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Nordestinos estão lendo mais que a média nacional

Atualizado em: 09/05/2012

Recentemente, o Instituto Pró-Livro divulgou uma pesquisa, feita no ano passado, para saber como andava a leitura dos brasileiros. Constatou que os nordestinos leem, por ano, uma média de 4 a 5 livros, ultrapassando a média nacional, que é 4 por ano. É a região brasileira que mais lê.

A pesquisa, chamada de “Retratos da Leitura no Brasil”, é feita há 12 anos. Entrevistou, ao todo, 5012 famílias brasileiras e foi a 315 cidades. Em 2007, a média nacional era que os brasileiros leem 4,7 livros por ano.

Os objetivos principais do trabalho do “Retratos da Leitura no Brasil” são: saber quem é o leitor brasileiro, como a leitura está sendo motivada, a sua frequência, o perfil do comprador de livros e como estes chegam aos cidadãos.

São 88,2 milhões de brasileiros que estão lendo com frequência, sendo que somente 46, 2 milhões conseguiram ler um livro inteiro, e 37, 7 milhões de pessoas leem os que são indicados pela instituição de ensino.

Os pesquisadores consideraram que o leitor é aquele que leu algum livro nos últimos 3 meses. Na região Nordeste, o instituto visitou todas as capitais e entrevistou, aproximadamente, 1403 famílias. Constatou que os nordestinos leram, pelo menos, 2 livros nos últimos 3 meses. No geral, a região possui 25,4 milhões de leitores, entretanto 9,5 milhões leem os livros por inteiro.

“Na pesquisa realizada em 2007, 25% dos nordestinos se declararam leitores. Na edição de 2011, esse índice subiu em 4%”, respondeu Karine Gonçalves Pansa, presidente do Instituto Pró-Livro.

Sobre a idade do leitor nordestino, a pesquisa indicou que 16 milhões de pessoas estão com 30 a 39 anos e 14 milhões tem 18 a 24 anos. Os idosos estão lendo poucos livros, somente 5 milhões dos leitores tem 70 anos ou mais. As crianças nordestinas também lêem menos, somente 19 milhões estão na faixa etária entre 5 a 13 anos.

24% dos nordestinos responderam que tem acesso às bibliotecas públicas. 22% estão lendo os livros digitais, conhecidos como e-books. Isso quer dizer que 2,1 milhões de pessoas afirmaram que já leram esses tipos de livros.

A professora Patrícia Carla resolveu juntar a educação com a mídia, ela criou páginas nas redes sociais, como Facebook Twitter, para tirar dúvidas na área do Direito para concurso. Depois, ela criou um blog em que ela coloca dicas e vídeo aulas. Apesar disso, ela afirma que isso não vai substituir a leitura. Ela lê, em média, 3 ou 4 livros por mês.

“Eu tento despertar o interesse aos meus alunos pelo assunto que ensino. A partir do momento que passam a se interessar, eles buscam a leitura e o aprofundamento. Quem tem o poder, tem a informação e isso só é possível com muita leitura”, respondeu.

Karine Pansa, do Instituto Pró-Livro, afirmou que a leitura está relacionada à escolaridade, classe social e ambiente familiar.

Sobre a escolaridade dos nordestinos, 62% responderam que estão estudando. Entretanto, são poucas pessoas que concluíram o Ensino Superior e 28 milhões responderam que saíram da escola na quarta série, atual quinto ano.

Em Natal, a equipe do portal Nominuto.com entrevistou 70 pessoas em diversos lugares da cidade, para saber quantos livros leram no ano passado. Apesar da quantidade de entrevistados ser inferior da pesquisa, mas dá para perceber que a população natalense está praticando a leitura.

Somente 21,42% dos entrevistados leram abaixo de 4 livros ou nenhum, 15, 71 % responderam que estão lendo exatamente na média apresentada pela pesquisa, 10% não lembra da quantidade exata, e 52, 87% afirmaram que leram mais de 5 livros no ano passado, indicados pela escola/universidade ou não.

