Vida e Saúde

Câncer de mama: “Radiação pesada” no lugar da cirurgia

Atualizado em: 28/06/2013

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 Para evitar a realização de cirurgias, um centro médico do Japão começou a fazer testes clínicos de irradiação de "partículas pesadas" no tratamento do câncer de mama, método que até agora só era utilizado para tratar outros tipos de tumor, explica a médica Kumiko Karasawa, diretora de tratamentos do Instituto Nacional de Ciências Radiológicas do Japão (NIRS, sigla em inglês), em Tóquio.

— Antes de tudo, muitas mulheres não querem submeter seus seios a operações para a retirada de tumores.

Normalmente, os tratamentos para o câncer de mama são feitos através de uma "combinação" entre um período de radioterapia convencional e/ou quimioterapia, seguido de uma cirurgia. Mas, há duas semanas, o centro japonês realizou o primeiro teste clínico da história com raios de íons de carbono para tratar uma paciente com câncer de mama.

A mulher se submeteu ao que deverá se tornar o procedimento padrão para a doença: quatro sessões de radioterapia de partículas pesadas durante quatro dias consecutivos. A instituição responsável acompanhará, durante cinco anos, a evolução de qualquer paciente que se submeta ao tratamento experimental, assim como tem feito com a mulher que já recebeu o novo tipo de radioterapia, afirmou a diretora do NIRS, Kumiko Karasawa.

Para realizar o teste, o NIRS utilizou seu acelerador hospitalar de íons pesados (HIMAC, em inglês), que foi a primeira máquina deste tipo fabricada no mundo, em 1994. No total, mais de 7.300 pacientes do mundo todo se submeteram desde então a radioterapias com o HIMAC para tratar diferentes tipos de tumores. A vantagem deste tipo de tratamento é a baixa agressividade da radiação quando atinge a superfície do corpo. No entanto, ao chegar ao tumor, ela ganha intensidade e age de uma maneira muito mais precisa e localizada, ao contrário de outros tipos de radioterapia, que causam mais danos aos tecidos adjacentes.

Para receber esse tipo de tratamento, o paciente deve permanecer recostado até que o feixe radioativo seja calibrado com total precisão antes de ser aplicado durante um ou dois minutos. Ele é muito comum no combate ao câncer nos ossos, pulmões, fígado, cérebro, pescoço e próstata.

Para se submeter a estes testes clínicos no NIRS as mulheres devem ser maiores de 60 anos (uma idade na qual um processo cirúrgico apresenta mais complicações) e ter um "tumor localizado" (sem metástases) com um tamanho inferior a dois centímetros. Embora seja gratuito na fase experimental, um tratamento com partículas pesadas não é barato.

Os pacientes que utilizam esta sofisticada tecnologia, que depende de um dispositivo que ocupa um espaço equivalente à superfície de um campo de futebol, gastam em média 3,14 milhões de ienes (cerca de R$ 72 mil), já que a previdência japonesa não cobre os tratamentos de "medicina avançada".

Para os estrangeiros, os custos podem chegar a quase R$ 115 mil (5 milhões de ienes). Além do espaço necessário para o acelerador de partículas, "a principal desvantagem deste tipo de radioterapia é alto custo para construir e manter as instalações", afirmou Kumiko.

O HIMAT custou R$ 757 milhões (33 bilhões de ienes) e demorou dez anos para ser construído. Por isso, não é surpresa que só existam sete aceleradores médicos de íons de carbono no mundo todo. Quatro estão no Japão e os outros três se encontram em Heidelberg (Alemanha), Pavia (Itália) e Lanzhou (China). No entanto, novas unidades já estão sendo construídas no Japão, China, Taiwan e Coreia do Sul. Também terão outros quatro na Europa: dois nas cidades alemãs de Marburg e Kiel, um em Lyon (França) e outro em Viena (Áustria).

EFE

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