Vida e Saúde

Cloreto de Magnésio: Ele cumpre mesmo o que promete?

Atualizado em: 25/12/2012

cloreto

Ao jogar em sites de busca o termo “cloreto de magnésio”, abre-se um mar de possibilidades terapêuticas. É possível encontrar promessas de melhora para doenças como artrose, hipertensão, diabetes… Males modernos que podem ser resolvidos com um simples pozinho, à venda on-line ou em farmácias e sem mesmo precisar de receita médica. Mas se houvesse um remédio tão eficiente assim, ele não deveria ser notícia de capa de todos os jornais?

O cloreto é, na verdade, uma das formas de se suplementar o mineral no corpo. “Existem vários outros sais de magnésio, como o sulfato, glutamato, citrato etc. Mas a presença do cloro estimularia melhor a absorção”, ensina o médico nutrólogo Milton Mizumoto, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran-SP). Outra vantagem está no preço e acessibilidade desse item. Para a nutricionista funcional e clínica Daniela Jobst (SP) este composto é uma forma barata e eficaz de se ingerir o magnésio e beneficiar a saúde.

Informações genéticas corretas

Tudo isso porque esse elemento químico é multiuso dentro de nosso organismo. Ao todo, estima-se que ele participa de 300 reações bioquímicas dentro de nós. “Ele ajuda a manter a massa muscular normal e função dos nervos, mantém regular o ritmo cardíaco, suporta um sistema imunológico saudável, e mantém os ossos fortes”, resume a nutricionista Cláudia Talan Marin, especialista em nutrigenômica e câncer e em emagrecimento e metabolismo no esporte (SP).

Entre as suas funções, está por exemplo a síntese do nosso material genético, o DNA e RNA que determinam a produção de proteínas no nosso corpo. Ao participar desse processo, ele também garante que as informações genéticas sejam passadas corretamente na divisão e multiplicação das células. “Ele ainda ajuda na deposição de cálcio nos ossos, mas também compete com o cálcio em vários sítios, contribuindo em especial para as células musculares e do sistema nervoso”, ensina Alex Botsaris, clínico geral e estudioso sobre plantas medicinais (SP). Uma das provas de sua influência no sistema locomotor está na aplicação do sulfato de magnésio como hipotensor e relaxante muscular na pré-eclampsia.

Reservas em falta

Normalmente tudo que conseguimos desse mineral vem da alimentação. “O encontramos em frutas como abacate e banana; verduras, como espinafre, couve e quiabo; grãos tais quais cevada, granola, arroz integral, farelo de milho, cevada, gérmen de trigo, aveia em grãos inteiros; sementes, entre elas nozes, de abóbora e gergelim; e itens como leite, melaço, mandioca, camarão, lentilhas…” lista a nutricionista Nicole Trevisan, da ADJ Diabetes Brasil (SP). As quantidades recomendadas de ingestão do nutriente aumentam ao longo da vida. Dos seis meses até os 13 anos de idade, ela vai aumentando gradativamente de 30 para 240 mg por dia. Na adolescência começam as diferenças de gênero: 360 mg diários para as mulheres e 410 para os homens, de acordo com o Institute of Medicine/Food and Nutrition Board. Para algumas pessoas, porém, ele pode estar em falta.

“É relativamente difícil conhecer a quantidade de magnésio do organismo humano. Os testes comuns de sangue não mostram a distribuição e a concentração real e muitos erroneamente acreditam que os níveis orgânicos de magnésio são sempre satisfatórios”, explica a farmacêutica Anelise Taleb, consultora técnica da Tave Manipulação (SP). E quando a queda acontece, o corpo manifesta a carência em diversos sintomas: fechamento na garganta, bloqueio da respiração, tremores, cefaleia, vertigem, fadigas matinais, insônia, câimbras, como lista Mizumoto. Além disso, alguns especialistas apontam que diabéticos e hipertensos têm menor quantidade desse mineral.

Suplementar ou não?

Mas, é preciso lembrar que o magnésio não é, sozinho, a resolução de todos os problemas de saúde. “Muitas vezes um mesmo grupo de sintomas, idênticos na superfície, tem origens que variam de pessoa para pessoa, além das diferenças no sistema imunológico de cada um. Cada doença é algo singular que acontece por razões únicas”, explica o clínico geral Eduardo Finger, chefe do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Salomão Zoppi Diagnósticos.

