Trabalho

Como combater o sexismo no trabalho

Atualizado em: 09/08/2015

sexismo1

O momento ocorreu durante uma conferência no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), da qual ele participava de uma mesa-redonda sobre conseguir capital de risco. O apresentador começou a detalhar os sucessos de Shapiro, entre eles sua passagem pela Microsoft e pelo Google e o lançamento de várias start-ups de tecnologia.
Em seguida, o rapaz introduziu a mediadora, uma empreendedora bem-sucedida. “Ela era uma solteira sexy, mas recentemente se casou, virando uma casada sexy”, disse ele.
Shapiro se disse “chocado” com o que ouviu e escreveu sobre o incidente em seu blog. “Foi aí que me dei conta que o sexismo é um problema grave no meu setor, e se eu não estava fazendo nada para enfrentá-lo, eu também era parte disso”, conta.
O executivo estava determinado a fazer mudanças em sua própria empresa e criar um ambiente de trabalho mais inclusivo.
Hoje, como diretor e fundador da Glowforge, uma start-up na área de impressão a laser 3D em Seattle, Shapiro parte sempre de um simples princípio: e se pudéssemos criar uma empresa sem preconceitos?
Se ele conseguir, fará parte de uma minoria. Uma recente pesquisa mostrou que os empregadores ainda têm ideias preconcebidas que favorecem homens em detrimento das mulheres, principalmente quando se trata de entender as necessidades de quem tem filhos.

O problema com as mães

sexismo 2Executivo Dan Shapiro tenta aplicar políticas mais igualitárias em sua start-up

Chefes frequentemente veem as funcionárias que precisam de tempo fora do escritório para cuidar dos filhos como pessoas menos comprometidas com seus empregos, segundo uma pesquisa realizada por Robin Ely, professora de administração da Harvard Business School, nos Estados Unidos.
Isso significa que as mulheres têm menos chances de serem consideradas para receber um aumento ou uma promoção, simplesmente porque têm filhos, mesmo que sejam competentes e envolvidas com o trabalho.
“As expectativas e os estereótipos são normalmente importados para uma empresa pelos próprios preconceitos pessoais de cada indivíduo”, afirma Ely. “Como as mulheres são as que têm mais chances de estarem envolvidas nos cuidados com os filhos, elas não são vistas como funcionárias ideais.”
Mas, segundo a pesquisadora, o estereótipo não se baseia na realidade. O que se vê são mulheres tão ou mais comprometidas com seus trabalhos do que seus colegas homens. E, em geral, os homens também costumam usufruir de todos os benefícios a que têm direito para apoiar suas famílias.
Para Ely, uma empresa mais inclusiva pode trazer vários benefícios. Empregados que acreditam que cada um tem o seu valor, independentemente de seu sexo, raça ou outros aspectos, têm mais propensão a trabalhar com mais dedicação, a serem mais leais e a faltar menos.

Gerentes responsáveis

sexismo 3Para pesquisadores, mudanças de atitude têm que começar a partir da gerência.

Mas a mudança de mentalidade tem que partir da gerência. “São os chefes quem têm que assegurar que as mulheres com filhos sejam valorizadas como todos os outros funcionários”, diz Karl Moore, professor de estratégia e organização na Desautels, a escola de negócios da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá.
Segundo outra pesquisa recente, muitas dessas mulheres duvidam que estejam prontas para serem promovidas, especialmente quando trabalham em companhias dominadas por homens. Para contrabalançar essa falta de confiança, um bom gerente tem de estar ciente do problema e precisa agir ativamente para incentivar suas funcionárias a tentarem promoções. “Ao fazer isso, a empresa tem mais chances de reter talentos”, afirma Moore.
Também cabe ao chefe homem encontrar mulheres em posições mais sêniores que possam atuar como mentoras de outras. Para Moore, funcionárias mais jovens tendem a se beneficiar de mulheres que passaram pelas mesmas situações.
E não acredite na noção de que as mulheres não se ajudam: um estudo de 2005 sobre o assunto mostrou que gerentes mulheres costumam ser mais solidárias e reconhecedoras.
Segundo Moore, outras pesquisas já demonstraram que em equipes dominadas por homens, as mulheres tendem a opinar menos diretamente. “Um chefe precisa mostrar que valoriza a visão delas”, diz.

Pequenas mudanças

sexismo 4

Também há pequenas mudanças que as empresas podem fazer para tornar-se mais justas para ambos os sexos, de acordo com Kathleen McQuiggan, diretora-executiva da Pax World Management Investors, em Boston, e ex-vice-presidente do Goldman Sachs.
Entre essas mudanças, ela sugere que os gerentes evitem marcar reuniões nas primeiras horas do dia, para permitir que os funcionários com filhos tenham tempo de deixá-los na escola. Ou ainda, que expressem sua compreensão caso um empregado precise tomar conta de um familiar doente. Ela aconselha ainda fazer um treinamento com toda a equipe sobre preconceito inconsciente.
“Empresas verdadeiramente preocupadas conseguem encontrar maneiras de serem bem sucedidas ao mesmo tempo em que permitem que seus funcionários passem mais tempo com a família”, diz McQuiggan.

Mais ânimo e lealdade

sexismo 5

Já Ely acredita que nem sempre é tão simples tornar as coisas mais igualitárias. Muitas companhias funcionam a partir do pressuposto de que seus empregados precisam estar disponíveis a todo momento, tornando o trabalho mais difícil para quem tem filhos.
Há ainda o fato de que homens e mulheres fazem as coisas de maneira diferente, e os chefes que aceitam isso normalmente veem mais eficiência dos dois lados, segundo Shapiro.
Depois de seu “momento de luz”, Shapiro mudou seu modo de fazer contratações. Para começar, pesquisas indicam que as mulheres são vistas negativamente na hora de negociar seu salário inicial, enquanto homens são elogiados quando pedem aumentos. Por isso, o executivo adotou a política de fazer a melhor oferta possível logo de cara, para eliminar esse preconceito.
Shapiro acredita que desenvolveu um ambiente de trabalho onde o ânimo e a lealdade aumentaram. Para ele, atitudes que promovam a igualdade de gêneros transmitem a mensagem de que sua empresa valoriza a todos.
“Ser inclusivo é uma maneira muito forte de mostrar as pessoas como se comportar”, diz ele.

Fonte: BBC

Trabalho