Cultura

Gastronomia Junina

Atualizado em: 14/06/2015

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Gastronomia junina está ligada às festas juninas e estas ligadas aos pratos que têm como ingrediente principal o milho, de origem indígena, com modos de fazer origem portuguesa e africana.
As lembranças da minha infância estão permeadas dos folguedos, brincadeiras, adivinhações, fogueiras, quadrilhas, fogos de artifícios, mas principalmente era tempo de preparo das guloseimas que recheavam de alegria a vida de crianças e adultos.
Uma festa de celebração da colheita do milho, do agradecimento a Deus pela fartura do alimento. Festa de família e amigos em torno do preparo dos pratos, da decoração, das roupas juninas. Felicidade pura! Alegria contagiante para todas as idades.
Quando a noite chega é hora de ir para o arraial – na frente da casa, onde o pai acende a fogueira, a mãe coloca a mesa com as comidas e bebidas.A cidade de Patos na Paraíba se transformava num grande arraial Mesa posta na calçada da casa, para que todos pudessem comer – canjica, pamonha, milho verde, cozido e assado na fogueira, batata doce assada na fogueira também, aluá ( uma bebida fermentada feita com as cascas de abacaxi colocadas em um pote de barro com água de boa qualidade dois dias antes da festa), pé de moleque – feito na folha da bananeira, arroz doce, cocada, bolo de milho e doces e bolos variados.
As crianças brincam, os adolescentes e adultos fazem adivinhações, as moças casadoiras querem saber com quem e quando vão casar, os rapazes ficam nas cercanias esperando o sorriso confirmando se são eles os futuros maridos que as adivinhações predizem, as madrinhas de fogueira confirmam o parentesco das “cumadres”. E chega a quadrilha, e a influência da França chega no “anarriê” e todos dançam e sorriem ao som do passo marcado pela sanfona, o zabumba e o triângulo.
Tudo acontece em função do alimento e da preparação deste, é a comida cumprindo o papel de estabelecer e firmar relações entre os homens, mantendo os hábitos, os costumes, as tradições e a história do povo paraibano. Porque aqui as festas juninas têm um sabor especial cheio de amor e alegria, cada porção degustada tem uma mágica que você só vai saber se vier à Paraíba.
Segundo a jornalista Fabíola Bessa (2003), na Europa antiga, bem antes do descobrimento do Brasil, já aconteciam festas populares no mês de junho, as quais marcavam o início da colheita. Nelas, ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses que o povo acreditava. As pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos. Tais celebrações coincidiam com a festa em que a Igreja Católica comemorava a data do nascimento de São João, um anunciador da vinda de Cristo. Como o catolicismo ganhava cada vez mais adeptos, nesses festejos homenageava-se também São João. É por isso que no início as festas eram chamadas de joaninas, e os primeiros países a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal. Os jesuítas portugueses são os responsáveis pela tradição das festas joaninas aqui no Brasil. As festas de Santo Antônio e de São Pedro só começaram a ser comemoradas mais tarde, mas como também aconteciam em junho, passaram a ser chamadas de juninas. Momento de celebração, no qual todos em comunhão se deliciavam, degustando nossos sabores, nossas cores, e adentraram em um universo lúdico de lembranças, estabelecendo relações entre passado e presente mantendo viva a cultura para o futuro. Entendendo que é necessário associar os conhecimentos gastronômicos e nutricionais para manter o indivíduo saudável, de corpo, alma e espírito.

A gastronomia nordestina é um mix de cores , sabores e saberes, e , em relação a gastronomia junina esta mistura fica ainda mais evidente. No entanto, cada estado nordestino tem suas peculiaridades. Hoje nos vamos sair do trivial da gastronomia junina do milho com ator principal e vamos à receita do pé de moleque.
Nos folguedos juninos paraibano da minha infância, o bolo pé de moleque era feito de mandioca envolto na folha de bananeira, inesquecível! Hoje ainda o compro em uma barraca na praia Tambaú e também o delicioso beiju paraibano. Nas minhas pesquisas gastronômicas resolvi fazer o bolo que no site Terra Culinária, diz ser uma receita típicamente paraibana, e troquei a massa de mandioca, conhecida como carimã ou massa puba pela macaxeira crua ralada. O resultado foi um bolo de massa mais úmida, mas deliciosa!

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Mis en place do bolo pé de moleque

Ingredientes:
3 xícaras de castanha de caju torrada e triturada (reserve algumas inteiras para decorar)
2 xícaras de água
2 xícaras de leite de coco
1/2 xícara de manteiga (100 g)
1/2 colher (sopa) de café solúvel
1/2 colher (sopa) de canela em pó
1/2 colher (sopa) de cravo triturado
1/2 colher (sopa) de erva-doce triturada
1/2 colher (chá) de sal
1 kg de massa de macaxeira ralada crua
500 g de rapadura escura em pedaços
4 ovos

Preparo:
Bata no liquidificador a rapadura com a água até dissolver.
Leve ao fogo até ferver, desligue e acrescente a manteiga, a erva-doce, o cravo, a canela e o café.
Misture bem, deixe esfriar e reserve.
Bata os ovos e o sal até espumar.
Com a batedeira desligada, coloque a massa de mandioca e misture com uma colher de pau.
Com a batedeira ligada, junte aos poucos o leite de coco, até ficar homogêneo.
Desligue a batedeira e acrescente a rapadura já fria.
Misture bem.
Volte à batedeira, em velocidade baixa, e acrescente a castanha triturada.
Bata até obter uma mistura homogênea.
Aqueça o forno em temperatura média.
Unte a fôrma com manteiga e, se desejar, coloque um pouco de leite de coco nos lados da fôrma, sobre a manteiga.
Ponha a massa.
Leve ao forno médio, por 1 hora e 40 minutos ou até que, ao espetar um palito, ele saia quase limpo. Retire do forno e deixe esfriar.
Desenforme sobre um prato e decore com as castanhas reservadas.

Rendimento 20 porções de 270kcals em média.
Boas festas juninas para todos lembrando que “ São João” foi o anunciador da vinda de Jesus. Era filho de Izabel prima de Maria que conceberia Jesus. João foi que batizou Jesus . Podemos conhecê-lo nos evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, e entender o projeto de redenção que Deus preparou para o homem através do Seu filho Jesus.

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