Portanto, muitas vezes a razão de alguns desses problemas não é a ausência do mineral. Logo, aumentar sua ingestão não trará melhoras. Aliás, se a suplementação for feita por conta própria, pode trazer problemas. Afinal, os minerais do nosso corpo regulam uns aos outros. “Você pode desequilibrar minerais antagonistas. Todo excesso pode gerar problemas sérios”, alerta a nutricionista Daniela.

Efeito placebo

Finger também chama a atenção para a procedência do suplemento ingerido: “não há uma fiscalização para suplementos, por isso são perigosos se não soubermos onde foi feito e o que foi misturado”, explica o médico. Ele destaca que muitas vezes a melhora de algumas pessoas também pode se dever mais ao efeito placebo do que uma eficácia do remédio.

Por isso mesmo, se você está pensando em se beneficiar dos ditos feitos do cloreto de magnésio, por que não consultar seu médico? Um nutricionista ou nutrólogo são os especialistas perfeitos para verificar se o magnésio está mesmo em falta no seu corpo e lhe ajudar a localizar o que pode estar causando problemas no organismo.

A LISTA DE PROMESSAS DO MINERAL

Não garantimos que o cloreto de magnésio cure alguma doença. Mas seus defensores têm alguns argumentos técnicos para se sustentar. Veja quais promessas sobre esse sal têm embasamento científico:

Previne doenças em diabéticos
Diabéticos têm deficiência desse mineral, pois ele é eliminado na urina dos pacientes. Ele está ligado à insulina e participa de sua produção e excreção pelas células do fígado. Estudo de Harvard (EUA) mostrou que quem tinha uma dieta rica em magnésio teve redução de 34% nas chances de contrair o tipo 2 da doença. “A deficiência tem sido associada com complicações diabéticas crônicas como retinopatia (doença ocular), nefropatia (doença renal), neuropatia (doença dos nervos) e ulcerações do pé”, fala a nutricionista Cláudia.

ATIVA AS AÇÕES CEREBRAIS
Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (EUA) verificaram que o magnésio se relaciona a um receptor chave para funções como o aprendizado e a memória, pois cuida da capacidade do órgão fazer novas sinapses e reter informações. Além disso, de acordo com a nutricionista Daniela, ele é um cofator na produção de neurotransmissores. Sua falta faz que haja maior liberação dessas substâncias, e o cérebro tende a trabalhar mais nas respostas. “Mas antes de tomá-lo, consulte um médico”, fala o médico Mizumoto.

Um alívio para a má digestão
O cloreto de magnésio também ajuda na digestão, principalmente de pessoas com deficiências de ácido clorídrico, que atua na quebra de alguns nutrientes no estômago. Nesse caso, seria o cloro o herói da história, mas há controvérsias. “Como a ingestão dietética diária de cloreto é 2,3 gramas por dia, pois ele está contido no sal de cozinha (NaCl), não acredito que o cloreto vindo do outro sal faça diferença”, ressalta Mizumoto. Ainda assim, o magnésio também pode ajudar. De acordo com Daniela, ele colabora na produção de diversas enzimas digestivas.

ARTICULAÇÕES EM DIA
Os defensores do cloreto listam artrite, artrose e tendinite entre os males erradicados pelo remédio. Para o nutrólogo Milton Mizumoto, a falta desse mineral faz que os músculos fiquem mais tensos: “aumentando a força de atrito e o desgaste das cartilagens articulares”. Ele evita o depósito de cálcio nos tecidos das juntas, mecanismo que causa a osteoartrite, e age como um anti-inflamatório, e ainda faz parte dos eletrólitos que beneficiam o funcionamento dos músculos, cujos sinais de sua falta são câimbras e também fraqueza muscular.

Coloca o coração no ritmo certo
Uma das causas da pressão alta está na resistência dos vasos sanguíneos, que exigem que o sangue circule com mais força . Nesse ponto a ingestão correta de magnésio pode ajudar, já que o mineral auxilia a vasodilatação. Existem outros benefícios também para o coração: um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition mostrou, inclusive, que mulheres após a menopausa com baixo consumo de magnésio apresentavam aumento de anormalidades no ritmo cardíaco. Mas isso não significa que seja sempre preciso complementar além da alimentação. “A suplementação pode ser feita quando os níveis estiverem abaixo do recomendado”, enfatiza a nutricionista Nicole Trevisan.

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