frente, que vai determinar sua aprovação ou reprovação de ano, o que sente? Preocupação e estresse. Da mesma maneira, o organismo libera os hormônios que o obrigam a uma atitude positiva. No caso da prova, a estudar.

Estes dois exemplos caracterizam o que podemos chamar de estresse “verde”. É um estresse “positivo” que impulsiona uma reação que promove crescimento ou desenvolvimento. O bebê teve suas necessidades atendidas, foi nutrido e trocado e o escolar passou de ano. Tudo certo.

– Estresse “amarelo”
Nasceu o irmão de uma criança de 2 anos, filha e neta única e até então centro da atenção da família. Como reação ao estresse que este acontecimento causou, a menina passa, por exemplo, a puxar seus próprios cabelos ou a ter crises incansáveis de birra ou, ainda, parar de comer e visivelmente perder peso.
Outro exemplo: morre o avô ou avó com quem uma criança de 5 anos tinha uma forte ligação emocional. Os pais observam que o filho está mais agressivo com os amigos, procurando passar mais tempo sozinho, deixando de executar as atividades que anteriormente fazia, como práticas esportivas ou brincadeiras em grupo.

Estes são dois exemplos de um estresse tolerável, que geralmente tem uma causa definida e que pode gerar uma reação mais duradoura de desconforto e mal estar na criança, traduzidas por alterações no comportamento ou manifestações de agressividade. Este é o que podemos caracterizar como estresse “amarelo” e que exige dos cuidadores uma atitude no sentido de ajudar a criança a entender e passar por um momento pontual com o menor grau de sofrimento possível. Na maior parte das vezes, nestes casos a ajuda profissional é necessária.

– Estresse “vermelho”
Também chamado de estresse tóxico. É a mais grave de todas as formas, pois, segundo pesquisas na área da neurociência, este tipo de estresse pode determinar alterações nas conexões das sinapses cerebrais, com consequências e sequelas significativas para o desenvolvimento e futuro da criança. Exemplos desta situação são crianças negligenciadas, sem vínculo afetivo com os cuidadores ou que convivem com situações de conflito constante em casa como, por exemplo, alcoolismo ou drogadição.

O estresse bom é importante pois nos impulsiona para frente. Bebês devem chorar para serem atendidos. Os circuitos cerebrais respondem positivamente ao estímulo dos hormônios liberados nesta situação.

Crianças precisam passar por desafios e etapas difíceis para se desenvolver saudavelmente. Porém, devemos ficar atentos quando o “farol” avança para o amarelo ou principalmente quando avança para o vermelho.

Entender a linguagem com que as crianças exprimem e manifestam o seu grau de estresse é fundamental para um futuro calmo e mais tranquilo para todos.
Fonte:G1

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