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ONU alerta sobre epidemia por violência contra mulheres indígenas

O Fórum Permanente para Questões Indígenas da ONU lançou na semana passada uma mensagem de alerta à comunidade internaci

O Fórum Permanente para Questões Indígenas da ONU lançou na semana passada uma mensagem de alerta à comunidade internacional para intensificar os esforços de combate à violência contra mulheres e meninas indígenas no mundo.

“A violência contra as mulheres indígenas é um problema global, com tinturas de epidemia em numerosos países devido ao aumento dos diversos tipos de violência que enfrentamos”, disse à Agência Efe a nicaraguense Mirna Cunningham, especialista em assuntos indígenas e ex-presidente deste fórum da ONU.

Cunningham participou da sessão que o Fórum Permanente para Questões Indígenas dedicou às mulheres e meninas dessas comunidades, na qual foram apresentadas as conclusões de um relatório elaborado por especialistas de todo o mundo. O texto alerta sobre o caráter multifacetado da violência que enfrentam.

De acordo com o relatório, as mulheres, meninas, adolescentes e jovens indígenas, consideradas as mais pobres dentre os pobres, são vítimas de um “elevado aumento” da violência “política, social, econômica, espiritual, física, sexual, psicológica e ambiental” em todas as regiões do planeta onde habitam.

Apesar de o fórum não contar com números específicos por países que demonstrem com dados o aumento da violência, a especialista ressaltou que se trata de um problema que inclui numerosas transgressões de seus direitos individuais e coletivos.

“Há meninas indígenas que estão expostas a resíduos nucleares ou pesticidas que morrem de câncer já aos 12 anos, e há menores de idade que são vendidas a narcotraficantes. Está se negando o futuro às próximas gerações”, explicou a dirigente indígena à Agência Efe.

A principal conclusão do relatório é que “as medidas para combater a violência contra as mulheres e as meninas no contexto indígena devem ser integrais, e não devem se tratar de maneira isolada em relação ao conjunto de direitos reconhecidos para os povos indígenas”.

“A violência não pode se desvincular da história de discriminação e marginalização sofrida pelos povos indígenas em seu conjunto”, disse o especialista.

Para isso, os integrantes do fórum pedem à comunidade internacional que cumpra a legislação internacional sobre povos indígenas, o que inclui a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas.

Eles consideram “vital” que os governos recopilem dados relacionados à violência da mulher e que incluam números específicos relacionados aos indígenas, algo que atualmente só é feito por Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Sobre o caso específico das indígenas latino-americanas, Cunningham disse que “a situação é grave em vários campos”, entre os quais destacou “o enorme crescimento da violência pela militarização na Colômbia, México e Guatemala”, assim como “o grande impacto das indústrias mineradoras, principalmente na Amazônia”.

De qualquer maneira, segundo ela, a maioria dos países da América Latina ainda tem “muito a fazer” para acabar com a violência institucional contra os indígenas, já que são necessários “modelos de educação e saúde interculturais, além de sistemas de Justiça nos quais se aplique o pluralismo jurídico”.

O Fórum Permanente para Questões Indígenas iniciou na segunda-feira passada seu 11º período de sessões focado em impulsionar o fim da marginalização desses povos e o impacto que a chamada doutrina do descobrimento teve no desenvolvimento dessas comunidades.

O evento segue até o próximo dia 18 e estima-se a participação de aproximadamente 2 mil indígenas. Entre os atos mais importantes, estará a comemoração do quinto aniversário da Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 2007.

 EFE

Denise Lemos
Diretora Executiva do Portal Mulher de Fato, CEO Up Branding Marketing Digital, CEO Startup 28Dias.

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