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Aleitamento materno protege contra a gagueira persistente na infância

Atualizado em: 20/08/2013

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Estudo realizado com 47 crianças que desenvolveram gagueira na infância mostrou que aquelas que foram amamentadas na infância eram mais propensas a se recuperar da condição e voltar a ter um discurso fluente.

Os resultados encontraram uma associação dose-dependente entre o aleitamento materno e a probabilidade de recuperação da gagueira de uma criança, com aquelas que foram amamentadas sendo mais propensas a se recuperar.

Meninos, que são desproporcionalmente afetados pela gagueira, pareceram se beneficiar mais. Os meninos no estudo que amamentaram por mais de um ano tinham cerca de um sexto menor probabilidade de desenvolver gagueira persistente do que aqueles que nunca amamentaram.

"Sabemos há anos que fatores genéticos e ambientais contribuem para a gagueira, mas a nossa compreensão das variáveis ambientais específicas em jogo era obscura. Essas descobertas podem melhorar a nossa compreensão e recuperação da gagueira persistente", afirma a líder da pesquisa Jamie Mahurin-Smith, da University of Illinois.

Estudos anteriores haviam encontrado uma associação consistente entre o aleitamento materno e o melhor desenvolvimento da linguagem, de acordo com os pesquisadores. Um estudo de 1997 descobriu que bebês amamentados por mais de nove meses apresentaram um risco significativamente menor de comprometimento da linguagem do que aqueles amamentados por períodos mais curtos de tempo.

Outros estudos encontraram associações entre a duração do aleitamento materno e o QI verbal ou a probabilidade de uma criança ser diagnosticada com um transtorno do espectro do autismo.

Mahurin-Smith e seus colegas sugerem que os ácidos graxos essenciais encontrados no leite materno, e que muitas vezes faltam em fórmulas para lactentes, pode ajudar a explicar por que a longa duração da amamentação está associada a um melhor desenvolvimento do cérebro e da linguagem.

"Ácidos graxos de cadeia longa presentes no leite humano, especificamente o ácido araquidônico e ácido docosahexaenóico, desempenham um papel importante no desenvolvimento de tecido neural. O discurso fluente requer que uma sequência extremamente complexa de eventos se desdobre rapidamente, e nossa hipótese era de que as primeiras diferenças de neurodesenvolvimento podem causar dificuldades com fluência mais tarde na vida", explica Mahurin-Smith.

O cérebro dos bebês triplica de tamanho em seu primeiro ano de vida, e mais de metade do peso sólido do tecido recém-construído é lipídico. DHA é o ácido graxo predominante no cérebro de mamíferos. Lactentes com falta de DHA na dieta podem sintetizar a partir de outros ácidos graxos, mas a pesquisa mostra que a taxa em que o DHA é incorporado no tecido do cérebro ultrapassa a taxa à qual ele pode ser sintetizado.

Estudos sugerem que a falta de DHA adequada durante o desenvolvimento pode afetar a estrutura e a função do cérebro. Os ácidos graxos também são conhecidos por influenciar a expressão do gene, a ligação a fatores de transcrição que regulam a atividade de vários genes.

"Pode ser que a ingestão de ácidos graxos afete a expressão de genes responsáveis pela gagueira", afirmam os autores.

De acordo com Mahurin-Smith, o estudo adiciona à evidência que sugere que o leite humano pode exercer uma influência significativa sobre o neurodesenvolvimento.

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