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Os diferentes tipos de parto: conheça as características de cada um

Atualizado em: 03/06/2015

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O Brasil é considerado hoje o líder em cesáreas. Enquanto a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que 15% dos nascimentos sejam via cesariana, no País, na rede privada, as taxas chegam aos assustadores 82% e, na rede pública, a 52%.

Milena Brandão Seko, mãe de duas filhas, bióloga, doula, coordenadora do grupo de apoio ao parto ativo Gesta Maringá e consultora em aleitamento materno, comenta que o Brasil culturalmente é o país da cesariana, “onde a grande maioria das mulheres opta por esse tipo de cirurgia sem ao menos sequer saber dos fatores de risco/benefício para o binômio mãe/bebê”, diz.

Paralelamente a isso, destaca Milena, faltam informações a respeito da via natural de parto (vaginal) – o qual é cercado de mitos. “Na verdade, a luta no nosso país tem ido na contramão dos outros países, onde temos de lutar pelo direito de se ter um parto normal, já que aqui a via de parto tradicional é a cirúrgica”, explica.

É neste contexto, num país onde a maior parte dos nascimentos é feita através de cesariana, que muitas mulheres – por decisão própria ou até por certo “incentivo” de alguns profissionais – acabam nem pensando em outras possibilidades e têm seus filhos por meio de cesárea.

Alberto Jorge Guimarães, ginecologista e obstetra pela Faculdade de Medicina em Teresópolis e mestre pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), defensor dos conceitos de Parto Humanizado, destaca que, primeiramente, é preciso entender que o parto é da mulher. “Então ela tem o direito de planejar, de expor o que deseja. No pré-natal, é muito importante um planejamento do que ela espera. Muita gente acha hoje que ‘perdeu esse direito’ de optar pelo tipo de parto que deseja, mas não é verdade”, diz.

Mas, no caso das mulheres que optam pela cesárea, alerta o obstetra, o maior cuidado é de não marcá-la antes do tempo, simplesmente numa data que se achar conveniente.

Guimarães comenta que, apesar do grande número de cesáreas realizadas no Brasil, de um tempo para cá existem alguns movimentos que visam a retomada do parto normal. “Em São Paulo, através do programa Mãe Paulistana – Parto Seguro, do qual faço parte, conseguimos aumentar muito o número de partos normais”, diz.

“Acho muito bonito, interessante este movimento de resgatar o parto normal, o parto natural… Percebo que a maioria das mulheres que opta por este tipo de parto se sente muito mais segura do que aquelas que nem tentaram. Acho muito importante os profissionais ajudarem as mulheres a entenderem que são capazes, que ‘dão conta’, que nem sempre precisam de intervenções”, acrescenta o obstetra.

Milena destaca que defende “sempre o direito à escolha informada por parte da mulher sobre a forma de dar à luz”.

Exatamente por isso é fundamental que as mulheres saibam mais sobre os diferentes tipos de parto existentes, para que, informadas, possam decidir o que consideram o melhor para elas.

Diferentes tipos e denominações de parto

Veja a seguir os detalhes sobre cada maneira de dar a luz a um filho:

1. Parto Natural

Foto: Getty Images

Ariane Munhoz, enfermeira da AzimuteMed, explica que esse é o tipo de parto em que o bebê também nasce via vaginal, “mas difere do parto normal pois é realizado sem intervenções, como analgesia, uso de ocitocina para estimular as contrações ou procedimentos como a episiotomia”.

Neste método, acrescenta Ariane, o atendimento é centralizado na mulher, onde as suas necessidades e suas escolhas são respeitadas, sendo, assim, humanizado. “Desta forma, a gestante pode escolher o local aonde deseja dar à luz, por exemplo, em casa, ou também no hospital. Escolher quem deseja acompanhá-la neste momento tão importante é essencial e, neste caso, é respeitado”, diz.

Guimarães reforça que neste tipo de parto não há praticamente interferência. “O procedimento é somente assistido, não deixa a mulher ‘de lado’… Espera ela entrar em trabalho de parto, parir espontaneamente, não tem medicalização etc. É um processo mais da mãe”, diz.

Mas, esclarece o obstetra, às vezes até num parto humanizado pode haver intervenções, se a mulher precisar de ajuda. “Isso não significa que deixará de ser humanizado. Mas, se a mulher toma água, tem a liberdade de gemer, pode se mexer, mudar de posição… é um parto humanizado sem ser necessariamente natural”, diz.

