Vida e Saúde

Ansiedade fora de controle

Atualizado em: 02/04/2014

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A preocupação excessiva tem tirado o seu sono ou está prejudicando o rendimento no trabalho? Ou pior, está transformando tarefas simples, como pagar a conta no banco, em um tormento? Fique esperta, pois isso tem nome: Transtorno de Ansiedade Generalizada e ele pode causar hipertensão, diabetes e até obesidade
Ficar ansiosa diante de situações novas ou que geram muita expectativa, como mudança de emprego, descoberta de uma gravidez não planejada ou uma viagem para um lugar desconhecido, é normal. Agora, quando essa preocupação aumenta, seja na intensidade, seja na frequência ou seja na duração, e sem motivo aparente, passa a ser considerado um problema e até muda de nome: Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

Para entender a diferença, a psicóloga Glaucia Margonari Bechara, educadora da ADJ Diabetes Brasil, de São Paulo, explica que, enquanto na ansiedade considerada normal sintomas como falta de ar, taquicardia e dificuldade de concentração preparam o corpo para um novo desafio, no TAG, a pessoa não consegue identificar, lidar ou evitar a ansiedade descontrolada e fica paralisada diante da situação.

“Há também um pensamento vazio e uma preocupação desproporcional à realidade de forma que atividades corriqueiras, como pagar contas, levar o filho à escola ou o carro à mecânica, se transformam em um bicho de sete cabeças”, afirma a especialista. Ela lembra que, para ser considerado um transtorno, a ansiedade precisa acontecer quase todos dias por um período mínimo de seis meses e vir acompanhada de pelo menos três dos seguintes sintomas: fadiga, inquietação, falta de concentração, irritabilidade, tensão muscular e insônia.

De onde vem o TAG?
Assim como acontece na maioria dos transtornos psíquicos, as causas do Transtorno de Ansiedade Generalizada ainda não foram desvendadas. “O que se sabe é que há pessoas que nascem com uma ansiedade desenfreada e outras que são mais predispostas a desenvolvê-la. Ser filho de pais depressivos ou com problemas relacionados à ansiedade, conviver em ambientes estressantes, ter uma criação conturbada ou passar por situações difíceis são outros fatores que aumentam os riscos de desenvolver o transtorno”, diz a psicanalista Helena Masseo de Castro, de São Paulo, especialista em transtornos do humor e membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBSP). A psicóloga Glaucia Margonari Bechara lembra que, apesar de a ansiedade estar presente durante toda a vida de quem tem o transtorno, muitas pessoas têm dificuldade em pontuar quando ela começou.

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Ao combate
Como os sintomas do TAG se confundem com os de outros transtornos – como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), a fobia social e a síndrome do pânico –, é comum que o psicólogo e o psiquiatra, em conjunto, façam uma avaliação detalhada da história de vida da pessoa antes de indicar um tratamento. “Confirmado o diagnóstico, são prescritos medicamentos ansiolíticos e antidepressivos que atendam melhor à necessidade de cada paciente e com o mínimo de efeitos colaterais”, conta a psiquiatra Helena Masseo. Porém, como é preciso ajustar as dosagens e existem vários tipos de drogas, nem sempre a primeira indicação é a mais acertada. Daí a importância do paciente e da família confiarem no médico e terem um pouco de paciência. A boa notícia é que, depois desse acerto, em um ou dois meses a pessoa já se sente bem melhor e consegue ter uma vida normal.

A saúde também sente
A ansiedade crônica faz o corpo liberar continuamente cortisol e adrenalina, conhecidos como hormônios do estresse. O problema é que eles deveriam ser produzidos apenas em situações de urgência ou perigo a fim de gerar energia para superar a adversidade. “Esse excesso de hormônios favorece não só o aumento da pressão arterial e dos níveis de gordura no sangue como também a resistência à insulina”, alerta o endocrinologista Felipe Henning Gaia Duarte, do Laboratório SalomãoZoppi Diagnósticos, em São Paulo, membro da Sociedade Brasileira da Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Se já não bastasse isso, é comum pessoas muito ansiosas descontarem na comida, principalmente, chocolate, massa e doce, o vazio que estão sentindo, o que contribui para a obesidade.
Fonte:R7

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