Vida e Saúde

Como motivar alguém a se exercitar

Atualizado em: 12/09/2012

Comfortable seats

O que seria necessário para convencê-lo a se exercitar?

O desejo de perder peso ou melhorar a aparência? Evitar doenças cardíacas, câncer ou diabetes? Abaixar a pressão sanguínea ou o colesterol? Proteger os ossos? Viver de forma saudável até uma idade avançada?

Seria de se pensar que qualquer um desses motivos bastaria para levar os norte-americanos a se exercitarem, mas os resultados dos estudos mostram outra coisa. Aparentemente, os especialistas em saúde pública, médicos e as pessoas dedicadas ao exercício na mídia – como eu – estão usando táticas ineficientes para motivar os sedentários a se tornarem e permanecerem fisicamente ativos.

Há décadas as pessoas são bombardeadas com mensagens segundo as quais o exercício regular é necessário para perder peso, prevenir doenças graves e estimular o envelhecimento saudável. E, sim, uma grande maioria de norte-americanos – dois terços dois quais estão com sobrepeso ou são obesos – ainda não conseguiu engolir a "pílula do exercício".

Agora, a pesquisa levada a cabo por psicólogos sugere fortemente que está na hora de parar de pensar na saúde futura, perda de peso e imagem corporal como motivadores. Em vez disso, os especialistas recomendam a estratégia que os marqueteiros utilizaram para vender produtos: descrever a atividade física como forma de aprimorar o bem-estar e a felicidade atuais. Michelle L. Segar, pesquisadora do Instituto para Pesquisa sobre Mulheres e Gênero da Universidade de Michigan, durante entrevista disse:

— Nós precisamos tornar o exercício relevante na vida diária das pessoas. A agenda de todo mundo está entulhada com afazeres sem-fim. Somente podemos acrescentar o que for essencial."

Reformulando a mensagem

Segar faz parte do grupo que acredita que as pessoas não irão se dedicar ao exercício se virem seus benefícios como distantes ou teóricos.

— Ele deve ser apresentado como um comportamento atraente que pode nos beneficiar agora. Quem diz se exercitar pelos benefícios à vida cotidiana se exercita mais ao longo do ano do que quem diz valorizar o exercício pelos benefícios à saúde.

Baseada em estudos sobre o que motiva as pessoas a adotar e manter a atividade física, Segar pede aos especialistas que parem de definir o exercício moderado como uma receita médica a qual exige 150 minutos de atividade aeróbica por semana. Em vez disso, as autoridades da saúde pública devem começar a enfocar "os aspectos emocionais pelos quais é essencial adequá-lo a suas vidas frenéticas".

— Recompensas imediatas são mais motivadoras do que as distantes. Sentir-se feliz e menos estressado é mais motivador do que não ter doença cardíaca ou câncer, talvez, algum dia no futuro.

Num estudo com 252 trabalhadores de escritório, David K. Ingledew e David Markland, psicólogos da Universidade do País de Gales, constataram que enquanto muitos começam a se exercitar como forma de perder peso e melhorar a aparência, tais motivações não os mantêm se exercitando a longo prazo. De acordo com a conclusão dos pesquisadores, "os benefícios do bem-estar e prazer do exercício deveriam ser enfatizados".

Outros estudos mostraram que o que faz as pessoas levantarem da cadeira e continuarem se mexendo depende da idade, gênero, circunstâncias da vida e até mesmo da etnia. Para universitários, por exemplo, a atratividade física geralmente leva a uma lista de motivos para começar a se exercitar, embora o que os faz continuar pareça ser o alívio do estresse proporcionado por um programa de exercícios regulares. Já os idosos, por sua vez, podem começar em função de preocupações de saúde.

Num estudo recente com 1.690 homens e mulheres de meia-idade com sobrepeso ou obesos, Segar descobriu que melhorar o bem-estar diário era o fator mais influente para as mulheres da pesquisa. Os homens indicavam estar mais motivados por benefícios de saúde mais distantes, embora Segar suspeite que seja assim porque os homens se sentem menos à vontade para discutir as necessidades de sua saúde mental.

Valor além da perda de peso

Muitas pessoas começam a se exercitar porque desejam perder peso, mas muitas largam a ginástica quando os quilos não caem. Estudos seguidos constataram que, sem grandes mudanças nos hábitos alimentares, aumentar a atividade física só ajuda até certo ponto na perda de peso.

Por exemplo, pesquisadores de Brisbane, Austrália, e Leeds, Inglaterra, estudaram 58 homens e mulheres sedentários com sobrepeso ou obesos que participaram de um programa de exercícios aeróbicos monitorados de perto. A perda de peso foi mínima, porém as cinturas dos participantes encolheram, a pressão e a frequência cardíaca em repouso diminuíram, e a capacidade aeróbica e o humor melhoraram.

O importante é como essas atividades me fazem sentir: mais energizada, menos estressada, mais produtiva, mais envolvida e, sim, mais contente – mais capaz de ter um tempo para cheirar as rosas e lidar com as frustrações inevitáveis da vida cotidiana.

R7

Vida e Saúde