Vida e Saúde

Cirurgia plástica estética: Brasil é o líder mundial

Atualizado em: 04/03/2013

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O Brasil é o país das cirurgias plásticas estéticas. A afirmação foi extraída de dados que comprovam a grande adesão de brasileiros por procedimentos cirúrgicos-estéticos. Com o objetivo de cada vez mais aperfeiçoar a aparência, muitos brasileiros tem trocado os exercícios físicos por métodos um pouco mais ‘velozes’ do que aqueles provenientes de academias.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), 28 mil mulheres aderiram à correção das orelhas de abano, 22 mil colocaram próteses de glúteo e 9 mil se submeteram às cirurgias íntimas, o que faz o Brasil predominar mundialmente no ranking das cirurgias plásticas para embelezar o corpo. Ainda conforme a pesquisa, estima-se que mundialmente a gluteoplastia (cirurgia de bumbum) tenha aumentado em 367% nos últimos quatro anos.

“Hoje, todos tem o sonho de corrigir alguns defeitinhos que incomodam no corpo, que não são solucionados apenas com dieta, tratamentos estéticos ou academia, mas necessita de um procedimento cirúrgico”, explicou o diretor do Centro Nacional de Cirurgia Plástica, Arnaldo Korn. A pesquisa também indicou que os números do Brasil são superiores até que os dos Estados Unidos, onde 5,9 mil pessoas colocaram próteses de glúteo, 2,4 mil fizeram cirurgia íntima e 7,8 mil corrigiram as tais ‘orelhas de abano’.

No Brasil, a cirurgia plástica mais praticada entre as pessoas é a lipoaspiração. Ainda conforme dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a ocorrência da lipoaspiração aumentos 129% entre 2007 e 2011. Atrás delas, cresceu também a procura pelo aumento dos seios, abdominoplastia e blefaroplastia, que consiste em retirar o excesso de pele nas pálpebras. “O que sempre importa é o bem estar físico, social e mental. E para muitas pessoas não adianta ter um organismo sadio se ela não se sentir bem consigo mesma. É aí que entra a estética.”, avaliou o médico.

Do ponto de vista psicológico: cultura é capaz de justificar culto à aparência

De acordo com a psicóloga e especialista em Psicologia Clínica Narcilene Barbosa, existem psicopatologias ligadas à preocupação excessiva com a beleza, o que justifica o aumento da preferência por cirurgias plásticas. “O que se observa é que o padrão de beleza vai mudando ao longo dos anos e em razão da sociedade em que se está inserido, ou seja, o conceito de beleza nunca foi algo estático. Hoje esse padrão é influenciado pela mídia, cada vez mais presente no cotidiano das pessoas e atualmente, as relações entre as pessoas estão cada vez mais efêmeras, sendo a aparência, a impressão física, um importante elemento de julgamento nas interações sociais”, ponderou.

Conforme a especialista, o comportamento se estrutura no que é considerado mais belo ou menos belo. Assim, a beleza passa a ser um valor social que pode possibilitar sucessos ou fracassos, tanto nas relações interpessoais quanto na vida profissional. “Tudo isso gera uma pressão externa no sujeito que acaba, algumas vezes, sendo engolido por essas variáveis, o que acaba mobilizando o indivíduo em sua percepção de si e, concomitantemente, na sua autoestima. Aí esta declarada a guerra contra a natureza que criou rugas, celulite, gordurinhas inconvenientes, etc. Assim, na corrida exagerada pelo corpo perfeito, o indivíduo acaba praticando exageros e se torna refém de métodos rápidos que possam dar a ele o tão desejado padrão de beleza”, afirmou.

A territorialidade e a cultura são fatores determinantes no que concerne à justificação do culto ao corpo, segundo Barbosa. “No mundo ocidental a valorização do corpo é grande, a pressão para ser magro e também tem a questão do Brasil ser um país tropical, onde o calor proporciona uma maior visibilidade para o corpo, e é natural que as pessoas gostem de se ver e serem vistas em boa forma”, ressaltou Narcilene.

A psicóloga assinalou que não existe nada que determine as cirurgias plásticas para fins estéticos como algo negativo. Mas lembrou que é importante ter muito cuidado com os exageros. “Tudo que é demais, que foge ao equilíbrio, ao bom senso, e leva o sujeito a se transformar, a olhos vistos, em outra pessoa, é preocupante. Agora mesmo nos desfiles das escolas de samba fomos bombardeados por corpos ‘sarados’, ao ponto das curvas femininas serem substituídas por músculos exagerados e uma chuva de silicone, no contraponto, parabéns à Sabrina Sato que nos brindou com uma belíssima plástica (com ou sem cirurgia plástica estética), mas sem perder sua originalidade. Penso que tudo que possui harmonia, tanto nas formas como nas proporções, agrada aos nossos olhos”, advertiu ela.

Segundo Narcilene, vaidade, autoestima e autovalorização são alguns dos sentimentos que estão ligados à busca por alterações físicas, e a cirurgia plástica é capaz de reparar dores por danos psíquicos, como frustrações, rejeições e insatisfações (incluindo também as cirurgias plásticas reparadoras).

“No entanto, o ‘estar bem consigo mesmo’ é algo que necessita ser avaliado e alimentado diariamente, pois transcende aos acontecimentos cotidianos e às transformações ditadas pelo tempo. Equilibrar beleza, vaidade e saúde (mental e física) é importantíssimo nessa busca, mas, lançar mão de cirurgia plástica estética, malhação e outras formas saudáveis de esculpir o corpo, pode ser um meio para ‘estar bem consigo mesmo’ mas não o fim, uma vez que o sujeito é constituído biopsicossocial e espiritual. Bom senso, ponderação, parcimônia são pontos que levam ao equilíbrio seja ele nos exercícios físicos, na busca de um corpo bem delineado ou em outros aspectos do viver”, finalizou a psicóloga.

A Crítica

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