Empreendedorismo

Finalistas do Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Expresso são brasileiras

Atualizado em: 25/04/2016

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Na primeira semana de maio foi comemorado o dia do café. O Brasil é responsável por cerca de um terço da produção mundial e também um dos maiores exportadores. Considerados por muito como trabalho para homens, porém o prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Expresso, mostrou que as mulheres também representam bem este setor. Reproduzimos na íntegra a história das finalistas.

O evento, organizado pela empresa italiana illycaffè, teve dez finalistas, sendo que oito deles eram homens e duas eram mulheres. No entanto, as duas representantes do sexo feminino ficaram no pódio da premiação. E têm ótimas histórias para contar.

A grande vencedora do prêmio da illycaffè é a paulista Juliana Armelin, 40 anos. Além do prêmio, Juliana ganhou $ 70 mil e o direito de representar o Brasil na edição internacional do prêmio, que ocorre em Nova York ainda em 2016. Em terceiro lugar, ficou a mineira Leda Pereira Leite, de 83 anos. O segundo colocado foi o paulista Laerte Pelosini Filho.

Coincidentemente, nenhuma das duas começou empreendendo no setor do café, mas acabaram virando empreendedoras do setor.

Da cidade ao café
Juliana nasceu em São Paulo (SP) e é engenheira elétrica. Viveu por algum tempo nos Estados Unidos e trabalhou na consultoria McKinsey até que seu pai decidiu plantar café. Ele convidou Juliana e seu marido, Paulo Siqueira, 41, a analisar a viabilidade do negócio. Após ajudar o pai, o casal decidiu empreender no setor. Em julho de 2010, compraram a Fazenda Terra Alta, em Ibiá, na região do Triângulo Mineiro.

Quando compraram a Terra Alta, a fazenda era de pasto. Por isso, tiveram que preparar a terra para o plantio de café – e aprender mais sobre a produção enquanto isso. A primeira colheita só foi realizada três anos depois.

Dona Leda até nasceu em uma região cafeeira, mais exatamente na cidade de Monte Santo de Minas Gerais, no sul do estado. No entanto, atuou até os 40 como professora, na cidade de Ribeirão Preto (SP). Era casada com Leo Pereira Lima, advogado de profissão e apreciador do café. Em 1972, os dois compraram, em Monte Santo, a Fazenda Nova Esperança.

No entanto, Leo Pereira Lima faleceu no ano seguinte. “Fiquei responsável pela fazenda. Mas o problema é que eu não tinha experiência nenhuma no setor. E nem dinheiro”, afirma.

Desde então, segundo dona Leda, seu trabalho é ir ganhando dinheiro e aperfeiçoando a produção. “Quando comecei, tudo era manual. Hoje, tudo é mecanizado. Para mim, agora implantamos o básico. Mas ainda há muito o que fazer.”

Preconceito
Como mostra a quantidade de mulheres entre os finalistas do Prêmio Ernesto Illy, a produção de café ainda é uma atividade predominantemente masculina.

De acordo com dona Leda, atualmente não há preconceito com ela. Mas já houve. “Se eu falar que o preconceito não me atrapalhou eu estou mentido. Eu tive a sorte de ter trabalhado como professora e o know-how de conviver e comandar. Isso me ajudou a ultrapassar esta e outras dificuldades. Nesta altura do campeonato, não sofro mais com isso. Mas antes era mais difícil. Hoje, já encontramos mulheres em todos os setores da economia.”

Juliana, produtora há menos tempo, diz que não tem problemas com os empregados da fazenda. Mas já enfrentou situações desconfortáveis com trabalhadores temporários. “Alguns já ficaram ofendidos quando chamei a atenção deles por alguma razão. E eles não tinham a mesma reação quando era o nosso gerente que falavam com eles”, diz.

Outro exemplo aconteceu quando Juliana e Siqueira foram comprar seus primeiros tratores. O vendedor sugeriu que a compra fosse feita em nome do marido. “A avaliação de crédito para mulheres era mais detalhada, pois havia muitos casos de homens devedores que tentavam obter o financiamento no nome da esposa ou da mãe.”

 

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

 

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