Além disso, Guimarães destaca que muita gente tem uma ideia errada sobre o parto natural. “Pensa que é uma ‘coisa largada’, ‘de hippie’, mas não é isso. Um parto natural pode ser um parto hospitalar, respeitando a privacidade da mulher, da forma mais natural possível”, diz.

2. Parto normal

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Também é conhecido como parto vaginal, pois a saída do bebê é via vaginal. Ariane explica que é de início espontâneo e o bebê nasce com apresentação cefálica, ou seja, sua cabeça está posicionada na pelve, pois já está preparado para o nascimento.

“Mesmo se encontrando na posição correta, podem ocorrer dificuldades na saída do bebê e, nestes casos, pode ser realizada uma episiotomia – um corte cirúrgico feito no períneo, a região muscular que fica entre a vagina e o ânus. É importante que este procedimento seja realizado apenas conforme necessidade”, destaca Ariane.

Neste tipo de parto, além da episiotomia (para facilitar a saída do bebê), podem ser utilizadas, em alguns casos, analgesia e indução das contrações com soro contendo ocitocina. Para que este tipo de parto aconteça, deve estar tudo bem com a saúde da mãe e do bebê.

Guimarães destaca que os benefícios do parto normal são inúmeros. “Para o bebê: garantia de um pulmão maduro; contato com a mãe nos primeiros momentos de vida; oportunidade de sugar o peito; menos chances de doenças respiratórias etc. Para a mãe: menos risco de hemorragia; recuperação mais rápida; acompanhamento do parto e finalização de um ciclo da vida (da gravidez); contato mais rápido com o bebê, entre outros”, diz.

3. Parto na água

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Ariane explica que parto na água é aquele onde o nascimento do bebê acontece com a mãe imersa em água, numa banheira ou piscina. “A barriga deve ficar totalmente encoberta pela água… E o pai pode ficar dentro da banheira ou piscina para apoiar a gestante neste momento importante”, diz.

A enfermeira destaca que a gestante é colocada numa banheira repleta de água morna durante o trabalho de parto. “Geralmente, ela entra na banheira quando o trabalho de parto progride e a dor aumenta”, diz. “A orientação geralmente é que a gestante entre na água após uma dilatação do colo uterino maior que 5 cm e sentindo contrações uterinas frequentes e intensas (mais de 2 a cada 10 minutos)”.

Algumas pessoas têm certo receio em relação a este tipo de parto e questionam “Será que meu filho não vai se afogar?”. Mas, isso não acontece, pois, quando o bebê nasce, ainda respira pelo cordão umbilical por pelo menos vinte segundos, durante os quais expande seus pulmõezinhos lentamente.

4. Parto de cócoras

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É realizado da mesma maneira que o natural, muda-se apenas a posição da mãe que, em vez de ficar na posição ginecológica normal, mantém-se de cócoras. “É geralmente um parto mais rápido, pois é auxiliado pela gravidade devido à posição vertical. Sendo, assim, geralmente mais cômodo para a mulher”, diz Ariane.

Este tipo de parto respeita o processo fisiológico do parto, assim como as necessidades e desejos da gestante, conforme destaca Ariane. “Também é humanizado, pode ser realizado no local de preferência da gestante, existe a participação do companheiro e possui algumas vantagens como a ausência de métodos invasivos para alívio da dor, a liberdade de movimentos dada à mulher no momento do nascimento da criança e a recuperação imediata”, diz.

5. Parto a fórceps

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Ariane explica que um parto a fórceps ocorre quando um parto normal evolui com dificuldades para a saída do bebê. “Fórceps é um instrumento formado por duas partes alongadas e conectadas que se curvam nas pontas para abrigar a cabeça do bebê”, diz.

A enfermeira explica ainda que é necessária a realização de episiotomia no períneo para a introdução do fórceps e o posicionamento na cabeça do bebê. Com o fórceps ajustado, o profissional puxará enquanto a mulher fizer força para empurrar o bebê durante uma contração.

“Diferentes motivos podem levar ao uso deste método, como situações em que haja sofrimento fetal ou a mãe não esteja mais conseguindo fazer força”, diz Ariane.

Antigamente, o uso de fórceps era sinônimo de sofrimento, mas, hoje, o instrumento tem um papel inverso, aliviando o trabalho do parto e poupando desgastes da mãe e do bebê, se necessário.

