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Amazona pode ser 1ª mulher saudita a competir em Olimpíadas

Atualizado em: 27/03/2012

A cavaleira Dilma Milhess, de 18 anos, pode ser a primeira mulher da história da Arábia Saudita a competir nas Olimpíadas, o que representaria grande avanço neste país ultraconservador onde o esporte feminino praticamente não existe.

De acordo com a imprensa local, o príncipe herdeiro, Nayef Ben Abdel Aziz, teria autorizado atletas femininas sauditas a participar dos Jogos Olímpicos de Londres, mas nenhum anúncio oficial ainda foi feito.

Treinando no exterior, a amazona pratica o salto de obstáculos e já disputou uma competição oficial, em 2010, em Cingapura. Se for autorizada a representar seu país em Londres, ela competirá junto com homens, já que o hipismo é a única modalidade mista das Olimpíadas.

Em julho de 2011, a presidente da Comissão de esporte feminino do COI (Comitê Olímpico Internacional), Anita DeFrantz, tinha criticado a Arábia Saudita, o Brunei e o Catar por nunca ter enviado uma mulher sequer para participar do maior evento esportivo do planeta.

No entanto, no dia 13 de março, a entidade anunciou que “trabalhava de forma muito estreita” com estes três países, que teriam se mostrado “muito cooperativos”, de acordo Christophe de Kepper, diretor do COI.

O Catar, candidato para organizar a edição de 2020, já anunciou sua firme intenção de enviar atletas femininas em Londres, e Brunei se comprometeu a levar pelo menos uma mulher na sua delegação.

Além da pressão do COI, as autoridades sauditas também são alvo de críticas de organizações de defesa dos direitos humanos. “O fato de enviar atletas femininas aos Jogos de Londres não muda nada ao fato que as mulheres continuam excluídas das atividades esportivas”, alertou a associação Human Rights Watch – ONG americana de defesa aos direitos humanos – em comunicado divulgado na última sexta-feira.

“As aulas de educação física continuam proibidas para as meninas nas escolas sauditas e ginásios para mulheres foram fechados pela autoridades nos últimos anos, lembrou a ONG.

Num país dominado por religiosos ultraconservadores, as mulheres não têm o direito de dirigir, nem de viajar sozinhas para o exterior.

“A questão da participação de atletas femininas nas Olimpíadas está sendo debatida no país há mais de 20 anos”, confessou no fim do ano passado o presidente do Comitê Olímpico saudita, o príncipe Nawaf Ben Fayçal. “Vamos enviar atletas masculinos, mas não exite a menor possibilidade uma delegação de mulheres, já que o esporte feminino não existe na Arábia Saudita”, tinha declarado o dirigente.

Ben Fayçal chegou a abrir uma brecha para a participação de mulheres a título individual “se sua postura respeitar as leis islâmicas”.

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