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Bachelet: papel da mulher deve ser fortalecido no texto da Rio+20

Atualizado em: 19/06/2012

Em 1992, quando líderes de todo o mundo se reuniram pela primeira vez no Rio de Janeiro para discutir o desenvolvimento sustentável, um dos pontos acordados foi a promoção da igualdade entre homens e mulheres. Passados 20 anos da Eco92, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet alertou nesta segunda-feira que pouco foi feito de concreto. “As mulheres continuam discriminadas, não têm direitos, oportunidades e participação igual aos homens”, disse ao destacar que espera avanços sobre o tema no documento final da Rio+20.

Diretora-executiva da ONU Mulheres, Bachelet afirmou durante entrevista coletiva no Riocentro, no Rio de Janeiro, que o texto final apresentado pela Brasil contempla um parágrafo específico sobre igualdade de gênero como fator determinante para o desenvolvimento sustentável. Mas, segundo ela, o conteúdo ainda precisa ser melhorado. “Achávamos que a inclusão feminina deveria ser, não apenas um tema específico, mas também algo que permeia todas as outras questões, como erradicação de pobreza, cidades, água e oceanos. Iss foi incorporado e representa um avanço importante, mas ainda é preciso fazer mais”, disse.

Para que a mudança ocorra, a ex-presidente defende o empoderamento das mulheres. “Precisamos de mulheres no Parlamento, no Executivo, nos governos locais, na direção das grandes empresas. São as mulheres que usam a lenha para cozinha, que precisam coletar água porque não há saneamento. Esses problemas afetam a vida delas e elas precisam fazer parte da tomada de decisões para poder mudar isso”, afirmou.

Presente no painel sobre o futuro que as mulheres querem, a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, disse que é preciso deixar de subestimar o papel das mulheres. “Não podemos permitir essa negligência assombrosa com as mulheres devido a tradições obsoletas e, principalmente, fruto da discriminação e ignorância”. De acordo com ela, os líderes reunidos no Rio de Janeiro têm papel fundamental de definir que todos tenham acesso igual à terra, ao crédito, ao trabalho.

“Principalmente quando falamos em agricultura, o papel da mulher pelo desenvolvimento sustentável se torna muito forte. Elas representam 43% dos trabalhadores da agricultura, mas não tem acesso igual à terra, ao crédito e à tecnologia. Para promover um cultivo que proteja o ambiente, é preciso mudar isso”, afirmou Brundtland, que é considerada a “criadora” do conceito de desenvolvimento sustentável.

Segundo ela, os fracos resultados em termos de igualdade 20 anos após a Eco92 não são culpa apenas dos governos. “A responsabilidade é de todos. Claro que tivemos líderes que assumiram o papel de implementação das propostas, mas eles mudaram ao longo dos anos e não houve pressão social para que se comprometessem com a igualdade de gênero. Hoje temos as mídias sociais, o poder da população é muito maior, então se nada se efetivar a culpa será mais uma vez de todos”.

Bachelet e Brundtland participam, na terça e na quarta, do Fórum de Mulheres Líderes pela Igualdade de Gênero, Empoderamento das Mulheres e Desenvolvimento Sustentável durante a Rio+20, no Riocentro. A finalidade é reunir mulheres de todo o mundo para discutir a igualdade nas três dimensões do desenvolvimento: social, ambiental e econômica.

Rio+20
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 de junho na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Composta por três momentos, a Rio+20 vai até o dia 15 com foco principal na discussão entre representantes governamentais sobre os documentos que posteriormente serão convencionados na Conferência. A partir do dia 16 e até 19 de junho, serão programados eventos com a sociedade civil. Já de 20 a 22 ocorrerá o Segmento de Alto Nível, para o qual é esperada a presença de diversos chefes de Estado e de governo dos países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não estarão presentes, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

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