Apesar disso, é considerada uma técnica polêmica, de acordo com Ariane, pois o parto com fórceps poderia oferecer um risco maior se o instrumento não for utilizado de forma correta, causando lesões para a mãe e para o bebê.

6. Parto Leboyer

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Também chamado de “parto sem violência”, é um tipo de parto onde se tenta não estressar o bebê, tornando sua primeira experiência fora do útero menos “traumática”. Foi criado pelo médico obstetra francês Frédérik Leboyer e introduzido no Brasil na década de 1970.

A ideia é que o nascimento seja feito num ambiente tranquilo, e o mais “parecido” possível com o útero materno. Para isso, Ariane explica que são utilizados pouca luz (para não incomodar o bebê); silêncio (principalmente depois do nascimento); ambiente quente (como o abdômen da mãe), a fim de atenuar o impacto da diferença entre o mundo intrauterino e extrauterino etc. A amamentação é precoce e o banho, realizado junto com os pais.

7. Parto humanizado

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Milena destaca que parto humanizado é uma atitude e não um método. “A mulher é a protagonista do nascimento do seu filho, onde as suas escolhas são respeitadas e discutidas com profissionais com essa visão, usando da medicina baseada em evidências científicas”, diz.

“Por exemplo, a mulher não é chamada de ‘mãezinha’, mas, sim, pelo nome, pois ela tem uma identidade e é única. Dessa forma, o atendimento é individualizado e não padronizado. E isso é realmente um desafio, pois é necessária uma mudança de mentalidade como um todo”, diz Milena.

doula acrescenta que, no parto humanizado, “a posição para parir vai ser respeitada, o tempo mãe/bebê para o nascimento vai ser respeitado, o local de nascimento (numa banqueta de parto, na banheira ou no leito) serão respeitados e o períneo não vai ser cortado sem o consentimento (episiotomia) da gestante. Essa mulher também tem liberdade para se alimentar e se movimentar durante o trabalho de parto”, diz.

De uma forma resumida, parto humanizado refere-se ainda a um parto que é tratado como um processo fisiológico normal que, somente numa minoria dos casos, necessita de intervenções.

No parto humanizado, o profissional responsável pelo atendimento é um “guia” do processo, pois trabalha em parceria com a mulher e respeita as escolhas dela dentro do possível, orientando as decisões e não simplesmente impondo protocolos.

8. Cesárea

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A cesariana é feita por via transabdominal, ou seja, com a incisão do abdômen da mãe em várias camadas até encontrar o feto dentro do útero e retirá-lo por esta incisão. Usa-se anestesia, geralmente a raquidiana. Depois que o bebê é retirado, ocorre a retirada da placenta e a sutura de cada plano aberto.

Ariane explica que a cesárea é uma cirurgia de médio ou grande porte e um procedimento invasivo. “É uma tecnologia criada originalmente para ser usada somente quando houver risco de vida para o bebê ou para a mãe”, diz. De acordo com a OMS, a taxa ideal de cesáreas deve ficar em torno de 7% a 10%, não ultrapassando 15%.

Alberto Guimarães destaca que a cesárea é indicada em casos que podem levar a riscos. “Como, por exemplo, descolamento de placenta… Aí a cesárea vai ser a salvação para o bebê respirar; eclâmpsia (condição rara que provoca convulsões durante a gravidez); durante o parto normal quando o bebê não ‘desce’, pois a posição não deu certo para ele nascer e isso está represando risco à vida dele; quando o neném está na transversal… Nesses casos são indicações precisas e a cesárea terá bom uso”, diz.

Porém, a cesárea realizada de forma indiscriminada, pode trazer sérios riscos à saúde da mãe e do bebê.

12 dúvidas comuns sobre partos

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O nascimento de um bebê é um momento muito especial na vida da mulher e da família, exatamente por isso é normal que existam várias dúvidas em torno do assunto. Abaixo, os profissionais esclarecem as principais delas:

1. Quais são os pontos negativos de se apostar numa cesárea (se não houver necessidade)?

Milena Brandão Seko: A cesariana é um cirurgia de médio-grande porte e isso implica num pós-operatório mais doloroso e incapacita a mulher de tomar os primeiros cuidados com o bebê. Além disso, ela oferece um risco três vezes maior de a mãe morrer de uma cesárea eletiva (agendada) que num parto normal. (Hall, 1999).

