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Bebê em posição pélvica durante gestação pode ter deslocamento do quadril

Atualizado em: 16/07/2012

O desvio do quadril em crianças recém-nascidas é mais comum do que se imagina. No entanto, nem sempre o problema é diagnosticado nos primeiros meses de vida. O fato tende a ser percebido apenas quando a criança dá os seus primeiros passos, quando um andar diferente ou um mancar mostram os sinais.

Mas, antes que isso aconteça, alguns fatores considerados de risco já podem servir como alertas. A primeira gestação aumenta a incidência do problema, chamado de Luxação Congênita no Quadril ou Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ). Outro sinal é o desenvolvimento do bebê no útero em posição pélvica, momento em que a criança está sentada.

De praxe, informa o Dr. Miguel Akkari, chefe do Grupo de Ortopedia Pediátrica da Santa Casa de São Paulo, os recém-nascidos passam por um exame manual em que o médico pediatra examina a estabilidade do quadril. Caso seja percebida alguma instabilidade, o passo seguinte são os exames laboratoriais, como ultrassonografia ou radiografias, para a confirmação do problema. “Mas, como a luxação não é dolorida e nem sempre ela é perceptível, a evolução do deslocamento pode ocorrer durante o desenvolvimento da criança”, informa.

Tanto precocemente como para crianças em idade mais avançada há tratamento e cura. A diferença é que quando diagnosticado rapidamente, ele é bastante simples. “Semelhante a um suspensório, o tratamento é feito com um aparelho que mantêm o quadril na posição correta e tem uma eficácia em 98% dos casos. No entanto, o uso do aparelho só é indicado para crianças de até três ou quatro meses. Após esse período, ele perde a eficiência”, explica o Dr. Akkari.

Após o período mencionado pelo Dr. Akkari, considerado como tratamento precoce, a correção do quadril implica em cirurgia e imobilização com gesso. “Já na fase adulta, sem tratamento adequado, a pessoa pode ter restrição dos movimentos”, diz.

Fase adulta

Já na fase adulta, explica o Dr. Lafayette Lage, mestre em ortopedia pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia da FMUSP e diretor da Clínica Lage – Ortopedia de Ponta, a displasia normalmente só é detectada por acaso, “quando um paciente assintomático faz uma radiografia da pelve por outras razões ou dor nas costas, e nos pacientes que começam a apresentar dor no quadril entre idades de 20 e 50 anos, dependendo do grau da displasia.”

Segundo o Dr. Lage, quanto mais grave o grau de “não cobertura da cabeça do fêmur pelo acetábulo, sinônimo de displasia”, mais precocemente o paciente sentirá dor. “Geralmente a mulher apresentará dor na virilha ou região glútea”, informa.

E se não tratado, alerta ele, “a dor no quadril é o principal problema e nos casos mais graves o tratamento cirúrgico é mais difícil levando a maiores riscos. É um problema muito sério, devendo ser tratado por ortopedista especialista em cirurgia do quadril. Além disso, a displasia do quadril pode afetar a coluna, se a pessoa ficar mancando e causar dor incapacitante.”

Estatísticas

Estatisticamente no Brasil, a taxa de frequência de deslocamento no quadril pode ser de até uma para cada 2000 crianças. Para aquelas que foram geradas na posição pélvica, a incidência é de até uma para cada 15, em média, e mais frequentemente no sexo feminino, visto que esse índice cai pela metade no caso dos meninos, o que, ainda de acordo com o médico da Santa Casa, são considerados índices preocupantes.

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