Vida e Saúde

Consórcios para cirurgias plásticas dividem opiniões de médicos

Atualizado em: 14/12/2012

pl%C3%A1stica_3

Os consórcios para cirurgias plásticas estão em alta no mercado. Mas essa modalidade de crédito não é consenso entre os médicos.

Aos 45 anos, uma mudança em prestações. Mônica fez uma cirurgia de redução de mama, e pagou por meio de um consórcio. Foram 36 meses de R$ 225. “Mulher nunca está contente com nada, principalmente com o corpo”, brinca a comerciante.

A comerciante gostou tanto do resultado que já assumiu um novo carnê. Vai pagar 36 parcelas de R$ 300 para fazer o serviço completo. “Lipoescultura dos pés à cabeça. Uma geral”.

Uma lei federal de 2008 autoriza os consórcios a vender cartas de crédito para cirurgias plásticas, estéticas ou reparadoras. É um negócio em expansão no país. Em algumas administradoras, as cirurgias já representam 60% das vendas dentro da categoria ‘serviços’.

“Depois de contemplado ele vai procurar o médico que faz a cirurgia e ele recebe diretamente da gente”, explica Ivan Sérgio Martins, gerente de consórcio.

Mas é preciso ficar atento. Segundo uma resolução do Conselho Federal de Medicina, os médicos são proibidos de atender os pacientes encaminhados por uma empresa de consórcio. E, pelo Código de Ética Médica, o cirurgião também não pode ter nenhum vínculo com as administradoras.

“Se não atrapalhar a liberdade de escolha do consumidor, não há problema nenhum, está totalmente legal a situação”, afirma Flávio Caetano de Paula, especialista em direito do consumidor.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica também não vê problema em usar consórcios para pagar os procedimentos: “Você pega o dinheiro, escolhe seu médico, não vemos problema algum nesse caso. Porque você tem a chance de escolher o médico que você quer”, afirma José Horácio Aboudib, presidente da sociedade.

Mas outras entidades de classe que representam médicos não recomendam o uso de consórcio para pagar cirurgias plásticas. Para o Conselho Regional de Medicina do Paraná, cirurgia não é um bem de consumo e não pode ser confundida com outro produto.

“Você quer adquirir um carro da marca tal, da cor tal, você tem as especificações e você quer o resultado final daquele produto. Na medicina, as coisas não funcionam assim. Nós não estimulamos esse tipo de prática e entendemos que não deveríamos ter essa modalidade de pagamento”, afirma Alexandre Bley, presidente do conselho.

O paciente que perceber algum tipo de vínculo entre médico e a operadora de consórcio deve denunciar ao Conselho Regional de Medicina do seu estado. Se comprovado o problema, o médico pode até ter o diploma cassado.

G1

Vida e Saúde