Basicamente a cesariana aumenta o risco de infecções, hemorragia, complicações anestésicas. Dificulta o vínculo inicial mãe e bebê, a descida do leite, o contato pele a pele e a amamentação. Então, ela tem mais risco de ter problemas na amamentação e no vínculo mãe e bebê, riscos maiores de ingurgitamento mamário. A longo prazo, há risco de aderência, de acretismo placentário (placenta grudar no útero) e também placenta prévia e de endometriose, que são riscos inerentes à cesárea ( principalmente, cesáreas de repetição), risco aumentado para o próximo parto e problemas com a fertilidade.

Além de um risco 120 vezes maior de prematuridade e desconforto respiratório para o recém-nascido.

2. Todo parto dói?

Alberto Jorge Guimarães: Dor é subjetiva…Tem trabalho de parto que algumas mulheres até conseguem sorrir no momento. Contração pode até doer um pouco, sim, mas é preciso diferenciar o que é uma dor fisiológica, parte de um processo, do que é um sofrimento…

Se a mulher tem em mente que esta é sua missão naquela hora (trazer o bebê ao mundo) – a partir do momento que ela engravidou – , com certeza ela levará o parto da melhor maneira possível.

Vejo muitas mulheres comemorando depois o nascimento do bebê (por meio do parto normal) como uma grande vitória.

3. Existem medidas/ações que podem ajudar a aliviar a dor do parto?

Milena Brandão Seko: Eu sempre digo que a dor do parto não é apenas física, mas também emocional. A mulher na maioria das vezes leva suas dores e temores e traumas para o trabalho de parto. O que faz toda a diferença para um parto satisfatório é o respeito e acolhimento a essa mulher. Ela deve ser tratada e encarada como alguém que está passando por um processo natural e não como uma “bomba relógio”. Banhos quentes, massagem, diálogo, palavras de incentivo, posições verticalizadas, um abraço, um aperto de mão são métodos não farmacológicos de alívio de dor e as doulas são profissionais do parto especializadas nessas condutas – o que traz um alívio, conforto e segurança pra mulher em trabalho de parto.

Entretanto, há mulheres que necessitam de anestésicos (analgesia) e isso deve ser discutido sobre o risco/benefício com o obstetra e, nem por isso, o parto se torna menos humanizado por esse tipo de intervenção.

4. É possível exigir o uso do gás hilariante para o parto?

Milena Brandão Seko: O gás hilariante (óxido nitroso) é praticamente desconhecido no Brasil. Em países como EUA e Canadá seu uso é comum para aliviar as dores das contrações no trabalho de parto. No nosso país, iniciará testes no hospital Sofia Feldman em Belo Horizonte.

5. Quais são as vantagens de contratar uma doula?

 

Milena Brandão Seko: A palavra doula vem do grego e significa “mulher que serve”. A doula trabalha na preparação da gestante para o parto, levando até ela informações de qualidade, baseadas em evidências científicas. Acompanha a mulher no trabalho de parto, dando suporte físico e emocional, com métodos e técnicas não farmacológicas de alívio de dor. A doula é o principal vínculo da mulher em trabalho de parto, é uma grande apoiadora e incentivadora.

A doula é uma profissional do parto, mas não realiza procedimentos médicos e de enfermagem. Ela não pode interferir na conduta da equipe médica.

No pós-parto, ajuda a mulher com a amamentação e a lidar com a fase sensível e de intensa mudança, que é o puerpério, e nos cuidados com o recém-nascido.

6. Quando é recomendado fazer uma indução do parto?

Alberto Jorge Guimarães: Deveria ser uma opção depois da 41ª a 42ª semana de gestação… Então, em vez de marcar a cesárea, esta seria mais uma tentativa para ver se a grávida entrava em trabalho de parto.

7. Uma mulher pode recusar o corte (episiotomia)?

Milena Brandão Seko: A episiotomia é um corte feito na abertura da vagina para ampliar o canal de parto. Na Europa é usada em 5 a 30% dos partos normais e, na América Latina, é feita em quase todos os partos. A justificativa é que sem esse corte a mulher fica larga, que um corte reto é melhor pra suturar, que o bebê nasce mais rápido, e sem a episiotomia pode haver rasgos maiores na entrada da vagina. Mas, de acordo com as evidências, temos visto que quando a mulher vai parir em posições verticalizadas e quando o bebê é deixado sair suavemente pelo canal de parto, o risco de lacerações no períneo diminui significativamente e que exercícios preparatórios pra essa região fortalecem a musculatura pélvica trazendo um fortalecimento maior dessa região para o parto e uma recuperação rápida para o pós-parto.

