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Papel da mulher no combate à extrema pobreza tem apoio do governo federal

Atualizado em: 10/05/2012

Com a intenção fortalecer a mulher no campo, uma orientação do governo federal determina que pelo menos 30% das equipes multidisciplinares que atuam em ações de assistência técnica e extensão rural (Ater) do Plano Brasil Sem Miséria sejam constituídas por profissionais do sexo feminino.

Uma delas é a engenheira agrônoma Célia Marques, que trabalha na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Minas Gerais, na cidade de Mato Verde. Embora ainda sinta forte discriminação contra a atuação feminina no interior do país, Célia integra com garra uma equipe que cobre sete municípios do Território Serra Geral, no norte mineiro.

A equipe de Célia tem ao todo dez técnicos, dos quais sete são homens e três, mulheres. A engenheira agrônoma considera importante a orientação dos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que coordena o Brasil Sem Miséria, e do Desenvolvimento Agrário (MDA), responsável pelas ações de Ater. “Esse programa tem tudo para dar certo, desempenha papel transformador, pois valoriza a questão de gênero, ainda muito desigual, principalmente na zona rural. Com trabalho e esforço, a gente vai conseguir superar a extrema pobreza, mostrando que as mulheres são donas do próprio destino e podem fazer a diferença”, afirma.

Para Célia, uma mulher conversando com outra facilita na hora de estabelecer um vínculo. É uma forma de resgatar a mulher, que se sente importante e ativa. Há tarefas do dia a dia rural, que é a mulher quem executa. O cuidado com os pequenos animais, com a horta doméstica, com o pomar, além dos afazeres da casa, sempre é de responsabilidade dela. “A gente acaba percebendo que a mulher muitas vezes trabalha mais do que os homens”, analisa.

Entendimento
Na mesma equipe de Ater que atende 800 famílias nos sete municípios mineiros, a socióloga Mariluza Godrim concorda que a abordagem do grupo familiar fica mais fácil porque normalmente é a dona de casa quem recebe a visita técnica. “Elas ficam mais à vontade de falar com outra mulher. Sabendo como é a situação na casa, o direcionamento do projeto de Ater fica mais eficaz. “A gente que é mulher entende melhor as dificuldades vividas no campo e as questões familiares. Encontramos pessoas que precisam do nosso apoio, principalmente as mulheres, que veem a gente também como psicólogas”, afirma.

A agrônoma Célia Marques esclarece que a abordagem de assistência técnica e extensão rural visa integrar o grupo familiar. Não há separação na questão de gênero. “Quando a mulher participa, ela se sente valorizada. Quando você diz que é importante a participação dela, que na próxima reunião você quer a presença da esposa, porque esse é um programa da família, não do homem ou da mulher separadamente, você faz com que ela participe”, ensina.

Ações de Ater
As ações específicas de Ater para o Plano Brasil Sem Miséria já somam três chamadas públicas para a contratação dos técnicos, que vão às famílias selecionadas, avaliam o grupo familiar e, a partir do perfil e das necessidades de cada um, traçam um projeto produtivo. O técnico de Ater acompanha esse trabalho por até 15 meses.

A coordenadora geral de Organização Produtiva e Comercialização da Diretoria de Políticas de Mulheres do MDA, Analine Specht, explica que a cota mínima de 30% de profissionais femininas para a área resulta de uma avaliação do ministério, que constatou que as mulheres são excluídas do processo por uma situação histórica. “A assistência técnica vê o homem como chefe de família, então, quando as equipes vão a campo, elas reproduzem essa desigualdade de gênero como se fosse natural. Assim, os homens são inseridos nas atividades produtivas e as mulheres ficam de fora”, destaca. “A cota de 30% é um instrumento que de certa forma obriga o atendimento mínimo às mulheres e a suas demandas produtivas, inserindo o sexo feminino de fato na produção e promovendo a geração de renda”, conclui.

O trabalho de Ater no âmbito do Plano Brasil Sem Miséria beneficia famílias do Semiárido, povos e comunidades tradicionais, como quilombolas, indígenas e ribeirinhos, entre outros. Até o momento, cerca de 30 mil famílias estão sendo atendidas com a Ater, particularmente no semiárido, que compreende as regiões Norte e Nordeste e o norte de Minas Gerai

MDS

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