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Maternidade muda perfil profissional brasileiro

Atualizado em: 14/05/2012

Enquanto os sindicatos reivindicam a extensão da licença-maternidade para as trabalhadoras, há empresas que, por conta própria, oferecem o benefício às futuras mães. O objetivo é que, além de terem o tempo necessário para si e para a criança, elas voltem mais motivadas e tranquilas ao trabalho.

A multinacional alimentícia Nestlé foi uma das primeiras a implementar o período de seis meses isoladamente no Brasil, em 2007.

O benefício para as mães é imediato e, para a empresa, a longo prazo, afirma a gerente de carreiras Lucimar Lencione. “Atraimos os melhores talentos para a empresa e também fidelizamos os que estão conosco”, diz.

Além do tempo extra com o bebê, a empresa também custeia parte da creche e deve implementar neste ano um esquema de “home-office”, para que as mães percam menos tempo no deslocamento de casa até o trabalho.

Kathyanne Kirsch, 29, coordenadora de eventos da multinacional, aproveitou os seis meses de licença para passear com o filho Arthur, hoje com 11 meses. “Quando o bebê é pequeno, é difícil interagir com ele. A melhor fase é após o quatro meses.”

Para Juliana Marcondes, coordenadora de atendimento ao cliente da varejista Walmart, o maior benefício da licença estendida é voltar ao trabalho com tranquilidade.

“Ter amamentado a criança até o período recomendado pelos médicos faz a profissional ter a sensação de missão cumprida”, acredita ela, que é mãe de João Pedro, de um ano e três meses.

Para que os pais -mas principalmente as mães- mantenham ou melhorem a produtividade, algumas empresas, como a brasileira Embraco, de compressores, oferecem também creche dentro da empresa.

O objetivo, segundo Carlos Rosa, gerente de recursos humanos da companhia, é que os pais cultivem a proximidade com os filhos e que as funcionárias possam amamentá-los durante o dia.

“O instinto materno é muito forte e a mãe tende a deixar tudo, até mesmo o trabalho, para ficar com o filho, se não conseguir conciliar as tarefas”, afirma o gerente.

A diretora de recursos humanos da farmacêutica Pfizer, Lisandra Ambrózio, 36, é um exemplo. Mãe de primeira viagem de Lívia, de nove meses, ela afirma ter mudado a forma de trabalhar depois da maternidade.

“Era muito ‘workaholic’. Hoje, sinto que o trabalho me completa, mas não é minha razão de viver. Minha razão de viver é a Lívia”, compara.

Com uma licença-maternidade de seis meses, a diretora pôde amamentar melhor a filha e levá-la para passear. “O período também foi bom para outras pessoas se desenvolverem na empresa enquanto eu estava fora.”

Folha Online

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