A episiotomia deve ser discutida, sim, com o obstetra e deve ser feita apenas em caso de real necessidade, como, por exemplo, sofrimento fetal; pois sua recuperação é bastante dolorosa, afeta uma região nobre do corpo feminino, podendo trazer consequências negativas até para a vida sexual.

Alberto Jorge Guimarães: Ultimamente, a ideia já é que esse procedimento seja menos utilizado. No plano de parto, ela pode deixar claro que não gostaria que fosse realizado, é importante conversar com o profissional a respeito. Existem, inclusive, exercícios que podem ser realizados antes para melhora do canal. A partir do momento que ela deixa isso claro, o corte só será utilizado num caso de necessidade (que se descobrir no momento do parto).

8. Quanto tempo dura um trabalho de parto?

Alberto Jorge Guimarães: Varia muito, mas geralmente de 12 a 18 horas, contando que o trabalho de parto começa mesmo a partir das contrações regulares (por exemplo: 2 contrações a cada 10 minutos durante 1 hora).

9. Quais são as possíveis complicações de um parto normal?

Alberto Jorge Guimarães: As mesmas de qualquer parto, podendo levar, em casos extremos, à morte da mãe e do bebê. Mas somente em caso extremos. A tendência é que tudo corra bem, essa é a principal possibilidade.

Com os profissionais acompanhando os batimentos do bebê, com o contato direto com a mãe e, também, com a confiança dela no processo, a tendência é que tudo corra da melhor maneira. Pois, esses cuidados mostrarão caso haja riscos e os profissionais envolvidos estarão preparados para atender a mãe e/ou o bebê se for necessário.

10. Como é a recuperação da mulher após uma cesárea?

Alberto Jorge Guimarães: Algumas, que nunca tiveram um parto normal, não veem problemas. Sentem um desconforto ou outro que pode melhorar com analgésicos. Elas têm mais limitações para se movimentar; o que pode dificultar um pouco os cuidados com o bebê…

A grande diferença sente a mãe que já teve um parto normal e depois tem uma cesárea… Essas costumam reclamar bastante.

11. Como é a recuperação da mulher após um parto normal?

Alberto Jorge Guimarães: Ótima. Muitas acabam de parir e já querem levantar, por exemplo, para tomar banho. É incomparável… Elas sem sentem superdispostas para cuidar do bebê.

12. Grávida de gêmeos pode optar pelo parto normal?

Alberto Jorge Guimarães: Sim. Se a posição do primeiro bebê estiver adequada (ele estiver com a cabeça para baixo) e o peso do dois bebês for parecido, pode ser realizado o parto normal se a mulher desejar.

Milena Brandão Seko: Gestação gemelar desde que for de baixo risco, ou risco habitual, pode sim ser de parto normal, desde que se tenha uma equipe experiente para o atendimento. Há inúmeros relatos de parto normal de gêmeos e com sucesso.

Parto em casa: vantagens x riscos

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Algumas mulheres optam por ter seu bebê em casa. “O lar é um espaço que favorece a evolução fisiológica e natural do parto, assim como o exercício da autonomia da mulher, ao proporcionar segurança, privacidade e conforto, possibilitando uma vivência mais intensa, afetiva, familiar e pessoal deste processo”, explica Ariane.

A maior vantagem do parto em casa, de acordo com a enfermeira, é a liberdade. “A mãe tem liberdade para escolha, liberdade de posições, de comportamentos, até mesmo para alimentar-se e para se movimentar durante o trabalho de parto, sendo este um método de alívio natural das dores”, diz.

Além disso, a informalidade, a participação de familiares e amigos escolhidos para vivenciar este momento são fatores que contribuem para tornar o momento mais tranquilo e especial.

Ariane reforça que o parto domiciliar é indicado para gestantes sem riscos de complicações como diabetes, hipertensão etc. “Para que ocorra tudo bem, são necessários cuidados milimétricos do médico ou do enfermeiro obstetra. Caso contrário, diante da ausência de uma estrutura hospitalar para socorro imediato, a gestante e o bebê correm sérios riscos”, diz.

