Vida e Saúde

90% dos casos de Lúpus ocorre em mulheres

Atualizado em: 21/03/2012

Há quase dois anos, a cantora pop Lady Gaga, na época com 24 anos, revelou ao mundo ser portadora do Lúpus, doença autoimune com forte caráter genético em que os anticorpos atacam as células do próprio organismo resultando em inflamação em diversos órgãos. Os indícios mais comuns são dores nas articulações, a artrite,  e manifestações cutâneas conhecidas como “asa de borboleta”, já que o formato da lesão é semelhante à aparência das asas do inseto na região das bochechas.

Ainda não há um consenso sobre a origem do Lúpus, mas, admite-se que a enfermidade resulte de interação de numerosos fatores, entre os quais a predisposição  genética, segundo a reumatologista da Unifesp, Dra. Emília Inoue Sato. “A radiação ultravioleta, infecções e um hormônio feminino chamado estrógeno são possíveis agentes desencadeantes da patologia. Dentre os casos, 90% ocorrem em mulheres, principalmente na fase hormonalmente ativa, isto é, entre o início da menstruação e a menopausa. Embora a doença possa atingir qualquer faixa etária, a incidência é maior em pacientes entre 15 e 50 anos com pico nos 30 anos”, revela.

O momento ideal para identificar os primeiros indícios da doença ocorre quando surgem, além das lesões cutâneas e dores articulares, manchas inflamatórias em regiões expostas ao sol como braços e colo; febre, emagrecimento e o surgimento de outras manifestações como a anemia e a leucopenia  (baixa taxa de glóbulos brancos no sangue).  A reumatologista destaca também outra série de manifestaçõs que podem ser decorrentes  do Lúpus. “Além da inflamação nas juntas e na pele,  o  lúpus pode ocasionar inflamação no rim (nefrite). Nos pulmões, pode ocorrer  lesão na membrana que recobre o pulmão (pleuris) ou inflamação do tecido pulmonar (pneumonite). Pode haver também inflamção em  músculos (miosite) e vasos, provocando a vasculite. O comprometimento dos rins, pode ser silencioso (sem causar sintomas) mas, quando houver perda importante de proteínas, causa urina espumosa e edema em membros inferiores. Se não for tratado adequadamente a inflamação dos rins pode causar insuficiência renal, ou seja, os rins podem deixar de funcionar e o paciente poderá precisar de diálise ou transplante renal.

O lúpus é uma doença que não tem cura, mas pode ser controlada. No entanto, o uso dos medicamentos deve ser feito para toda a vida e o especialista recomendará o tratamento ideal para cada caso, visto que são quadros diferentes. Quanto ao diagnóstico, um exame clínico cuidadoso e exames de sangue e urina devem ser solicitados já que a patologia não demonstra o mesmo nível de gravidade ou sintomas em todos os pacientes. Como não há um único exame altamente sensível e específico para se fazer o diagnóstico de lúpus, habitualmente é feito na presença de diversas alterações clinicas e laboratoriais Alterações no exame de sangue (hemograma), da mucosa bucal, da pele e queixas de dores articulares  são as mais observadas na grande maioria dos portadores da doença. “Não existe um único exame que permita fazer o diagnóstico em todos os casos”, afirma a Dra. Emília Inoue Sato.

Lúpus na infância e na gestação

A infância é marcada por uma época mágica regrada a brincadeiras e diversão. Porém, algumas crianças carregam o fardo de serem portadoras do Lúpus, o que exige um controle rigoroso fundamental no controle da enfermidade. Quanto mais precoce o diagnóstico, maior a qualidade de vida do jovem.  Apesar de muito raro se comparado à incidência nos adultos, o Lúpus infantil pode manifestar-se se forma mais severa. “A nefrite (inflamação renal) é mais comum na criança e, a doença ou os medicamentos usados para o seu tratamento  pode afetar o crescimento e desenvolvimento da criança, pois o corpo ainda está em formação”, explica a médica.

Já na fase adulta, o sonho de ser mãe pode enfrentar obstáculos para as pacientes com a patologia. É fundamental que a gestante consulte regularmente um especialista para avaliar  seu quadro clínico e indicar a melhor fase para engravidar, que é quando a doença estiver controlada por no mínimo 6 meses e sem uso de medicações que possam prejudicar o feto.. A taxa de aborto é um pouco mais alta, o que exige acompanhamento adequado.

Qualidade de vida

O portador do Lúpus precisa seguir as indicações médicas e ter hábitos e estilo de vida saudáveis para manter-se bem. A prática de exercícios físicos regulares, uma alimentação saudável, a redução de níveis de estresse, evitar exposição ao sol e o tratamento precoce de infecções são medidas que auxiliam no controle da atividade da doença e na prevenção de complicações do Lúpus. Outra dica importante é o apoio psicológico durante o tratamento além do acesso aos medicamentos. “É fundamental que o paciente tenha um adequado suporte para que possa enfrentar a doença.  Sentir-se forte, não se deixar abater pelo Lúpus e contar com o apoio da família são importantes para se conviver com a doença”, finaliza a reumatologista.

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