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Mulheres exageram em cirurgias plásticas sem necessidade

Atualizado em: 05/06/2015

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Lipoaspiração é uma das cirurgias mais procuradas pelas brasileiras. A morte de uma jovem dançarina durante a lipoaspiração levanta uma questão importante: será que algumas mulheres não estão exagerando e fazendo cirurgias plásticas sem necessidade?

Modelo, 27 anos, corpo escultural.

“Muito, muito vaidosa. Ela queria o corpo dela lindo, maravilhoso”, diz Enedina do Nascimento, tia de Pamela.

Pamela Baris Nascimento sofreu uma perfuração no fígado e morreu durante uma lipoaspiração em São Paulo no mês passado.

“Foi totalmente capricho dela. Ela era magra, não tinha necessidade nenhuma”, declara Luana Pires Kisner, amiga de Pamela.

“Ela tinha posto silicone e feito a barriga e o nariz. Fez o nariz, duas vezes o nariz. Já virou um vício pra ela. Ela queria ser bem bonita mesmo”, conta Enedina.

A promotora de eventos Tatiane Camargo, de 30 anos, já fez três lipoaspirações e colocou prótese nos seios duas vezes.

“Você viu que ficou legal, de repente você olha, tá precisando naquele outro lugar também. Você resolve fazer de novo. É meio que um vício sim”, declara ela.

Cris Andrade, 25 anos, é modelo. Passou por cinco cirurgias plásticas, incluindo duas lipos.

“Todas as meninas que eu conheço, a maioria já fez cirurgia de lipoaspiração. Sempre tem uma pressão em cima da gente. Você tem que estar dentro dos padrões. E você não se compara com aquela pessoa comum da rua. Você se compara com a supermodelo”, diz ela.

Para o cirurgião plástico Fábio Xerfan Nahas, é um padrão difícil de atingir.

“Criou-se um ideal de beleza que não existe. Não existe”, diz o professor da Unifesp.

A lipoaspiração é a cirurgia plástica mais comum no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, são feitas cerca de 200 mil operações todos os anos, mas não existem dados oficiais sobre as mortes.

“Toda cirurgia evidentemente envolve risco. Todos, inclusive a morte, como já aconteceu”, ressalta José Horácio Aboudib, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Os principais riscos são a perfuração de órgãos e vasos e a trombose, ou seja, a formação de coágulos no sangue. O perigo diminui se forem respeitados o limite de gordura retirada e o tempo de duração da cirurgia.

Em alguns casos, a busca incessante pela forma perfeita pode estar acompanhada de uma doença: o dismorfismo corporal. Isso acontece quando o paciente acredita que tem um problema muito maior do que realmente tem.
“Uma pequena gordurinha no abdome pra ele pode representar uma obesidade. Então ele vem no cirurgião plástico e a queixa dele é desproporcional ao que na realidade ele tem”, explica Fábio Xerfan.

É o médico que deve estabelecer o limite.

“Esses pacientes mais graves, eles não devem ser operados”, alerta Fábio.

Uma pesquisa com 300 pacientes que procuraram cirurgia plástica mostrou que o dismorfismo não é raro entre esse público. Por exemplo, 57% das pessoas que fariam cirurgia no abdome foram diagnosticadas com o distúrbio.

A doença tem que ser tratada por um psiquiatra ou psicólogo e existem sinais que podem ser percebidos no dia a dia. Fique atento.

Por exemplo: todo mundo acha que você está bem, mas você acredita que tem um problema muito grave. Ou você acha que, ao entrar numa sala ou chegar a uma festa, todo mundo repara no seu defeito.

Ou ainda: a situação interfere na sua vida social. Você deixa de ir a uma festa, por exemplo, porque se recusa a usar vestido.

“Nós recebemos os pacientes já com uma indicação cirúrgica do próprio paciente e cabe a nós simplesmente dizer ‘você esta certo, nós precisamos fazer a cirurgia porque você vai melhorar’. Ou não. ‘Nós não vamos conseguir melhorar o aspecto do que você está querendo’, diz Fábio.

Pamela sempre avisava a família antes de fazer uma cirurgia. Um mês atrás a tia esteve com ela numa operação de varizes. Mas dessa vez foi diferente.

“Ela não me falou, não. Ela já tinha feito da perna, ela sabia que eu não ia gostar que ela fizesse outra em seguida, né?”, conta Enedina, tia de Pamela.

 

Fonte: Jornal Floripa

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