Milena acrescenta que o parto em casa é para mulheres de gestação de baixo risco e deve ser uma escolha consciente e informada. “O casal deve compartilhar com a equipe a responsabilidade do parto e deve haver sempre um ‘plano B’ bem acertado para possíveis transferências para um hospital. Muitas vezes, o parto pode terminar no hospital e ainda ser um parto normal”, diz.

Milena explica que o parto domiciliar é atendido por Enfermeiras Obstétricas, onde elas são capacitadas e regulamentadas para tal atendimento com registro no COREN. “A doula também é presente no parto domiciliar, mas não tem responsabilidade técnica sobre o parto”, diz.

Mães relatam como foram seus partos

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Tâmara Waldrick, 31 anos, servidora pública, teve um parto na água. Ela conta que, quando ficou grávida, começou a ler sobre os tipos de parto, a banalização da cesárea no Brasil e chegou à conclusão de que queria um parto humanizado. “Aí começou a luta para achar um obstetra aqui em Brasília que fizesse este tipo de parto. Pelo plano de saúde é impossível, tive que pagar um particular mesmo. Meu obstetra era o Dr. Petrus Sanches, maravilhoso! Ele faz parto humanizado e durante as consultas eu falei para ele do meu desejo de ter um parto na água. Ele concordou na hora, pois já estava acostumado a este tipo de parto”, diz.

Tâmara diz que só comentou com algumas pessoas que queria um parto na água. “Pois a maioria, infelizmente, acha isso coisa de hippie, louco etc. Meu marido me apoiou plenamente! Antes de assistir ao filme O Renascimento do Parto, meu marido achava a cesárea a melhor opção, mas depois de ver o filme, ele compreendeu que o parto normal era bem melhor para o bebê”, conta.

Tâmara conta que seu trabalho de parto durou 10 horas. “Comecei a sentir contrações às 23h e o meu bebê nasceu às 9h. Mas você não sente dor durante este tempo todo. Quando as contrações estavam no início, eu dormia entre elas! As dores ficam mais fortes na última hora. Eu não quis anestesia e posso te dizer que realmente dói, mas nada que ‘vá te matar’!”, comenta.

“Então, quando eu estava neste momento de muita dor e com 9 cm de dilatação, entrei na banheira e deu um alívio! A água morninha te relaxa… Eu entrei na banheira e em 10 minutos meu filho nasceu! Meu marido participou de tudo, entrou na banheira comigo e cortou o cordão umbilical!”, destaca Tâmara.

“Meu parto foi na Maternidade Brasília que tem uma sala de parto humanizado maravilhosa, com bola de pilates, banheira, cadeira para a mulher ficar de cócoras, luz especial, rádio no qual a pessoa pode colocar sua música preferida… Sensacional”, acrescenta Tâmara.

Melissa Aparecida Neves, 34 anos, fisioterapeuta, teve uma cesárea e um parto normal. “Embora eu tenha nascido de uma cesárea, eu sempre quis ter um parto normal, sempre soube que poderia ‘aguentar a dor do parto’, nunca tive medo quanto a isso”, relata. “Porém, minha primeira filha, Giovana, foi fruto de uma cesárea… Meu médico disse, bem no final da minha gestação, que caso eu insistisse na ideia do parto normal, a bebê correria riscos… Acatei a ideia dele pensando no bem da minha filha e hoje acho que não adianta mais pensar se fiz o certo ou se deveria ter insistido na minha vontade do parto normal”, comenta.

Sua segunda filha, porém, nasceu de parto normal. “Tinha a certeza do que queria, e sabendo que estava tudo bem com minha saúde e com a saúde da minha bebê, decidi que não deixaria nenhum médico interferir na minha decisão. Correu tudo bem com meu parto, considero a dor suportável, ainda mais quando a mãe sabe o que quer, sabe que, na verdade, seu corpo ‘está seguindo o que deve fazer’… É um processo natural. Foi tudo como eu desejava”, conta Melissa.

Por fim, vale ressaltar que o que é bom para uma pessoa, pode não ser bom para outra… O que é importante para uma mulher/família, pode não ser tão importante para outra… Dessa forma, não cabe a ninguém julgar as decisões da mulher em relação ao tipo de parto escolhido. A decisão cabe a ela, mas, claro, deve ser sempre orientada por profissionais de sua confiança.

 

Fonte: Dicas de Mulher

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