Vida e Saúde

Chocolate amargo: o queridinho dos nutricionistas

Atualizado em: 16/07/2012

Você adora chocolate? Só os muito estranhos não amam essa iguaria, e essa é uma boa notícia para a humanidade, pelo menos se a paixão for dedicada às versões amargas. O coração agradece. Pesquisadores da Universidade de San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos, avaliaram 31 voluntários que tinham a dura tarefa de comer 50 gramas de chocolate todos os dias, durante 15 dias. Parte deles consumiu chocolate amargo (com 70% de cacau em sua composição), parte o que chamam de baking chocolate (uma variedade que usa apenas o liquor, obtido pelo refino da massa de cacau), e um terço chocolate branco, que tem 0% de cacau. A pressão sanguínea e a quantidade de lipídeos e glucose no sangue de todos eles foram medidas no começo e no final do experimento. Os grupos que consumiram tanto o chocolate amargo quanto o baking chocolate apresentaram uma queda nos níveis de glucose e do colesterol LDL (conhecido também como “mau colesterol”) e um aumento no colesterol HDL (o “bom colesterol”) enquanto no caso dos consumidores de chocolate branco não houve alteração. Ponto para o chocolate amargo.

Essa pesquisa, divulgada em abril de 2012, faz coro com várias outras que decantam as propriedades terapêuticas do doce. “O consumo ajuda na redução da formação de placas de gordura, no controle da pressão arterial e melhora o fluxo sanguíneo”, diz a nutricionista Camila Ragne Torreglosa, do setor de nutrição preventiva do Hospital do Coração (SP). “Mas esse benefício só é obtido se o chocolate tiver acima de 70% de cacau e for consumido dentro de uma alimentação equilibrada. Ou seja, não adianta nada comer chocolate amargo no meio de uma dieta que, basicamente, é rica em gordura saturada, trans, açúcar e um monte de produtos industrializados”, completa a especialista.

De olho nas embalagens – O que observar na hora de comprar um chocolate:

? Prefira as versões que têm entre 50% e 80% de cacau.
? Se escolher os que têm confeitos, lembre-se que eles aumentam as calorias sem acrescentar valor nutricional.
? Os que levam castanhas são ótimos tanto do ponto de vista nutricional quanto de proteção do coração. “As castanhas são fonte de gorduras boas”, explica a nutricionista Roseli.
? Dê preferência aos chocolates vendidos em porções individuais, pois assim fica mais fácil controlar a quantidade consumida.
? Fique de olho no rótulo para verificar a presença de gordura trans ou gordura hidrogenada. Se esses ingredientes estiverem presentes, perca mais tempo para escolher outro tipo.

Mais do que antioxidante

A maior parte dos benefícios trazidos pelo chocolate vem dos flavonoides (chamados catequinas e proantocianidinas), que são antioxidantes naturais. Mas o alimento também é uma fonte importante de potássio e magnésio, minerais envolvidos principalmente na força muscular. Quanto mais processado for o chocolate, menor a quantidade de substâncias ativas que fazem bem ao organismo. “O chocolate ao leite contém cerca de quatro vezes menos flavonoides do que o amargo”, explica a nutróloga Melanie Rodacki, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Por outro lado, por conter leite, é fonte de cálcio”, completa Melanie. O mineral é importante para os ossos, apesar de não ter papel na proteção do coração. O chocolate branco é uma boa fonte de cálcio mas, não se engane, pois esse tipo não apresenta nada de cacau em sua receita.

Não se deve esquecer que, embora saudável, o chocolate é extremamente calórico. Na média, são 120 calorias em cada porção de 25 gramas. Por isso, não é para empanturrar-se. “Cerca de 40 gramas três vezes por semana são mais do que suficientes para obter todos esses benefícios sem comprometer a silhueta”, diz o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Para evitar o estresse

Não é apenas o coração que se beneficia pelo chocolate. Ele é uma boa arma contra o estresse e a ansiedade. Se você é mulher, já percebeu como aumenta sua vontade de dar uma dentada em uma suculenta barra quando está com TPM? Os efeitos curativos contra os males da alma vêm sendo confirmados pela ciência. Um estudo realizado no ano passado e publicado no Jornal de Pesquisa do Proteoma, dos Estados Unidos, confirmou que cerca de 40 gramas de chocolate amargo por dia, durante duas semanas, reduziram os níveis do hormônio do estresse na circulação sanguínea. É a prova de que o consumo regular modifica mesmo o metabolismo.

Apesar de todos os benefícios até mesmo gastronômicos seu paladar não agrada a todos. Como é a versão amarga que traz tantas vantagens, o sabor pode ser um impedimento para seu consumo. “Uma dica para começar a consumir esse tipo de chocolate é introduzir chocolates com um teor ligeiramente maior de cacau e ir aumentando aos poucos, para habituar o paladar”, aconselha a nutricionista Roseli Rossi, da Clínica Nutricional Equilíbrio (SP). Além disso, o chocolate amargo pode também ser usado em receitas associadas com frutas como, por exemplo, em um creme de abacate ou morango com calda de chocolate. Outra opção possível é consumi-lo com sementes. Caso ainda não tenha se rendido a ele, é certo que em pouco tempo você vai se apaixonar pelo amarguinho.

Você sabe do que é feita essa delícia?

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que, entre outras coisas, regula os alimentos industrializados, chocolate é um produto que contém, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau. As matérias-primas básicas para a sua produção são o liquor (obtido pelo refino da massa de cacau), a manteiga de cacau e o açúcar, podendo-se ou não adicionar lecitina de soja, aromatizantes, leite (em pó integral/desnatado) e outros. A partir dessa definição, conheça os tipos disponíveis no mercado:

MEIO AMARGO:
Tem as mesmas características do amargo, com uma taxa de cacau entre 40% e 50%.

DE SOJA:
Pode conter uma variada quantidade de cacau. É 100% vegetal, feito com extrato de soja, sem lactose, glúten e colesterol. Indicado para quem tem intolerância à lactose.

BRANCO:
Mistura de leite, açúcar, manteiga de cacau e lecitina. Tem zero de semente de cacau e, portanto, zero de flavonoides.

AMARGO:
É composto principalmente por sementes de cacau e pouca quantidade de manteiga, açúcar e leite. Em contrapartida, traz uma taxa alta de flavonoides, antioxidantes naturais. O teor de cacau fica em torno de 50% a 70%.

DIETÉTICO:
Pode conter uma variada quantidade de cacau, mas há uma redução na quantidade de açúcar. Não é, necessariamente, menos calórico, já que pode conter um teor maior de gorduras.

AO LEITE:
Composto por liquor e manteiga de cacau, açúcar, leite, leite em pó ou leite condensado. Como a quantidade de cacau é menor – abaixo de 40% -, não traz vantagens para o coração, mas tem cálcio em sua composição.

Fonte: Revista Viva Saúde

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