O pré-vestibulando Alan Lisboa disse que só leu dois livros, em 2011, sendo que um deles não conseguiu terminar. Apesar disso, ele afirma que gosta de ler e que a sua maior dificuldade é encontrar um que tenha o tema que lhe agrade. “A leitura é fundamental para tudo que você faz. Com ela, eu busco o conhecimento, além de me ajudar na interpretação textual”, reconheceu o estudante.

Aluno de Engenharia Química, Inácio Neto admitiu ter lido somente um livro por inteiro no ano passado. Ele afirmou que a falta de leitura não é um problema na sua vida, apesar de entender a sua importância. “Somente li os livros da faculdade, mas não os terminei”, afirmou Neto.

A pesquisa indica que uma parcela expressiva de moradores da região Nordeste declara ser leitora de livros indicados pela escola ou que não lêem os livros por inteiro.

O Instituto Pró-Livro disse que os nordestinos estão lendo mais, pois há um grande número de pessoas estudando atualmente, sobretudo nas faixas etárias onde a leitura é considerada mais frequente, que são pessoas que estão no período escolar.

Aluísio Azevedo, proprietário de uma das livrarias em Natal, também acredita que a escolaridade ajuda as pessoas lerem mais. Ele também acha que os fatores culturais ajudam a estimular a leitura. Ao ser questionado se existe uma quantidade ideal de livros para ler, ele disse que isso pode variar.

“Determinar uma quantidade específica para ler é complicado, pois os livros variam em seus formatos, níveis de complexidade, e volume de informações. Creio que um bom leitor deve explorar o mundo literário, pelo menos, uma vez por semana, elegendo-o como uma de suas atividades prazerosas”, disse.

Karine Pansa afirmou que a diminuição de pessoas que leem livros no Brasil lhe chamou atenção, apesar de ter sido esperado, uma vez que a maioria da população brasileira está com a idade avançada.

“O que chamou atenção foi a redução do número de leitores, que em parte foi explicada pela mudança de metodologia, o envelhecimento da população com menos número de estudantes na faixa de 5 a 17 anos”, disse

Perfil do leitor brasileiro
O Brasil, no geral, lê 4 livros por ano. 52% dos leitores são mulheres. 18 milhões estão na faixa etária entre 50 a 69 anos e representa a maioria dos leitores brasileiros. Constatou que houve um decréscimo na frequência de leitura.

Somente 28 milhões de pessoas concluíram o Ensino Médio, sendo que somente 10 milhões ingressaram e terminaram o Ensino Superior. 68% afirmaram que não estão estudando.

Monteiro Lobato é considerado o melhor escritor brasileiro pela população. Em segundo e terceiro lugar ficaram Machado de Assis e Paulo Coelho, respectivamente. O livro mais lido é a “Bíblia”.

Em 2011, 49% falaram que estão lendo com mais frequência, 28% disseram que leem menos e as suas justificativas eram que não há interesse em ler. 75% responderam que estão lendo por prazer e não por obrigação.

65% disseram que o tema é o que mais chama atenção na hora de comprar livros. 93% lêem os livros na própria residência. 9,5 milhões de pessoas estão procurando e-books, 62% dos cidadãos entrevistados afirmaram que pagaram por esse tipo de leitura.

Pessoal prefere ler mais revista que livros
O Instituto Pró-Livro divulgou que 53 % dos entrevistados leem mais revistas do que qualquer outro meio de leitura. Livro é o quarto material mais lido, houve uma diminuição de 3% de sua leitura, comparado com o ano de 2007. Somente 47 % dos livros lidos são indicados pela escola.

Desses indicados pelas instituições de ensino, somente 17% são os paradidáticos. 30% da população do Brasil afirmou que leem Histórias em Quadrinhos. Para obter mais dados da pesquisa, acesse o site do instituto, que é www.prolivro.org.br.

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