Trabalho

Pesquisa revela que mais de 50% dos brasileiros foi vítima de assédio no trabalho

Atualizado em: 23/07/2015

assedio moral

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O Tribunal Superior do Trabalho (STF) registrou pouco mais de mil processos de assédio no ambiente de trabalho em 2014. No entanto, uma pesquisa do site Vagas (http://www.vagas.com.br), divulgada em junho deste ano, revelou que esses números ainda estão distante da realidade: dos cinco mil profissionais entrevistados em todo país, 52% afirmam já ter sofrido algum tipo de abuso, moral ou sexual, mas apenas 12% denunciaram.

Ainda segundo a pesquisa, 47% dos entrevistados revelaram ter sido alvo de assédio moral e quase 10% de assédio sexual. Em ambas as situações, as mulheres são as vítimas mais comuns: elas correspondem a 52% dos casos de assédio moral e a 80% de assédio sexual.

Caracterizado por uma repetição de ações que buscam constranger ou intimidar um funcionário, esses casos nem sempre dependem de relações de ​​subordinação. “O assédio sexual, por exemplo, pode acontecer entre pessoas que ocupam o a mesma posição hierárquica. Independente das relações de poder, a empresa é responsabilizada pelos danos sofridos pela vítima”, explica Leone Pereira, Coordenador Pedagógico da Área Trabalhista na Damásio Educacional.

Assédio moral é mais difícil de ser identificado

O Brasil não possui uma lei federal que criminalize o assédio moral, algo que faz com que a identificação dos casos seja muito subjetiva. Em um mercado de trabalho que exige cada vez mais dos seus funcionários, a linha entre cobrança por cumprimento de metas e um relacionamento abusivo pode ser tênue.

“O assédio moral pode ser interpessoal, mas também da estrutura organizacional. Ele causa o terror psicológico no ambiente de trabalho”, detalha Leone. Muitas empresas estabelecem metas inatingíveis, exigem o cumprimento de uma jornada de trabalho extenuante e colocam em situações constrangedoras funcionários que não conseguem os resultados estabelecidos.

O assédio moral também pode ser identificado quando o empregador, com o objetivo de fazer com que o pedido de demissão parta do funcionário, realiza uma série de ações para desestimulá-lo: diminui abruptamente suas atribuições, não o convoca para reuniões de seu interesse ou eventos sociais realizados para a equipe.

Assédio causa instabilidade emocional

Por ser um fator que desestabiliza o aspecto emocional, os abusos morais e sexuais podem interferir diretamente na qualidade de vida e nas relações interpessoais. A psicóloga Lívia Vieira, do Hapvida Saúde, revela que, com as frequentes humilhações e violência moral, a pessoa agredida se desorganiza emocionalmente. “Tais atitudes vexatórias atingem a dignidade e identidade do indivíduo, altera valores, causando danos psíquicos, interferindo de forma negativa na saúde e, se a pessoa não possuir o apoio necessário, pode vir a falecer, seja por suicídio ou por baixa imunidade, o que propicia o acometimento ou agravamento de doenças preexistentes”, explica.

Em situações como esta, que envolvem opressão e abuso, a recomendação é que as pessoas agredidas denunciem e busquem ajuda imediatamente, seja com a família, amigos ou órgãos responsáveis pela proteção dos trabalhadores. A psicóloga orienta a registrar, com detalhes, todas as humilhações, como dia, mês, ano, hora e local, bem como o nome do agressor e possíveis testemunhas.

Além disso, é necessário levar em consideração que a saúde e a qualidade de vida devem ser prioridades e, por isso, a possível estabilidade no emprego ou o bom salário não podem se sobrepor ao abuso. “As pessoas precisam priorizar a saúde, a felicidade, a satisfação pessoal. Trabalhar em local abusivo é o mesmo que se autodestruir psiquicamente, fisiologicamente e emocionalmente”, ressalta Lívia Vieira.

Fonte: Luana Ferreira – Pauta Comunicação

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