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Brasil é referência na busca pela igualdade de gênero e no desenvolvimento da agricultura familiar

Atualizado em: 05/03/2012

A troca de experiências, conhecimentos, manejo e produção agrícola de forma sustentável, além da comparação com a realidade de 30 países das Américas, África, Ásia e Oriente Médio, marcou a visita de campo, na quinta-feira (1/3), de representantes desses países ao Projeto Esperança do Futuro da Associação de Desenvolvimento Comunitária de Caxambu (ADCC), em Goiás. O grupo participa do Curso de Formação em Políticas Públicas para Igualdade de Gênero com Ênfase em Políticas para as Mulheres Rurais e Segurança Alimentar, organizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR).

Quinze mulheres são as protagonistas do projeto iniciado há mais de 20 anos. De acordo com a presidente da Associação, Maria Albertina de Freitas Gouveia, o projeto beneficia aproximadamente 23 famílias que vivem nas redondezas. “Aqui as mulheres ajudam tanto na plantação como na produção industrial. Esse trabalho desenvolvido pela Associação tem gerado uma renda média mensal de um salário mínimo para cada família”, comemorou.

AUTONOMIA E SUSTENTABILIDADE – “Estou surpresa e imensamente feliz em observar o quanto o Brasil está avançando na área da autonomia econômica das mulheres e no desenvolvimento da agricultura familiar de maneira sustentável”, disse Halamehi Latu, representante do Ministério da Agricultura, Alimentação e Floresta, do Tonga.

Segundo ela, seu país tem muito a aprender com o Brasil, principalmente na busca pela igualdade de gênero, que não existe em sua nação. “Por sermos um país pobre, enfrentamos uma dificuldade financeira muito grande. As mulheres não têm acesso à educação e à renda, o trabalho externo fica predominantemente ao encargo do homem como chefe de família”, afirmou.  Halamehi disse que levará as informações obtidas no curso e irá procurar mobilizar as mulheres para que haja mudança na relação entre mulheres e homens e também ajudar às mulheres na geração de trabalho e renda para melhorar a situação econômica da sua sociedade.

REALIDADE AFEGà– Entre as 30 pessoas que estão fazendo o curso, dois são homens. Um deles é o diretor do Departamento de Relações Humanas e Relações para as Mulheres do Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão, Abdul Qadir Alimkhail. Ele veio representar o seu país porque as mulheres não ocupam cargos de direção, coordenação ou chefia, pois não são preparadas para ocupar estes postos.  Segundo o diretor, três em cada quatro mulheres analfabetas, na sua região.

Alimkhail relatou que recentemente o governo local está criando programas de alfabetização para as mulheres, mas devido ao alto índice de violência em diversos locais, a procura não tem sido satisfatória. “Em nosso país, em parceria com organizações não governamentais, estamos criando programas de abertura e administração de pequenos negócios como criação de galinhas e salão de beleza para as mulheres”, informou.

De acordo com o diretor participar desse curso e da visita está sendo muito interessante e será muito útil para aplicar essa experiência brasileira no seu país. NO Afegnistão, as terras aráveis são escassas e é necessária assistência técnica, a qual o Brasil pode oferecer para avançar no desenvolvimento agrícola daquele país. Alimkhail explicou, ainda, que a relação entre os dois países está mais estreita e que há duas semanas uma delegação do Ministério da Agricultura do Afeganistão esteve no Brasil para negociar um Temo de Cooperação Técnica entre os dois Estados, não só voltados para a agricultura, mas também para a melhoria da condição feminina.

PROMESSA DO FUTURO – O Projeto localizado no povoado de Caxambu/GO realiza a produção sustentável de alimentos, tais como o cultivo orgânico e técnicas de cuidados com o solo. A iniciativa da ADCC trabalha com o plantio direto e com a rotação de culturas, além do resgate de variedades tradicionais de arroz, milho e feijão.

Além disso, os integrantes passaram a se dedicar à coleta de plantas nativas, como baru, jaboticaba e cagaita, produzindo doces, geléias e castanhas torradas. E, atualmente, com a marca Promessa de Futuro, a Associação comercializa uma variedade grande de produtos, como doces, conservas, picles, chás, feijão vermelho e gergelim. Atualmente, seu desafio é aumentar o espaço de comercialização – que vende produtos em Pirenópolis, Brasília e São Paulo.

Comunicação Social/PR

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