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Brinquedos terão nova classificação etária

Atualizado em: 30/09/2012

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Sempre que decide comprar um presente para o seu filho, você fica parado em frente à prateleira da loja de brinquedos tentando descobrir qual é mais indicado para a faixa etária dele? Esse problema tende a não acontecer mais a partir do ano que vem. Isso porque a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), em parceria com a comissão dos brinquedos da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), desenvolveu um documento que visa regulamentar a classificação por faixa etária de todos os brinquedos comercializados no país. O objetivo é padronizar essa indicação, que hoje é feita aleatoriamente por cada fabricante. Ela se dividirá em 16 faixas de idade: de 0 a 3 meses, de 3 a 6 meses, de 6 a 9 meses, de 9 a 12 meses, e, depois, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11 e 12 anos

O estudo, oficialmente apresentado na ABNT na sexta (28), ficará disponível no site da instituição por 60 dias para consulta pública, ou seja, qualquer cidadão poderá acessá-lo e deixar seus comentários. Após esse período, a ideia é que ele seja aprovado pelo Inmetro e vire uma regulamentação oficial, alterando a portaria já existente. “Qual é a regra para estipular a faixa etária de um brinquedo hoje? Nenhuma! Mas é preciso se atentar de que um brinquedo não adequado para a idade não ajuda em nada a criança, pelo contrário, pode até atrapalhar”, diz Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq, que afirma ainda que os brinquedos representam atualmente 42% dos produtos certificados pelo Inmetro.

Para Maria Ângela Barbato Carneiro, pedagoga e coordenadora da Brinquedoteca da Faculdade de Educação da PUC-SP, a iniciativa é muito interessante e ajuda não só o mercado, mas principalmente a criança e sua família. “Muitas empresas, na ânsia de vender o produto, colocam uma faixa etária muito abrangente, mas o brinquedo pode ser totalmente inadequado para os menores. Essa nova classificação é uma forma de orientar os consumidores e evitar que as crianças tenham acesso a brinquedos que não contribuam com o desenvolvimento delas”, opina.

A estimativa da associação é que os brinquedos fabricados a partir de abril de 2013 já sigam com a nova norma – inclusive os importados que, caso não estejam de acordo com a regra, serão devolvidos.

O documento foi desenvolvido com a ajuda de 20 especialistas, entre educadores, psicólogos, engenheiros e médicos, e foram necessários dois anos de estudos, em que os profissionais avaliaram, além da questão da segurança, como o brinquedo pode ajudar no desenvolvimento físico, emocional e intelectual da criança. A iniciativa é pioneira no mundo e será apresentada na semana que vem em uma convenção no Japão. A expectativa é a de que o modelo seja seguido por fabricantes de todo o mundo. “Existe um documento nos Estados Unidos, mas ele não é seguido por ser muito complexo e subjetivo. Existe uma grande carência nessa área, já que, hoje, o que normalmente temos é ‘não recomendado para menores de tal idade’, mas isso não especifica para qual faixa etária o produto é indicado”, explica o engenheiro Mariano de Araújo Bacellar Neto, coordenador técnico da Comissão de Brinquedos na ABNT.

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