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Conheça a mulher que quer mudar a vida de alguém toda semana do ano

Atualizado em: 16/04/2015

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Jaime Thurston criou um grupo online para ajudar pessoas desconhecidas ao redor do mundo

 

Em um mundo onde a desigualdade continua a crescer, aqueles que precisam de ajuda podem ser facilmente engolidos por um vazio – como uma moeda perdida num canto do sofá. Mas, para a sorte dessas pessoas, Jaime Thurston não vai deixar isso acontecer.

Quando percebeu que havia muitas pessoas precisando de ajuda, a dona de casa de 35 anos lançou o 52 Lives (52 Vidas) – um site que tem por objetivo mudar a vida de alguém toda semana do ano, por meio de atos coletivos e aleatórios de bondade. A jornada começou quando Thurston estava comprando móveis pela internet. Enquanto olhava um site de móveis de segunda mão, ela viu um anúncio de “Procura-se” que imediatamente chamou sua atenção.

“Era uma jovem mãe solteira procurando tapetes para cobrir o piso da sua casa, que estava danificado. Ela tinha medo que as crianças se machucassem”, disse Thurston ao HuffPost UK Lifestyle. “Ela parecia desesperada, então entrei em contato para ver se ela precisava de algo mais. Ela tinha fugido de uma situação doméstica ruim e estava recomeçando a vida.”

Descobrindo mais sobre essa estranha, Thurston pensou que poderia ajudar mais pessoas. “As pessoas são boas e querem ajudar umas as outras”, diz ela. “Às vezes trata-se meramente de colocar pessoas que precisam em contato com outras que podem ajudar. Então decidi criar uma página no Facebook para fazer isso.”

Desde aquele momento, a ideia só cresceu – principalmente pelo boca-a-boca. Hoje o 52 Lives tem um site oficial e consegue oferecer ajuda para uma nova pessoa a cada semana. A iniciativa é coordenada por Thurston, mas, segundo ela, muito do trabalho é feito pelos milhares que visitam o site, compartilham os pedidos de ajuda e oferecem apoio a desconhecidos (pessoas que elas provavelmente nunca vão conhecer).

“A premissa básica é que as pessoas são boas. E muita gente boa trabalhando em conjunto é melhor ainda”, acrescenta. E não se trata só de bens tangíveis, diz Thurston. “É a bondade inesperada que faz a maior diferença para as pessoas que ajudamos”, diz Thurston. “Saber que há completos desconhecidos que se importam e que querem ajudar. Isso é o que ajuda a mudar vidas.”

A primeira pessoa a se beneficiar da bondade coletiva do 52 Lives foi Claire Ollier, de 9 anos, de Queensland, na Austrália. “Claire teve câncer no cérebro e passou por muitos tratamentos. Queríamos que ela tivesse algo especial”, diz Thurston. “Com a ajuda de várias empresas, conseguimos levá-la ao teatro para ver Chitty Chitty Bang Bang, usando um belo vestido. E também demos para ela um dia VIP num parque de diversões.”

Infelizmente, Claire faleceu meses depois. Mas, graças à bondade do 52 Lives, suas últimas memórias foram felizes. Agora a organização está ajudando o irmão mais velho dela.

Evie, de 9 anos, filha de Nicola Shallom, é uma das pessoas que se beneficiaram dos atos de bondade do 52 Lives. Ela foi diagnosticada com câncer linfático de Kodgkin em março de 2014. Logo depois do diagnóstico, um de seus professores entrou em contato com o 52 Lives para tentar arrecadar dinheiro para reformar o quarto de Evie. “Era justamente o que ela precisava, algo legal e divertido”, diz Nicola, a mãe de Evie. “Ela ficou super empolgada quando contamos.”

O quarto de Evie, que tem sido “incrivelmente corajosa” no tratamento, foi pintado de azul, com uma árvore em uma das paredes. A família também recebeu vouchers de produtos da IKEA. O quarto ficou pronto e, segundo Nicola, Evie adora mostrá-lo para os amigos. “O 52 Lives não deu a ela só um quarto novo, mas também muitas horas de alegria planejando, decorando e fazendo compras. Isso ajudou muito no tratamento.”

Com tantas histórias emocionantes, é difícil para Thurston não ser sugada para dentro das vidas e dos dramas das pessoas. “Choro toda semana, sem falta”, revela ela. “As pessoas compartilham os detalhes mais difíceis e pessoais de suas vidas. E algumas das histórias são de partir o coração.”

Uma carta recebida por Thurston, que tem dois filhos, era de uma mulher que a organização tinha ajudado no passado. “Era uma carta curta e simples”, diz Thurston. “Mas ainda enche meus olhos de lágrimas quando leio.”

A mulher também decidiu ajudar, enviando um vale-presente de 200 dólares australianos para uma família que passava por necessidades. Thurston diz que o cartão estava acompanhado de uma nota que dizia: “Estamos juntos nesse mundo e precisamos nos apoiar. Eles precisam saber que não estão sozinhos”.

Desde o começo, em novembro de 2013, a iniciativa de Thurston só recebe elogios. E também muitos pedidos de ajuda, que vão de dentaduras a um novo carro. Thurston diz ficar muito agradecida pela confiança que as pessoas têm em seu julgamento.

“Eles depositam uma enorme fé em mim. Confiam no meu discernimento para escolher quem vai receber ajuda, e ajudam sem conhecer a pessoa. Essa fé e essa bondade são avassaladoras.”

Por que as pessoas decidem ajudar pessoas desconhecidas, sobre as quais não sabem nada? Por várias razões, diz Thurston. “Mas acho que, acima de tudo, porque as pessoas gostam de ajudar diretamente. Ver o benefício de suas ações é muito empoderador. A cada semana, histórias diferentes vão atrair pessoas diferentes. Em algum momento uma história vai chamar sua atenção.”

Apesar de tudo, Thurston diz que a experiência não recuperou sua fé na humanidade. O motivo? Ela sempre acreditou que as pessoas fossem “inerentemente boas” e quisessem se ajudar. “A coisa mais importante a fazer é semear a bondade. A bondade inesperada é poderosa e pode mudar as perspectivas de vida de uma pessoa.”

Fonte: Da Redação com Brasil Post

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